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Vazio

23.6.08
Não consigo encontrar nada de interessante ou pertinente para escrever.
Sei que parece injusto e até ingrato de alguma forma, mas ter um namorado torna-me uma pessoa menos interessante. Não leio quase nada, não vejo bons filmes, não saio muito, não vou a museus nem exposições, não convivo com muitos amigos.
É bom ter alguém, mas é tão importante termos o nosso espaço, aquele pedaço de mundo a que podemos chamar de "nosso".
Agora trata-se de um período muito particular, porque daqui a poucos meses parto para o Brasil e obviamente quero aproveitar todos os pequenos momentos perto do M., tornar estas últimas semanas inesquecíveis. Mas sinto alguma esperança e alívio de saber que vou para São Paulo, uma cidade muito rica culturalmente, e ali estarei sozinha e posso dedicar-me a todas as coisas que me dão muito prazer: passar horas em livrarias, ir ao cinema, sair à noite, ir a festas, viajar aos fins-de-semana sem horários e sem preocupações. Acho que vai correr bem.

Por estas e por outras que adoro o Google...

21.6.08

*A propósito do início do Verão.

Tenho muita muita vergonha...

18.6.08
...mas eu nunca vi "E tudo o vento levou".

Amizade no escritório....é possível?

17.6.08
E disseram-me: "Rafa, mete uma coisa na tua cabeça: no trabalho não há amigos, há só colegas".


Desde que comecei nesta nova empresa, em Março, houve pessoas com quem me dei bem imediatamente. Sou daquele tipo de pessoas que se dá facilmente com homens ou mulheres, sou totalmente bissexual nas amizades. Mas o Paolo impressionou-me desde logo. Começámos a trabalhar aqui no mesmo dia. Tem 32 anos, viveu na California, faz-me rir muito sem se esforçar para isso, tem um MBA, é culto e sensato. Aos poucos começámos a partilhar gostos e almoços e momentos. Até ao dia em que ele passou de meu colega e companheiro a meu superior, há cerca de três semanas. Inicialmente encarava a sua frieza como falta de tempo para conversar e brincar. Tinha novas funções e tal, devia habituar-se à gestão de outras pessoas, coitado, tantas novas responsabilidades. Depois houve o jantar da empresa e ouvi-o a comentar com uma colega de outro departamento "tive de mudar a minha atitude, não é fácil gerir outras pessoas, etc" e aquilo caiu-me mal. Então ontem decidi falar com ele e perguntei-lhe muito subtilmente se eu devia habituar-me à ideia e conformar-me com o facto de perder um amigo e ganhar um novo chefe. Ele respondeu-me, num tom muito profissional, que tem de motivar os seus subordinados e andou ali à volta do assunto sem me dizer o que eu queria ouvir: "Que jeeeito! Tu és fantástica, nunca vamos deixar de ser amigos".
Voltei resignada para a minha secretária mas passadas duas horas voltei à carga, desta vez no chat, que é o meio de comunicação preferido de nós, cobardolas insistentes:
- "Temo que não tenhas entendido a minha pergunta de há pouco. Queria dizer (a título pessoal) que lamentava como a mudança de papéis se reflectia na relação que tínhamos: dantes, falávamos de todas as merdas, de filmes, de música, viagens, desabafos, queixinhas e agora receio que não haja espaço para este tipo de relação"
- "Claro que entendi e há ainda espaço para essa relação. Mas estou a tentar com que faças boa figura junto dos superiores, por isso ando a distrair-te pouco".
Acabei por sorrir com dois pontos e um parêntesis, respirando silenciosamente de alívio.


Actualização
No final do dia escreveu-me dizendo:
- Acho que vamos voltar a ser amigos. Vão transferir-me para outra posição e já não serei teu superior.
- Welcome back!

Down Under

17.6.08

Há poucos dias reencontrei uma canção que não ouvia há muito tempo e que sempre adorei. Down Under dos Men at Work - cuja letra sempre me custou a perceber - é uma canção que me deixa bem disposta. Há muitos anos a Sic fazia semanalmente especiais das top-models (aquelas verdadeiras, de carne e osso, que vestiam 38 - tipo Schiffer, Evangelista, Campbell e a mais magnífica de todas elas a Elle Mcpherson) e lembro-me quando foi o especial desta australiana a quem apelidam de "The Body", tinha como música de fundo "Down Under" (como é conhecida a Austrália na gíria em inglês).

Para muita pena minha...

5.6.08

...não fui arrebatada pelo filme Sex and the City, ou melhor, I didn't get carried away, como dizia o slogan.

É triste e algo curioso, visto eu ser uma grande apreciadora da série e saber todos os episódios de cor e salteado. Adoro os textos: as piadas, as reflexões, as tiradas, as perguntas retóricas, as frases e jogos de palavras que me trazem a lágrima ao olho pelo sentido de oportunidade com que são mencionados.

Obviamente e tal como meio mundo estava ansiosa-curiosa-expectante para ver finalmente o filme. Fui ver no sábado e só hoje, quinta-feira, consigo exprimir o que quer que seja. Sei que quando acabei de ver o filme, escrevi a seguinte mensagem no meu telemóvel "Quero ter a certeza de que se um dia for abandonada no altar, terei amigas que me devolvam a vontade de viver e me dêem comida à boca". Não cheguei a mandar para ninguém.

O filme tocou-me e provocou-me algumas lágrimas, porque emociona-me a força e o poder da amizade...é algo que nunca passa de moda e que funciona bem em ficção...e principalmente na vida real.

Porque não me arrebatou o filme? Porque, ao contrário da série, era pouco realista e demasiado exagerado. Ok, ok, o realizador avisou logo que tinha como objectivo deixar o telespectador sem fôlego, sem tempo para respirar ou recompor-se da cena anterior. Mas exagerou na dose. Não foi o exagerar nas roupas luxuosíssimas, nas piadas previsíveis ou na quantidade de eventos por minuto.

Na minha opinião a cena menos bem conseguida foi aquela em que depois de ter sido abandonada no altar pelo homem com quem tinha estado ligada 10 anos, depois de meses e meses de sofrimento, a primeira vez que viu o Mr. Big, saltou-lhe para o colo e beijou-o como se não houvesse amanhã. E depois ele pega no sapato e pede-lhe em casamento? Fartei-me de chorar....porque ela aceitou! Ela nunca podia ter aceitado tão rapidamente, assim sem nenhum brio, nenhum amor próprio...sem luta. Depois de anos e anos a elogiar a construção do personagem de Carrie Bradshaw, pelas suas imperfeições e pela sua genuinidade, só aí percebi...a Carrie é mesmo apenas ficção.

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