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FAIRPLAY

27.6.06

No domingo, Portugal passou aos quartos-de-final, num jogo bastante...conflituoso com a Holanda. A selecção laranja sempre foi das minhas preferidas, porque desde pequena sempre gostei do Gullit (eu confundia-o com o meu pai, por causa das tranças que ambos usavam, mas isso já é outra história: a minha miopia começou cedo!) e sempre achei o povo holandês dos mais simpáticos e descomplexados da Europa. E, curiosamente, grande parte dos amigos que tenho em Milão são holandeses. :)
Assim sendo, combinámos ir ver o jogo juntos. Felizmente consegui arranjar mais três portuguesas que também cá estão em Erasmus: a Carla, a Joana e a Mileidy. Equipámo-nos nas cores das nossas selecções e aqui estávamos nós à espera de que o jogo começasse.
Aqui vão algumas fotos que mostram o nosso fairplay, ao contrário das duas equipas em campo que não sabiam onde ele andava.

A trupe holandesa: Petra, Lotte e Bram

Depois de cantar o hino

Lado esquerdo: Holanda; Lado direito: Portugal

Fairplay

Posted by Picasa

"Calada não fico"

26.6.06
Alguém me disse há uns anos que o tempo que passávamos na universidade era proveitoso não só pelo que aprendíamos em termos académicos, mas pelos contactos que travávamos. Mas para que serviriam esses contactos? Para nos ajudar um dia a arranjar um bom emprego? Ou para nos ajudar na nossa formação como pessoas? A pessoa não explicitou, mas eu cá adopto a segunda opção como a minha.
...

Um dia eu disse que se se escrevesse um livro sobre a Tina, teria forçosamente de ter este título: Calada não fico. Para aqueles que a conhecem bem, não é preciso explicar o porquê.
A Tina, uma mulher nos seus 30 e picos, que aos 29 anos - depois de estar 10 no mesmo emprego - decide fazer das tripas coração para estudar no Ensino Superior, é a verdadeira personificação da palavra "determinação". Vejo a sua determinação em tudo: ao entregar os trabalhos a tempo e horas, ao dissertar sobre a política externa dos países africanos na segunda metade do século XX com mais seriedade do que o Ministro da Economia, ao afirmar peremptoriamente que, embora tenha aderido às novas tecnologias dos chats e das sms, nunca se dobraria perante as abreviaturas simplistas e de utilizar a letra "K" e "X" em vez da letra "Q" "CH" e, acima de tudo, percepciono a sua determinação em relação às coisas que devem ser feitas, doa a quem doer.
No outro dia, a Tina disse-me que eu não a conhecia muito bem quando me perguntou o que ela fazia quando estava triste e eu não soube responder.
No entanto, para mim, conhecer bem uma pessoa não é enumerar. Não é dizer que a sua cor favorita é o azul, que o seu prato favorito é "Bacalhau Escondido", que o seu autor preferido é o Eça de Queiroz. Conhecer bem uma pessoa é saber exactamente o que lhe dizer quando ela está triste, quando está contente, quando a auto-estima está em baixo ou quando precisa urgentemente de rir.
Em mim, a Tina irá sempre encontrar a pessoa que a conhece da forma mais completa.

Ao virar de cada página

26.6.06
Em mais uma noite quente em Milão, detenho-me a pensar nas surpresas que nos aguardam ao virar de cada página. Ao longo do nosso percurso social, travamos conhecimento com tantas pessoas e cada uma delas tem um aspecto peculiar que as distingue.
Mas nem toda a gente consegue ser uma lufada de ar fresco na nossa vida.
Seja porque o seu sorriso parece mais verdadeiro do que os outros todos...seja porque me transmite calma e segurança...seja porque tem um talento especial...seja porque é candidamente bonito...a verdade é que conheci alguém assim e fico contente por ter a oportunidade de ser agraciada com estes pequenos presentes. Humanos.
É um prazer conhecer-te, Miguel.

John Locke - o meu "Lost" preferido

25.6.06

Lost - O fenómeno!

25.6.06


Sempre fui fascinada por cinema e pelo mundo dos actores.
Quem me conhece sabe que tenho uma memória extraordinária para nomes de actores, realizadores e filmes. Como se de uma base de dados se tratasse, diga-se.
Quanto a séries, nunca segui religiosamente nenhuma. Claro que via quase todos os episódios do Macgyver, mas quem não o fazia, no tempo em que havia só dois canais? No final das tardes de verão, espreitava sempre as Marés-Vivas e ainda via de vez em quando o Walker, o Ranger do Texas, porque me divertia com o Chuck Norris. No entanto, fidelização a uma série, nunca soube o que era.

Depois, chegaram as Desperate Housewives, das quais falarei mais tarde. E, ao mesmo tempo, na RTP1 chegou o Lost (Perdidos). ( Facto que é curioso, pois nos Estados Unidos as duas séries não são concorrentes, pertencem ambas à ABC e trouxeram milhões aos cofres da estação que estava quase na falência, pelo que dizem)
Nunca me despertou para ver, porque também não conheci ninguém que a visse e me recomendasse e, como não apanhei do início, nunca me sentei à frente da tv a tentar apanhar o fio à meada.
Entretanto saí do país e comecei a fazer download dos episódios das Desperate Housewives que, esses sim, seguia religiosamente.

Um certo dia, estava eu já em Milão e tendo eu já conhecimento da repercussão mundial do Lost (ganharam o Emmy e o Globo de Ouro de melhor série de drama), resolvi fazer o download do primeiríssimo episódio. Em Portugal a série já vai a meio da segunda temporada, portanto esta era a única forma de perceber a engrenagem da história.
Vi o primeiro episódio...e ao 5º minuto da série, eu percebi que não me podia ficar só pelo primeiro episódio. Felizmente, um amigo querido ofereceu-me em DVDs os 25 episódios da primeira temporada e...vi-os todos em dois ou três dias. Simplesmente não resistia em ver o que se ia passar a seguir.
Apercebi-me que nunca poderia ter visto esta série na televisão, pois não aguentaria passar uma semana à espera de saber o que se passaria no episódio seguinte. O meu amigo compreendeu a minha ânsia e ofereceu-me a segunda temporada (mais 25 episódios), que acabou de terminar nos Estados Unidos no final de Maio. Vejo uma série de episódios por dia, mas tento conter-me para não ver tudo de uma vez só, porque depois terei de ficar meses à espera da terceira temporada. O elenco retoma as gravações em Agosto e o primeiro episódio irá para o ar em meados de Setembro nos EUA.

Isto tudo para dizer o quê? Que é a melhor série de tv que vi na vida? Não quero ser tão taxativa. Mas esta série faz-me acreditar em génios. J.J.Abrams, o criador, e a sua equipa escrevem diálogos e textos fantásticos e a storyline é absolutamente extraordinária.
Só para dar um cheirinho: um avião despenha-se numa ilha deserta e temos 40 sobreviventes. No primeiro episódio, encontramos logo um líder natural, o médico Jack, e os protagonistas (mais de 10 personagens). Eles apercebem-se que a equipa de resgate não virá tão rapidamente quanto a isso e entendem que têm de agir como grupo se quiserem sobreviver. Os episódios apresentam paralelos entre a vida dos sobreviventes na ilha e os flashbacks das suas vidas antes do acidente. O ritmo acelerado dá-nos o dinamismo e a aceleração dos batimentos cardíacos e é por isso que todos adoram o Lost.
É uma série, acima de tudo, sobre as relações interpessoais. Sobre a confiança no outro ser humano. Sobre as lutas pessoais. Sobre o acreditar. Sobre a amizade.
Eu adoro o Lost e queria partilhar isto convosco.

E Tina, nunca te perdoarei por não me teres falado do Lost. Tu vias a série desde o início e nunca me falaste dela. Querias guardar este mundo fantástico só para ti, era?:)


Veneza, a jóia da Europa

25.6.06

Veneza é daquelas cidades que se ama e não é preciso explicar porquê.
O ambiente, a musicalidade, os passos das pessoas que as visitam, o som da água, todos estes elementos se conjugam numa dança perfeita, fazendo de Veneza uma das cidades mais carismáticas do mundo.
Tem muitos turistas, é verdade, mas ninguém tira o brilho à cidade que, por sua vez, se impõe. Sozinha.
É impossível não sorrir enquanto passeamos pela Piazza San Marco, uma grandiosa praça com os cafés mais caros que podemos imaginar ou, por sua vez, nas ruelazinhas estreitas ligadas por pontes e separadas por canais. Veneza absorve-nos na sua atmosfera misteriosa, como uma menina ansiosa para revelar os seus segredos.
As más línguas tentam embaciar o seu esplendor, dizendo que está a afundar. Mas como diria o bom Veneziano que conheci isso são apenas "Boatos. Veneza afundará quando você tiver 140 anos e eu 180. Portanto, nenhum de nós vai estar cá para ver." Assim espero.
E tal como palavras não bastam para explicar por que razão Veneza é a jóia da Europa, deixo aqui algumas imagens, recolhidas nas duas vezes que a visitei. (em Abril e Junho de 2006)
A presto, Venezia.

Vista de um restaurante

Os Gondolieri à espera de clientes

Piazza San Marco - Eu e a Mikki

Leonardo da Vinci

Piazza San Marco

Stazione Santa Lucia
Táxi
Numa das dezenas de pontes
Vista da Ponte de Rialto (a mais famosa)
Máscaras
Uma praça linda
Gôndolas
Eu, na Ponte de Rialto
Um teatro que foi incendiado há alguns anos.
Ironicamente, tem como nome "A Fénix".
Uma gôndola vista de cima

A Vergonha

20.6.06
A vergonha é um dos sentimentos mais castradores que o homem pode - perdoem a redundância - sentir. Digo "castrador" porque à custa da vergonha, deixamos escapar oportunidades, deixamos de dizer coisas que são importantes de serem ditas, deixamos de chorar, deixamos de rir...A vergonha, no entanto, também nos permite dar um passo em frente para sairmos da mediocridade.
Hoje tenho vergonha de algumas coisas. Particularmente, porque não escrevo neste blog há dois meses. Tenho vergonha de não organizar bem o meu tempo, de não ser disciplinada. Vergonha de me esconder sempre atrás da desculpa de que sou uma pessoa espontânea e livre e, por essa razão, achar que as regras do bom funcionamento dos gestores do tempo não se aplicam a mim.
Tretas.
Assim desculpo-me publicamente e assumo o meu compromisso de lutar contra este meu defeito. Vós sois testemunhas.

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