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Mas que vergonha é esta?

24.8.09
Quer dizer...anda uma pessoa a viajar pelo mundo inteiro e, sendo algarvia, nunca meteu os pés em Tavira? Ainda por cima agora, que foi considerada uma das melhores praias do mundo?
Vou já tratar do assunto. Nos próximos dias vou estar neste hotelzinho muito bem acompanhada por 1 grande amiga e vou estar a passear ali no sotavento algarvio.

Surpresas

23.8.09


E eis que quando apareço à sua frente, noto uma lágrima gorda a deslizar por detrás dos seus enormes Armani...e outras copiaram-lhe o gesto logo a seguir.
Assim que me aproximei arrebatou-me num abraço que durou 1 minuto... (e 1 minuto na vida real é tanto!) E logo ela, que como a própria diz, "não é dessas merdas".
Aquelas lágrimas sussurraram-me ao coração tomaste a decisão certa.
E eu sorri.

Frases inesquecíveis *

21.8.09
They ain't tough enough, smart enough or fast enough. I can hit any bank I want, any time.
They got to be at every bank, all the time.

- Sorry about that fellow Barton...one who got killed at Sherone Apartments. Newspapers said you found him alive. It's the eyes, ain't it? They look at you right before they go. Then they drift into nothing. Keep you up nights.
- What keeps you up nights, Mr. Dillinger?
- Coffee.

- But I don't know anything about you.
- I like baseball, movies, good clothes, fast cars, whiskey, and you...
What else you need to know?

Bye-bye, blackbird.

O dia da maior odisseia de todas...

20.8.09
Manhã

Acordei muito cedo.
De manhã tinha de ir ao INPS, vulgo Segurança Social italiana, pedir uma declaração em como havia descontado cerca de 500 euros todos os meses para a Segurança Social...dinheiro esse que nunca mais vou ver na vida.
Depois quis comprar um souvenir antes de me ir embora, qualquer coisa para mim, visto que não fui a nenhuma loja durante os saldos milaneses e queria ir-me embora com uma coisa simbólica italiana. Fiquei-me por um par de óculos brancos da Armani. Giros.
Fui comprar também uma trolley azul turquesa na Carpisa. Saldos de 30%, nada mal.
Toda a manhã senti níveis de stress altíssimos, seja por a hora da partida estar a aproximar-se, seja porque a mala custava a fechar e ainda tinha coisas espalhadas pela secretária que não fazia ideia onde as iria enfiar. Além do stress tinha um amargo na boca, aquela sensação que não conseguimos identificar a 100%, seria medo, excitação, pontinha de arrependimento por ser tão impulsiva e espontânea? Também desestabilizada porque tinha recebido um e-mail do meu ex em que pedia para nunca mais o contactar e em que ameaçava apagar todo o meu blog através dos seus conhecimentos de hacker só porque não acatei ao seu pedido - que me tinha feito semanas antes - de apagar toda e qualquer referência à nossa história amorosa neste meu blog. Fez-me até uma lista num documento word, de várias páginas, com todas as palavras e frases e posts que requeria que eu apagasse para todo o sempre. Isto tudo acompanhado história do costume "ai que estou tão feliz com a minha nova namorada, que mora comigo aqui na Líbia, que é perfeita, e tem o 46 de soutien e é atlética e linda e que até já a apresentei aos meus pais de tanto que a amo, mas deixa-me lá passar 3 horas por dia no blog da minha ex, porque não tenho mais nada que fazer". Obviamente não é bonito receber e-mails do género. Na manhã da minha partida, dei o meu grande grito do Ipiranga quando, ao receber um segundo e-mail dele, certamente tão simpático como os outros, apaguei-o antes de o ler. Ponto para mim. Acabou-se, não quero mais que ele tenha esta influência nefasta sobre o meu humor e amor-próprio. Tenho de meter na cabeça que ele já não é a pessoa com quem vivi durante dois anos em Milão. No entanto, o amargo da boca ainda cá está. E receio que seja uma amargura numa área mais vasta do que na boca apenas.

Tarde

Peguei na mala que, segundo a minha balança digital e usando o método caseiro "pesar-me sozinha e depois pesar-me com a mala e ver a diferença de peso", vi que teria uns 5 kgs em excesso. Pensei "ok, não morro pelos 8 euros que custa cada kilo em excesso". Mal sabia eu que as companhias aéreas aumentam os preços a cada semana, e que agora cada kilo era 12 euros.
Peguei na mala nova cheiinha de coisas, mais a trolley pequena perfeita para bagagem de mão, mais a mala do portátil, mais a minha mala (ou seja "purse" - por que raio usamos a mesma palavra - mala - para dizer "purse" e "suitcase"??) e lá fui eu para o aeroporto.
Dirigi-me para o check-in e começou a aventura.
A minha mala grande tinha 25 kgs e a rapariga do check-in informou-me a melhor notícia dos últimos tempos:
- A Easyjet permite UMA SÓ bagagem de mão. Você tem 3 (a mala de mão, a trolley e a mala do portátil). Não lhe vão deixar passar nas portas de segurança.

Apesar das minhas tentativas para lhe explicar que não podia enfiar o portátil em mais nenhum lado, ela foi irredutível. Disse-me para colocar o portátil e a a mala-purse dentro do trolley pequeno, que este passava visto ter dimensões perfeitas.
Saí da fila.

Fiz uma grande ginástica e lá libertei algum espaço no trolley pequeno e meti coisas na mala grande. Sempre era melhor pagar peso em excesso do que ter de mandar 2 bagagens para o porão.

Voltei para a fila do check-in, desta vez, escolhi uma outra rapariga menos chata. Resultado: a minha mala grande estava inchadíssima, deitei fora a mala do portátil - não tinha mesmo sítio onde a enfiar - e coloquei o portátil dentro do meu trolley que levaria como bagagem de mão. Mas a mala-purse tinha-a à mesma na mão, pois não havia espaço em lado nenhum para as coisas que tinha lá dentro.

No check-in a rapariga viu que a mala grande tinha 26 kgs, mas escreveu só 5 kgs em excesso no recibo. Foi simpática. Fui pagar os 60 euros (12 euros x 5 kgs) e voltei ao check-in. Eu agradeci-lhe e lá fui eu com a minha trolley pequenina com muita lingerie e portátil e disco externo à mistura e a minha mala purse.

Cheguei ao controlo de segurança e estava lá a maior CABRA do universo:
- Não pode passar com estes dois volumes. Tem de colocar a mala dentro do trolley.
- Senhora, mas já tive de deitar fora a mala do portátil e colocá-lo cá dentro. É impossível, não cabe também a mala.
- Então não pode passar. Tem de mandar o trolley pelo porão.

Ainda tentei fazer outra dose de ginástica e enfiar a mala dentro do trolley mas era mesmo impossível. Voltei ao check-in, à mesma rapariga que me tinha feito o desconto de um kilinho.
Disse-lhe quase a chorar que queria matar todas as pessoas da Easyjet e depois suicidar-me a mim, mas acho que piadas relativas a homicídios no aeroporto não são muito bem-vindas, por isso corrigi logo com um "excepto a si, que é muito simpática".
E então, para pesar meu, dei-lhe a trolley para mandar para o porão. Vamos à parte da matemática, que isto vai ser engraçado. Ora, só pelo facto de termos uma bagagem adicional para mandar pagam-se 22 euros. Depois por cada quilo adicional, pagam-se os 12 euros. Ora, pesámos a trolley que tinha 12 kgs.
Eu teria de pagar: 22 euros (bagagem extra) + 12 euros x 12 kgs = 166 euros.
No recibo - porque no check-in nunca recebem dinheiro, temos de ir com o recibo ao balcão da Easyjet no centro do aeroporto para pagar - ela colocou somente 1 volume extra = 22 euros.
Eu olhei para ela e perguntei:
- Então e os kgs em excesso?
- Schhhhh... - e saudou-me com um sorriso cúmplice.
Fiquei emocionadíssima com o gesto e lá fui pagar os 22 euros em vez dos 166.
Depois voltei ao check-in para retirar o bilhete e agradeci à rapariga muito carinhosamente. Há pessoas assim. Fiquei a pensar quantas vezes já fui beneficiada por ser uma pessoa simpática - existe mesmo esta tendência para que os outros nos façam favores e nos ofereçam coisas, é extraordinário.

Passei pela CABRA dos controlos de segurança, agora só com a minha mala-purse - e tive de enfiar o meu portátil lá dentro porque não o quis mandar para o porão, mas a mala sendo pequena, metade do portátil estava de fora. Felizmente não implicou com isso e deixou-me a passar.

Só repetia para mim "Quando chegar a casa, vou jurar que é mentira".


Fim de Tarde

Cheguei a Lisboa no final da tarde e fiquei assustada com os 5000 posters sobre a Gripe A que decoravam o aeroporto de Lisboa. Em Itália, ninguém fala da Gripe A, é perfeitamente como se não existisse.
Esperei as malas, fui à Vodafone comprar um cartão para pôr no Blackberry e apanhei táxi para o Oriente, esperei duas horas - que usei de forma muito produtiva passeando-me pelo Vasco da Gama - pelo autocarro da Renex que me levaria para Portimão.
No autocarro, fiquei com o número de um dos lugares da frente, em que podia ter vista panorâmica sobre a estrada. A noite estava a cair e a lua cheia estava maravilhosa e linda.
Estava finalmente em casa.

O último dia

20.8.09

Contei baixinho 1, 2, 3 e respirei fundo.

Não era fácil, já passavam das 23h e tinha acabado de chegar de um jantar mexicano com a minha, agora, ex-roommate Holly. Ela mudara-se no fim-de-semana antes para um monolocale maravilhoso, com mobílias do Ikea por estrear, pertinho do Corso Buenos Aires. Para quem não era capaz de ir ao supermercado sozinha alguns meses antes, hoje mudar-se para um mini-apartamento e ir morar sozinha...parece-me um bom salto, não é? Depois de uma noite emocionante - que já se esperava - afinal morámos juntas 1 ano, ela esteve lá...em cada momento difícil meu e foi autora também das maiores gargalhadas que dei neste ano tão conturbado, é sempre difícil o conceito de "Adeus, vou mudar de país".
Ofereceu-me um postal...já vos disse que os ingleses adoram postais? É uma coisa parva, para qualquer eventozinho existe um postal. Na Inglaterra vendem-se postais como se fossem pastilhas elásticas, há-os por todo o lado e a preços ridiculamente baixos tipo 40 postais a 2 libras e coisas do género. Cá em Portugal acho que se perdeu a magia dos postais...nem no Natal os enviamos...
Voltando ao postal...as lágrimas foram inevitáveis. Impossível não fazer um balanço, pelo menos, daquele último ano, o ano em que partilhámos uma casa e uma vida.

As despedidas dos amigos do trabalho e do coração já tinham sido feitas, ao longo dos últimos dias, misturadas com muitas horas de trabalho com as traduções que ainda estava a fazer. A Holly foi a última pessoa com quem estive. Não houve um drama extraordinário em nenhuma destas ocasiões pois regresso a Milão para um casamento no início de Setembro, então esteve sempre presente esta ideia, que daqui a um mês revejo toda a gente. Ou pelo menos a gente que interessa.

Regressei a casa e tinha ainda o mais difícil por fazer. Arrumar e organizar as minhas gavetas. Já tinha enviado com a transportadora os meus 110 livros, os 60 dvds, os 30 e tal pares de sapatos (desfiz-me de alguns para bem da minha sanidade mental ao tentar enfiá-los todos numa mala enorme) e os meus 10 casacos compridos de Inverno. As coisas grandes tinham ido.
Faltavam as coisas pequenas...e por favor, não as ignoremos, porque dão mais trabalho do que as grandes. Sem dúvida nenhuma.
Abrir as gavetas foi por si só uma viagem ao mundo das recordações. Além das facturas, recibos verdes, recibos de vencimento, documentos de rendimentos, canetas que ia comprando, selos velhos sem validade, isqueiros que comprei na viagem a Paris há 2 anos - e desde aí prometera a mim mesma que nunca mais compraria souvenirs porque não servem absolutamente para nada, tinha tudo o resto: os postais dele, o dos vários aniversários e os de Natal. Abri-os e reli-os. Quis deitar fora. Tive receio de me arrepender, porque aquilo é a minha história. Guardei um e o outro escorregou-se-me da mão e no monte que se ia fazendo no chão ficou. Encontrei também os vários saquinhos com as várias dezenas de dólares que me tinham sobrado da viagem a Nova Iorque; outro com as libras das viagens a Londres; encontrei pastas com dezenas de postais e bilhetes de avião de todos os sítios que visitei nestes dois anos: Praga, Barcelona, Valencia, Madrid, Nova Iorque, Londres, Paris, Nice, Freiburg, Berlim, Ibiza, Sevilha, Veneza, Siena, etc. Isso e talões de compras, facturas de farmácia, tudo numa deliciosa e dolorosa confusão de lembranças, mas que ao mesmo tempo me afagava a alma e me dizia: Tu viveste bem.

Depois de ter escolhido o que queria deitar fora e o que queria guardar, organizei tudo em pastas e fui metendo na minha mala. Por volta das 3 acabei as arrumações e esvaziei todas as gavetas. Queria muito ter esvaziado a alma, mas essa estava mais cheia do que nunca.

Goodbye Party - parte II

3.8.09

E na quinta-feira lá houve festa. Memorável, no mínimo.
Cada um dos 250 euros para conseguir um espacinho no terraço do Bar Bianco valeu a pena. Porque consegui juntar todas as pessoas que foram mais importantes para mim durante a minha estada em Itália.
Agradeço à Dany, Silvia, Giorgia, Annamaria, Stefano, Holly, Fabrizio, Niccolò, Andrea, Diego, Elisa, Alessandra, Renée, Geny, Mareike, Domenico, aos amigos italo-portugueses Andreia, Moreno, Carla, Paulo e ao resto dos 50 convidados por terem tornado a noite alegre e inesquecível. Agradeço aos vários negroni sbagliati e mojitos por me terem dado a energia necessária para aguentar uma noite de festa depois de várias semanas de trabalho árduo. Agradeço ao universo pelo dom da amizade. Destas 50 pessoas, sei ter ali pelo menos, cinco, seis amigos...daqueles a sério, daqueles que durarão pelo menos, umas 10 vidas. E só por isso, só por eles, considero-me a pessoa mais afortunada do mundo.
Muito riso, muita dança, muito carinho, muitas lágrimas, muitos gritos de alegria, boa comida, muitas recordações...é possível ser feliz em Milão.
Regresso dia 6 de Agosto e tenho ainda de empacotar os mais de 100 livros, os tais 40 pares de sapatos, os 10 casacos compridos e os 60 dvds.
Será então tempo de encerrar este ciclo da minha vida. E começar um novo.



Nota: Hugo e Alessandra, senti a vossa falta. Mas vamos ver-nos em breve.

Momentos inesquecíveis #3

3.8.09

São 5:47

3.8.09
E acabei agora uma tradução.
Por estas e outras razões que me despedi do meu trabalho...para poder dedicar-me à tradução a tempo inteiro e não ter de fazer noitadas assim.
Estou cansada sim. Mas a sensação de alívio e curiosidade relativamente a uma nova era que está para começar deixam-me feliz.


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