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A questão que me assombra há semanas...

22.12.08

Será possível ser-se amiga de um ex-namorado?

Rendo-me aos Australianos

22.12.08

O.J. Simpson e a justiça

21.12.08

Um dos meus dois traumas de infância em termos de comunicação social foi o caso O.J. Simpson já no longínquo ano de 1994. (o outro caso foi a morte do Carlos Paião, mas isso fica para mais tarde)
Tinha 11 anos mas lembro-me vividamente do caso. Separa-se da mulher, uma loira lindíssima, que por sua vez alega como motivo do divórcio a agressividade do marido. Passado algum tempo, ela aparece morta em casa junto a um "amigo". Ora bem, a casa estava cheia de velas acesas como se quer numa noite romântica, portanto não me convence que fosse apenas "amigo".
Começa a longa história de O.J. Simpson com a lei. Ele, um homem bonito, bem-sucedido, o primeiro negro da história do futebol americano que a América amou, como podia ser capaz de um crime tão cruel? Resultado: foi absolvido. O crime? Todos, TODOS, sabem que foi ele que o cometeu, era mais do que lógico. Não se foi feita justiça porque a paz era mais importante. Era importante mostrar ao país que os negros não são sempre os culpados e que também podem ser favorecidos. Lembro-me de ser uma criança e de em casa falarmos do caso e parecia-me tão ilógico absolver uma pessoa que todos sabiam ser a culpada. Hoje aos 25 anos percebi que foi absolvido para poupar aos EUA uma grande guerra de brancos contra negros.

Há cerca de duas semanas, O.J. Simpson foi preso.
Foi condenado a 15 anos de prisão por invasão de propriedade e roubo à mão armada. Roubou artigos desportivos a um coleccionador juntamente com um grupo que organizara para o efeito.
O juíz que o condenou realçou o facto que ele estava a ser julgado por este crime em particular e que não era uma espécie de paga por "eventuais crimes do passado".
Mandei logo uma mensagem para o meu pai a comentar sobre a prisão do O.J. Simpson ao que ele me responde secamente "Paga agora pelos dois crimes, finalmente se fez justiça".
Não, não se fez justiça. Eu e a minha estúpida curiosidade fomos à procura de informações sobre a noite do crime e dei de caras com imagens que me têm perseguido há semanas: o cadáver da mulher, à porta do apartamento dela, no qual tinham sido desferidas tantas facadas que a cabeça estava praticamente separada do corpo.
Acham que 15 anos é a paga pelos dois crimes? Não me parece. Nem 150 anos de prisão seriam suficientes para justiçar aquele homicídio.

Explico melhor...

17.12.08
Não é que eu deseje o afundamento da economia britânica, mas é que vou a Londres pelo fim-de-ano (yeahhh!!) que é só uma das capitais mais caras da Europa e estou muito contente porque posso comprar coisas quase ao mesmo preço do Euro.
Sim, às vezes o universo conspira a nosso favor! Cor do texto

A libra caiu!

17.12.08
Estou tão contente!!!!!
A libra neste exacto momento, 18.06 do dia 17 de Novembro de 2008 está a 0,92 Euro!
Fonte: Yahoo Finance

A Itália pertence ao 3º mundo?

12.12.08

Pois às vezes parece que sim.
Anteontem passou na televisão, na Rai Due, canal público, o premiadíssimo filme de Ang Lee, Brokeback Mountain. Ora, o filme ganhou um Leão de Ouro, 3 Óscares e 4 Globos de Ouro e é sem dúvida um filme polémico com interpretações extraordinariamente credíveis dos actores que o protagonizam, tendo mesmo "amolecido" alguns - odeio a palavra homofóbico, por isso escolho antes o eufemismo - "resistentes à homossexualidade" que conheço.
E na televisão quando o filme passou às 22h algumas das cenas mais importantes de intimidade entre os dois protagonistas foram pura e simplesmente cortadas. Como a censura dos anos 50.
Levantaram-se imediatamente as vozes de protesto e houve até mesmo um tal de Luxuria, que é tipo um ex-político, agora vencedor da Ilha dos Famosos, e transexual que afirmou: "Mostrar o filme sem aquelas cenas é a mesma coisa do que exibir a Mona Lisa sem a cabeça".
Para mim, uma mera espectadora estrangeira, acho uma grande hipocrisia e dá-me uma raiva tremenda este tipo de situações, porque às 20h da noite quando os miúdos estão a ver televisão aparecem mulheres nuas nos concursos e vários programas italianos, com o silicone a saltar dos lábios e do peito e com o fio dental à mostra. Mas pelos vistos isto não é inadequado para ninguém. Só mesmo para mim.

Leva o cão para o trabalho

12.12.08

Uma coisa que sempre considerei surpreendente aqui em Milão é a forma como as pessoas levam os animais para todo o lado: restaurantes, supermercados e até à ZARA. No início tinha medo que se atirassem a mim e me mordessem enquanto experimentava sapatos ou escolhia alfaces. Depois habituei-me à coisa porque percebi que se as pessoas os levavam para sítios com tanta gente (a Zara da Via Torino de Milão está sempre cheia como o metro em hora de ponta) era porque se tratavam de cães civilizados ou então têm sempre um açaime à mão.
Mas hoje espantei-me quando soube que existe já um site nos Estados Unidos, mais precisamente um motor de busca para procurar emprego, somente em empresas "dog-friendly" que deixem um funcionário levar os animaizinhos atrás para o escritório.

Deu-me vontade de rir.


Do mundo e arredores

4.12.08
...hoje reproduzi esta piada em italiano "mondo e dintorni" e ninguém me compreendeu. Helloooo!

Ode ao Djavan, ao Brasil e às novelas da Globo

2.12.08


Agora que sou uma senhora de 25 anos, muitas das minhas frases começam por "há 7 anos estava eu a ...", "no Verão de 1997...epa, isso foi há 11 anos, oh meu Deus, oh meu Deus", , "eu e ela conhecemo-nos desde os 9 anos...ou seja, há 16 anos". Infelizmente não sempre se adequa o "getting older and wiser" embora no meu caso queira muito acreditar que sim.
Mais velha com certeza, mais sábia esperemos que sim. Uma certeza que me tranquiliza é que aumenta também a minha bagagem, seja cultural, seja de experiências e seguramente o baú de memórias vai enchendo.

Ora hoje de manhã lembrei-me do que me fez apaixonar pela música do Djavan, o meu cantor brasileiro preferido. A sério, façam o favor de ouvir qualquer coisinha se não o conhecem ainda.


Djavan é um cantor brasileiro de M.P.B (Música Popular Brasileira).
Considere-se que no português do Brasil o termo "popular" não tem uma conotação "pimba" como tem em português europeu. Aliás a MPB no Brasil é sinal de gente culta, com formação e acima de tudo bom gosto. Nesta categoria entram todos os grandes músicos: Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Betânia, João Bosco, Ana Carolina e tudo aquilo a que vocês pelo senso comum associam a música brasileira de qualidade. (Não, não entram Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Calcinha Preta e coisas do género)

E Djavan, da MPB, é um dos pais: não só canta maravilhosamente, como e, no meu dever de linguista, posso afirmar, ESCREVE e compõe divinalmente.

Contudo não é só gente culta e de classe alta que aprecia Djavan, mas também o povão. Porque Djavan ficou conhecido das grandes massas, inclusive do público português, porque em quase todas as novelas da Globo há sempre uma canção dele. Lembro-me que "Oceano" aparecia na telenovela Top Model, com o Nuno Leal Maia e uma Malu Mader ainda adolescente, lembro-me da perfeita "Meu bem querer" da telenovel homónima e tantas outras.

No entanto, o meu caminho cruzou-se com o do Djavan quando estávamos no ano de 1990 (sim, 18 anos atrás) e passava em horário nobre a "Rainha da Sucata" com todos os grandes actores da Globo: Regina Duarte, Tony Ramos, Gloria Menezes, Antonio Fagundes (era um professor desajeitado gago, lembram-se?) , Claudia Raia, uma engraçadíssima Aracy Balabanian que interpretou a inesquecível Dona Arménia que ameaçava "botá prédio na chon!!!!". A sério, quem não se lembra dela?

Ora o grande vilão desta novela sobre justiça e injustiça e a eterna luta entre pobres e ricos era um fantástico actor chamado Daniel Filho, que agora dedica-se à realização e ao teatro. O seu personagem era Renato Maia e aprontava das boas contra a pobre Regina Duarte. Tão mau, tão mau que a Dona Arménia dizia Cobra perto da Renato é bicha bom!!. (eu memorizei-o porque durante anos isto foi uma piada na nossa família)

Este personagem apesar de ser pior do que as cobras, tinha um hobbie: tocava trompete. Um dia, após uma das suas maldades, retirou-se para a sua casa de praia e perto do mar tocou uma melodia maravilhosa. Foi então que finalmente os meus ouvidos "ouviram música". Era uma música do Djavan que ele tocava e que até hoje é uma das minhas preferidas. Chama-se "Cigano" e associarei sempre ao Daniel Filho e ao ano de 1990.

Passaram-se 18 anos, eu tenho 25 e o Djavan continua a ser o meu músico de eleição.

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