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Saudade...

25.4.06

Ser-se portuguesa vai muito além de falar a língua de Camões.

É toda uma identidade muito própria, muito longe de uma Europa mais que unificada mas que insiste em manter Portugal no seu canto, como se fosse nossa culpa estar na ponta da Europa.

Verifico isto quando percebo que todos os jovens da Europa viajam imenso e conhecem um sem-número de países, menos Portugal...custa-lhes a crer que Portugal não é um anexo da Espanha e sim um país com uma história longuíssima de Descobrimentos e de Literatura e de História e de Arte e de brandos costumes...

Comecei a pensar nestas coisas quando um amigo inglês que vive em Milão me perguntou o que queria dizer "saudade". Eu respondi-lhe o seguinte:
The meaning is something really hard to explain. By the way, according to a study carried out by one major association of translators, Today Translations , "saudade" is the 7th word most difficult to translate in the whole world. (...) Saudade in portuguese is a way of saying "I miss you", but mixed with nostalgy, melancholy and all our portuguese farewell traditions. You know, the country that undertook the most ambitious voyages of discovery was Portugal. From these long voyages, Europe would discover the entire coastline of Africa, South America, Asia...etc. So, we have this tradition of saying goodbye with this great nostalgy and without knowing if they were coming back. Saudade carries all these feelings.
In the current usage of language we translate " I miss Portugal" as " Tenho saudades de Portugal" or " I miss my childood " as "Que saudades da minha infância" or "Such good old times.." as " Que saudades daqueles tempos...".
Fernando Pessoa has this beautiful sentence: "Todo o cais é uma saudade de pedra" , something like "Every quay is saudade made of stone" .

Não sei se terei sido totalmente fiel à intensidade do termo, mas creio que ele percebeu.

E são coisas como estas que nos tornam peculiares em relação às outras nacionalidades europeias. Obviamente, todas as línguas têm os seus termos intraduzíveis e muito próprios, mas a palavra "saudade" está implícita em tudo: na literatura, na arte, na psicologia de um povo, na música... e tudo isto é simplesmente ignorado pelo resto dos europeus, que mal ouviram falar de um Pessoa, de um Eça ou de uma Amália.

E numa altura em que muita gente se envergonha de ser portuguesa, nunca me senti mais orgulhosa da minha nacionalidade e das misturas e influências que tenho no sangue: uno África e Europa num mesmo corpo e sou feliz com isso.

Génova

25.4.06

No dia 2 de Abril, eu e um grupo enorme de Erasmus fomos a Génova numa viagem organizada pelo Erasmus Student Network, i.e., ESN. Neste dia tão cansativo e delicioso, eu, a Loretta e a Juliette conhecemos um sem-número de pessoas que agora fazem parte de um grupo animado de amigos: Daniele, Stefano, Christian (os italianos), Adriana (brasileiraaaaa), Marta e Isaac (os espanhóis),etc...

Partimos às 8 horas de Milão e pouco depois das 10h chegámos a Génova. Génova é conhecida por ser uma cidade portuária - já do tempos dos antigamentes - e por ter o maior aquário da Europa...Para ser sincera, gosto mais do Oceanário de Lisboa, mas se digo isto em público passo por patriota parcial...e não quero isso.:)De facto, o Aquário é muito grande mas por exemplo, só tinha um golfinho, que tristeza... O bilhete para grupos foi 7.50 euros por cabeça. Valeu a pena, mesmo assim.

O almoço foi a melhor parte, devo confessar. Fomos a um restaurante pequenino e acolhedor e enchemos as mesas todas. A melhor parte é que o almoço tava incluído nos 23 euros que custou a viagem, ou seja, mesmo muito barato, convenhamos.

Conheci a primeria portuguesa desde que estou em Milão, a Maria Luís, e fiquei mesmo contente...ela é uma mulher do norte, em oposição à sulista aqui. :) A nossa mesa, com duas portuguesas, uma brasileira, duas francesas e uma espanhola, foi das mais divertidas. Bebemos algumas garrafinhas de vinho e o famoso Limoncello, a bebida italiana mais famosa entre os jovens. Depois do almoço, passeámos pelo centro histórico e passámos momentos belíssimos. Aqui ficam algumas fotos para a posteridade.





Pesto Genovese


PAI

10.4.06
O meu pai...que me ensinou a não me contentar com pouco.

Brown Skin

9.4.06
Teve de ser uma japonesa, a Masumi, para me mostrar esta cantora fantástica. Tem uma voz grave e uma sonoridade muito soul e muito pouco comercial, o que é uma alternativa eficaz às massificadas vozes negras dos EUA. Fixem o nome: India Arie.


THE CLUB - Glamour...

9.4.06
Há que fazer a pose...
Eu e Lizzeth, a minha companheira de quarto mexicana
(my mexican roommate)

Esta é, das que conheço, a discoteca mais bonita de Milão. Deve-se em grande parte aos seus sofás lindíssimos em padrão de zebra e à música divertida que passa. Ah, não me posso esquecer que foi aqui que provei a melhor caipirinha de Milão.

Among the discos I know, I think this is the most beautiful. Maybe I have this special love on the account of these fantastic sits with the zebra pattern. But the music is also great and I must tell everybody that we can find in THE CLUB Milan's best Caipirinha. So, hurry up!! :)

Crazy nights - Old-Fashioned Cafe

9.4.06

All Wednesdays, Old-Fashioned Caffe offers its night to Erasmus Student. Actually, I don't love this disco, the music sucks and it's expensive (10 euros just for one drink) but we had fun, as always. This was the night I got sick, so this place is now on my black list.:(

Ayelet, Nard, Lotte, Gosha, Tom and Bram

The Netherlands: Bram, Lotte and Nard

Nard da Holanda e Gosha de Israel

Japão, França e Portugal

Benito, Juliette, Loretta, Rafaela e Piero

Festas na casa da Loretta

9.4.06


A Loretta é uma francesa da minha turma que, apesar de muito séria e até snob na escola, revelou-se uma verdadeira maluca pela noite e, claro, arrastou-me com ela para esta Dolce Vita que é sair à noite e não dormir nada. Sim, porque a nossa teoria é sair até às tantas da manhã, mas nunca faltar às aulas, porque a piada está em dormir nas aulas. :)

Já criámos uma rotina para as nossas saídas à noite: fazemos o aquecimento na casa dela, isto é, bebemos uns copos de vinho ou de gin lemon e só depois vamos para a discoteca. Sim, porque beber numa discoteca custar-nos-ia, até ao ponto de alegria que queremos chegar, uns 30 euros. Portanto, estou a aprender a fazer umas economias por aqui.

A primeira festa foi a SERATA LATINA na fantástica discoteca La Banque, no Sábado dia 18 de Março. Nesta noite, conheci um saco di personne que estão a ser os meus grandes companheiros de noitadas de Milão.


Da direita para a esquerda, temos o francês Malo, o italiano Piero, a francesa Juliette, a japonesa Masumi, o mexicano Benito e em baixo a louca Loretta

Eu no meio de dois mexicanos: o Victor e o Paolo.

Esta foi uma noite fantástica para a minha auto-estima. Todos sabem que tenho um certo problema de coordenação e que dançar definitivamente não é o meu forte. Contudo, nesta noite dancei salsa e merengue até às 4 e meia da manhã com estes mexicanos e foi mesmo o máximo. Creio ter sido a noite mais divertida que tive cá em Milão até agora.:)


Dar-se a oportunidade de

9.4.06
Há coisa de três semanas a Mónica , a outra Erasmus portuguesa que estava aqui em Milão, voltou para Portugal. Desistiu deste desafio que é o Erasmus. As suas palavras foram: "Não gosto da cidade, não gosto da escola. Por isso, vou-me embora, não vale a pena ficar cá só para dizer que cá estive". Esta secura entristeceu-me, pois percebi que ela não teve a capacidade de "look on the bright side" e dar-se a si mesma a oportunidade de tentar mais um pouco. Confesso que só comecei a apreciar verdadeiramente Milão a partir do fim do primeiro mês de estada. Claro que não é fácil, devemos sempre fazer um esforço.Um Erasmus deveria ser ousado, extrovertido e aberto. Senão...de que outra forma podemos fazer amigos? Não nos esqueçamos que estar num outro país, é como se a vida começasse de novo: temos de criar laços (que no nosso país, na nossa vida normal levaram anos a ser criados), temos de conhecer uma cidade, os seus truques e segredos...e este é o gozo de estar num novo país. Lamento pela Mónica. Não por se ter ido embora, mas por não acreditar em si própria, e que ela superaria facilmente este desafio. Se se tivesse dado a oportunidade, claro.

Milão, uma cidade viva

8.4.06

Apaixonei-me por Milão.
Uma cidade poética, musical e pitoresca. Quando vou ao centro, pareço que estou num filme e muitas vezes pergunto-me como foi que cheguei aqui...Como saí da pequenez de Portimão (quase) directamente para uma cidade enorme e vivaz como Milão.
E agradeço pela oportunidade que me foi concedida em estar a viver aqui.

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