menu-topo

A Voz está a silenciar-se

28.7.06


Existem momentos que nunca esquecemos.
Momentos que nos perseguem, não como um cão enfurecido que corre atrás de nós para nos morder, mas momentos que nos perseguem como o perfume de uma mulher charmosa a persegue quando passa na rua...o rastro que ela deixa, com o seu odor...é desse tipo de perseguição que estou a falar.
Não esquecemos o nosso primeiro beijo, o nosso primeiro amigo, o nosso primeiro dia de trabalho ou de faculdade, o nosso primeiro concerto...

Foi em 1998, mas recordo vividamente como se tivesse sido hoje à hora de almoço.
Estava no estádio de Alvalade, com os meus 14 anos e no cartaz figurava a Miss Whitney Houston.
Era uma Whitney que tinha feito parte da minha infância musical (uma das poucas excepções que o meu pai anti-americanista gostava).
As suas canções foram cobaias das minhas primeiras experiências com a língua inglesa. Lembro-me de ter uns 8, 9 anos e tirar a letra do "Greatest love of all" consoante os sons. Saiu algo assim do género: "Ai biliv de tchildren ar aur fitchure, titch dem uel end letdem lid da uei..." (" I believe the children are our future, teach them well and let them lead the way") A verdade é que ao ouvido de leigos, eu parecia uma menina-prodígio dotada de um dom natural para as línguas.:)
Era uma Whitney Houston que no início da década de 90 tinha estado no auge da sua carreira, principalmente em 1993/4, quando experimentou o cinema com o famosíssimo "O guarda-costas", onde contracenou com Kevin Costner. O hit "I will always love you" é considerado ainda hoje - 12 anos depois - o maior hino ao amor e todas as "newcomers" ou "wannabe" cantoras não perdem uma oportunidade de cantar essa música, ficando-se no entanto muito aquém da pessoa que a imortalizou. Normalmente é ao cantar essa música que as pessoas desistem de ser cantoras.

No entanto, depois de 1994 "A VOZ" (cognome no masculino aplicado a Frank Sinatra, mas no feminino à nossa Whitney) silenciou-se durante alguns anos. Casou-se com um homem um tanto quanto suspeito, Bobby Brown, e teve uma filha. Em 1998 regressa ao microfone e passa por Lisboa no dia 4 de Julho de 1998, em plena EXPO 98.

Voltando ao início da conversa, há momentos que nunca se esquecem.
Eu levarei comigo, para onde quer que vá quando chegar a minha hora, os sentimentos que se apoderaram de mim quando ouvi o seu timbre pela primeira vez ao vivo. O palco estava às escuras, estávamos eternamente à espera (eu estava à espera desde que nasci) e então...veio o céu.
Ouvimos uma voz, que não estava ainda em palco, e cantava assim:
"Whatever you want, whatever you need
Anything you want done baby
I'll do it naturally..."
Então, entra em palco e canta:
"'Cause I'm every woman, It's all in me..."
Se o céu for metade do maravilhoso que aquilo foi, já me dou por muito feliz.

Infelizmente, nestes últimos anos o rouxinol não tem brilhado muito...Não por causa do advento de outras divas, como Mariahs, Celines, Beyonces...não, porque ninguém lhe faz frente. A grande diva afundou-se de tal forma no mundo negro do crack e heroína que não consegue recuperar. As fotografias falam por si próprias e questiono-me se será assim que ela irá acabar. Há algumas semanas a polícia fez uma rusga à sua casa e encontrou vestígios de material utilizado na toma de drogas e o tablóide "The Sun" publicou as fotos...medonhas. Sinto-me triste por ela, porque apreciando o seu talento, é uma pena que as coisas tenham tomado este rumo.
Por que escrevi este post? Não tem nenhuma intenção moralista nem de gossip...só quero partilhar a minha preocupação e aguardar por um futuro melhor para a Miss Whitney Houston.
Nota: E para aqueles que pensam que esta cantora tem " rivais " à altura em termos vocais...oiçam-na a cantar "I will always love you" ao vivo e depois conversamos.:)

A minha música preferida

11.7.06
Este é um tema de que todos gostam de falar mas de que todos fogem.
98 % das pessoas que conheço dão sempre a mesma desculpa: "Ihhh, tenho tantas músicas de que gosto. É impossível citar uma só!"
Obviamente, ao longo de uma vida, existem certamente dezenas de canções que nos tocam de uma forma especial: uma porque foi a banda sonora do nosso primeiro beijo, outra porque estava a tocar no dia em que recebemos uma boa notícia, outra porque vimos um concerto ao vivo do nosso cantor preferido e aquela canção em particular foi muito bem cantada...E depois, há aquela canção que consideramos o hino das nossas vidas, ou porque artisticamente é de grande qualidade, ou porque simplesmente gostamos sem dar grandes explicações. Como se fosse uma química sem fórmulas. Gostamos e pronto. Seja como for, não sei porque a maior parte das pessoas não tem na ponta da língua as suas músicas preferidas.

Quanto a mim, uma pessoa que nasceu no meio da música, que a respira desde que nasceu, este tema é vital. Há cantores que adoro, canções que amo...há as "canções do momento", em que durante um mês não oiço mais nada: este mês deu-me para ouvir Kid Abelha, uma banda brasileira que já conta com 20 anos de carreira...E são mesmo fantásticos. Ando todo o dia a cantarolar "A Fórmula do amor" , "Como eu quero" ou "Os outros".

Mas, por outro lado, temos as "canções intemporais". Aquelas que gostamos para sempre e das quais nunca enjoamos.
Ora, eu tenho uma assim. Lembro-me de no ano de 1995 passar na novela "A Próxima Vítima", era o tema das personagens do Alexandre Borges e da Cláudia Ohana e eu via a novela na ânsia de ouvir mais um bocado dessa canção divinal. Só no ano de 1999 consegui gravar essa música que ouvi passar na rádio, em 2002 consegui sacar da net a versão em MP3 e hoje, Julho de 2006, consegui arranjar uma actuação ao vivo da mesma.

É cantada por Terence Trent d'Arby, que há uns anos mudou o nome para Sananda Maitreya.
Deixo aqui a letra e o vídeo. Porque é importante partilhar.


I left the east side for a west coast beauty
a girl who burned my thoughts like kisses
she was down by street decree
she swore she'd pull my best years out of me
fat painted lips on a life wire beauty
a tangerine girl with tambourine eyes
her face was my favorite magazine
her body was my favorite book to read

they say that all poets must have an unrequited love
as all lovers must have thought provokating fears
but holding on to you means letting go of pain
means letting go of tears
means letting go of rain
means letting go of whats not real
holding on to you

i left the rough side for a seaside baby
a chamomile smile that pouts on cue
for every moment i breath her sigh
her bosom contains my sweet alibi
in an emotional mist, she breathes in fog
and braethes it out as garden flowers
why me of all the tough talking boys ?
i guess she heard my heartbeat through the noise

they say that all poets must have an unrequited love
as all lovers must have thought provokating fears
but holding on to you means letting go of pain
means letting go of tears
means letting go of rain
holding on to you
means letting sorrows heal
means letting go of whats not real
holding on to you

i left the east side for a west coast beauty
a girl who burned my thoughts like kisses
she was down by street decree
she swore she'd pull my best years out of me
fat wet lips on a sea salt canvas
goodbye Picasso, hello Dali
the soil is fertile where her footsteps trod
she's my religion, she's all i've got

they say that all poets must have an unrequited love
as all lovers must have thought provokating fears
but holding on to you means letting go of pain
means letting go of tears
means letting go of rain
holding on to you
means letting sorrows heal
it means letting go

É a minha música preferida porque não a associo a nenhum espaço ou momento no tempo ou nenhuma sensação. Gosto dela porque musicalmente é perfeita.

AddThis