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Crash

28.3.06

De vez em quando lá aparece um filme assim. Este realizador, Paul Haggis, que já nos tinha presenteado com o fantástico argumento do poderoso Million Dollar Baby, vem agora confirmar o seu talento e genialidade com este Crash.
Acabei de ver o filme e não podia ficar calada. O pior é que a emoção me embaça as ideias e nem sequer consigo ser muito conexa ou coerente. Não há muito que possa dizer sobre o filme ou o sentimento que se apodera de nós no momento em que o filme acaba. Apenas se sente.
Gostava de partilhar convosco o quanto gostei deste filme e o quanto ele me tocou...
Não resisto em publicar o parecer de um amigo que se exprime num português fantástico, o Rui Coelho. A localização original deste post está em http://desvio-do-pensamento.blogspot.com.

"Crash fala de racismo, discriminação, egoísmo. Fala de trabalho, imigração, armas e um anjo (Los Angeles). Ou uma criança, se quiserem. Atira-nos para um buraco escuro, tão escuro que realça o que de pior existe em cada um de nós e em que o erro é notariado de forma vitalícia nos actos do Homem. Este filme, de Paul Haggis, espelha-nos o problema da convivência multicultural, pluriracial e étnica, sendo que cada rua da cidade dos anjos aparece como uma fronteira onde acaba o bem e começa o mal. E o inverso, ao detalhe. Este detalhe faz a diferença, pisca o olho ao (tele) espectador e desaparece sem deixar rasto.No fundo, Crash é um filme sobre a redenção de uns e a queda de outros, misturando num puzzle pálido, de cores tristes e pequenos laivos de um arco-íris subtil, as evoluções e regressões próprias da (sobre) vivência humana. A mensagem extraída ilibe o Homem de uma natureza má e condena os preconceitos que a sociedade instala na sua mente como a entidade desvirtuadora. É a sociedade que adoece o ser humano, já que o toque de Deus aparece umbilicalmente ligado ao coração de cada um de nós, ainda que de forma quase imperceptível, jogada no detalhe. Brilhante." (R.C.)

O meu primeiro jantar com os Erasmus...

26.3.06

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Puck, Rafaela, Tom, Patrik and Gerli


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Ayelet, Rafaela, Patrik, Gerli,
Bram, Hsi Wein, Nard, Puck, Bogi and Lotte


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Drinking "Sex on the beach"

No dia 20 de Março houve um jantar no "Ripa90 cafè", situado numa das maiores ruas de Milão, via Ripamonti. Digo que é das maiores porque no mapa, atravessa mais de 6 quadrados, o que é invulgar! O jantar custou 12 euros e incluia uma pizza margherita + cerveja/vinho/coca-cola + um cocktail, ou seja, não era muito caro.
Tinha combinado com o Nard, Puck e o Patrik de nos encontrarmos um pouco antes para nos podermos sentar todos juntos no restaurante, porque éramos os únicos erasmus que conhecíamos.
Chegámos, atrasados como sempre, e já estava tudo sentado e instalado. Feitos gatos pingados, sentámo-nos timidamente numa mesa pequena à espera que alguém enchesse os lugares vazios e assim conhecessemos mais pessoas. A verdade é que foram chegando mais pessoas e mudámo-nos todos para uma mesa maior.
Na nossa mesa, muito divertida por sinal, ficaram representados os seguintes países: Holanda (na sua maioria, eram 4), Portugal, Estónia, Suécia, Polónia, Hungria, Israel e Taiwan...que grande variedade, não? Foi mesmo uma noite muito divertida...como cocktail bebemos todos "Sex on the Beach", que nunca tinha provado e é muito bom mesmo!
Fomos todos para casa por volta da uma e meia, com o RadioBus, uma invenção fantástica. É uma espécie de taxi colectivo, em forma de um mini-autocarro, que vem buscar as pessoas onde elas se encontram e as levam onde quiserem...e paga-se apenas dois euros, que é a melhor parte!:) Aqui estão as fotos do pessoal...

Um mês em Milão

26.3.06

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Gallerie Vittorio Emanuele II


Fez na semana passada um mês que estou em Milão.

Nesta situação, ponho-me a pensar sobre as idiossincrasias do tempo: por vezes, estou em Leiria (onde passei os últimos 4 anos da minha vida) e passa-se um, dois, três meses sem que nada de novo aconteça. Só mesmo o normal da vida: comer, dormir, sair à noite, ir à escola, rir-me com as piadas de um amigo engraçado, ver um filme que gosto, provar uma fruta nova de que não gosto... No entanto, a partir de dia 16 de Fevereiro tudo tem mudado a uma velocidade e intensidade assustadoras.

Primeiro é a questão de um novo ambiente: um novo país, uma nova cidade, um novo contexto, que funcionam como catalisador de um grande número de mudanças...
Depois é a língua: note-se que quando cheguei não sabia absolutamente nada de Italiano, não entendia quase nada do que me diziam. A evolução adivinhava-se, a priori, rápida, mas não tão veloz como se constatou. Ao fim de dois dias, já entendia 90% do que me diziam e ao fim de 2 semanas já conseguia falar italiano. Claro que não falo bem, nota-se perfeitamente que sou estrangeira, mas o meu objectivo consegui-o de imediato: conseguir expressar-me e poder dizer piadas numa outra língua.

Tive muitas dificuldades em encontrar um quarto em Milão: vi cerca de 8 quartos, todos duplos, porque aqui é muito difícil (leia-se incrivelmente caro) encontrar um quarto individual. Todos os que vi eram vergonhosos e com uma relação qualidade-preço muito baixa. Dia 6 de Março, por fim, lá encontrei um quarto aceitável na zona de Bovisa (um pouco afastada do centro) a um preço ainda assim caro: 350 euros. No entanto, tenho Internet 24 horas e todas as despesas incluídas. Pontos contra: o senhorio, de 63 anos, mora na mesma casa do que eu e proibiu expressamente a entrada de homens cá em casa...(Eu hein? Eu vim cá para estudar, não foi para levar homens para casa...)

Depois de instalada, tive necessidade de arranjar amizades quase à força, pois não quero que a minha presença em Milão passe despercebida. O primeiro passo foi ir ao Politécnico de Milão, uma universidade muito maior que a minha e que recebe centenas de Erasmus por semestre. Associei-me ao grupo ESN (Erasmus Student Network), que me dá carta branca para poder ir às viagens e jantares que eles organizam, como se fosse estudante do POLIMI.

No dia de boas vindas aos Erasmus do POLIMI, eu qual intrusa, estava lá sob o pretexto de fazer um teste de italiano. Quando entrei no anfiteatro, a sensação foi indescritível. Estavam cerca de 300 Erasmus, todos cidadãos estrangeiros, todos com um ânimo fantástico, felizes por estarem noutro país, por se sentirem privilegiados de poderem viajar, de conhecer outra cultura. Assim me senti também. Contente por ainda ser estudante.

Nessa tarde sentei-me perto do Patrick, um sueco tímido e simpático. Nas cadeiras de trás estavam o Nard e a Puck, dois holandeses de Eindhoven. Conhecer estes três estudantes mudou a minha vida em Milão, pois entendemo-nos todos muito bem e voltaríamos a encontrar-nos na semana seguinte, num jantar Erasmus.

O sorriso da Virginia

26.3.06
Não posso deixar de dizer que a boa disposição da Viz e o seu sentido de humor aproxima muitas pessoas, por isso, ela tem tantos amigos e pessoas à sua volta.
O sorriso e a gargalhada da Viz não são fáceis de esquecer. Assim, para perpetuar a sua alegria, deixo estas fotos...

A cicerone Virginia

26.3.06




Para aquele que pensou que vir para Milão e arranjar casa era muito fácil, enganou-se redondamente. Considero-me uma privilegiada porque tenho tido muita sorte na minha vida em relação às pessoas que conheço. Uma das situações mais flagrantes foi, sem dúvida, com a Virginia.
Conhecemo-nos quando fez Erasmus em Portugal há dois anos. Nas semanas anteriores à minha vinda para Milão, a Viz (como gosta de abreviar o seu nome) ofereceu-se para me ir buscar ao aeroporto e apresentar-me à cidade.Quando cheguei a Malpensa, na noite de 16 de Fevereiro de 2006, lá estava ela à minha espera com um sorriso nos lábios. Não só porque era eu que estava ali à sua frente, mas porque a própria já tinha passado por tudo aquilo que estou a passar como uma aluna Erasmus e certamente lhe terão voltado à memória a sensação que é aterrar numa cidade que não se conhece, em direcção a uma vida que não é a nossa e passar uma boa parte da nossa vida longe do nosso país. Creio que o sorriso dela devia-se a esta lembrança.
A Virginia e a mãe receberam-me de braços abertos. Ensinaram-me as primeiras coisas de Italiano e não me esqueço da cara da Rosa, a mãe, quando uma semana depois olhava para mim e percebia perfeitamente aquilo que eu queria dizer, enquanto nos primeiros dias, não conseguia falar nada.
A Viz sempre teve uma paciência de Jó comigo, fosse pelas nossas diferenças de opinião, fosse pelo meu cansaço emocional de estar constantemente a errar e a repetir as coisas em italiano...porque para aqueles que nunca foram para um país sem conhecer a língua e tinham forçosamente de a aprender, acreditem que é muito cansativo.
Estive na casa da Viz desde dia 16 de Fevereiro até dia 5 de Março, ou seja, quase três semanas. Houve muitos percalços na minha procura de casa.Vi bastantes casas, mas havia sempre algo contra: ou era muito cara, ou a caução era muito elevada, ou os conquilinos não me telefonavam a confirmar se podia ficar lá. Foi um tempo de grande tensão para todos, pois a Viz estava a acabar a tese dela, o que acrescia o stress sentido; eu já tinha começado as aulas e estava preocupadíssima por ainda não ter encontrado quarto...enfim, apesar de me divertir bastante com a Viz, foi uma altura bastante complicada.
Portanto, este post é precisamente uma homenagem à Virginia (e à Rosa, que me tratou como uma filha), que não tendo propriamente muita intimidade comigo no momento que cheguei a Milão, se tornou o meu ombro e o meu braço direito nestes primeiros tempos num novo país e numa nova cidade. O facto de ela ser uma pessoa muito prática, muito terra-a-terra e muito sincera, sem dúvida, foi importante para mim e aprendi imenso nestas semanas que estive na sua casa.

Obrigada Viz!

As minhas cidades

21.3.06

Portimão, onde cresci;
Leiria, onde estudei;
Rio de Janeiro, onde trabalhei;
Milão, onde estou actualmente...
e futuramente, Nova Iorque, onde espero passar algum tempo.

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