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Ter blog ou não ter

27.9.09
Não, não abandonei o meu blog.
Mas no outro dia uma pessoa que me é próxima disse-me que quem tem blogs são uns descompensados...e aquilo tem boicotado a minha inspiração ou vontade de escrever.

Além disso, graças ao meu inato defeito de pouca capacidade de contra-argumentação - razão pela qual nunca poderia ser advogada - não soube responder à letra e dizer que descompensadas são as pessoas que metem fotos semi-nuas no Hi5 e que não sabem escrever português devido às horas que passam nos mais variados chats a conversar com gente burra e que só escreve "mx, pukê, muninu" e depois desaprendem o português da vida real. Isso sim são descompensados. E idiotas.

Foi com ele...

15.9.09



...a primeira vez que associei o conceito de "sexy" a alguém.

Foi a primeira vez que olhei um homem não como um adulto que nos oferece rebuçados, mas como um adulto com quem eu podia casar. Tinha 8 ou 9 anos e tinha visto o Dirty Dancing pela primeira vez.

Tinha-o gravado e via todos os santos dias, sabendo de cor todas as falas do filme. Até o Ken que a minha mãe me tinha comprado, eu fingia que era o Johnny Castle e fazia-o dançar com a Barbie na água e fazer aqueles saltos que ele fazia com a Baby.

Lembro-me que a minha mãe não percebia, porque dizia-me sempre que ele era muito feio, que não entendia como eu gostava dele. Eu, na minha sabedoria dos 9 anos dizia-lhe:
"um homem sexy não tem de ser bonito".

Hoje, o homem que fazia as mulheres dizer "Eu trouxe uma melancia" morreu.

Ode a Milão

11.9.09
Não cumpri o que a Andorinha me aconselhou: "nunca voltes ao sítio onde foste feliz". Não porque não quisesse ou não concordasse, mas porque tive de voltar para o casamento de uma amiga italiana muito especial - o primeiro casamento de amigos a que vou na minha vida.
Depois de ter deixado Milão há sensivelmente um mês, ontem regressei.
Já no aeroporto, todos me faziam perguntas sobre a cidade e pediam-me direcções, às quais eu respondia prontamente e sem hesitação. Senti que morava ainda ali. Que é como nunca tivesse partido.

A minha antiga senhoria deixou-me ficar no apartamento onde vivi nos últimos 2 anos. Regressei ao meu quarto, agora vazio, de objectos e de qualquer vestígio de alma e não posso descrever a estranheza que senti. Mas dormi...em paz.

A coisa mais interessante de todas é que tinha sempre receio - e foi um dos motivos que me fez decidir vir embora - que ficando em Milão, ficaria presa às memórias de uma relação falhada e de uma pessoa que durante grande parte do tempo foi a minha principal referência nesta cidade. Ontem percebi que não.

Sentada no shuttle com direcção a Milão, só me lembrava das coisas boas que aquela cidade me ofereceu: os panzerotti do Luini, andar de bicicleta no Parco Sempione, as noitadas na La Banque, jantares às 4 da manhã de pasta al forno com os amigos, ainda atordoados pelo gin e pelas horas passadas a dançar, da cioccolata calda al peperoncino do Choco Cult, das noites fabulosas no Blue Note, as centenas de saídas com os colegas de trabalho, as imitações dos colegas, as amizades grandes com a Andreia, Hugo, Alessandra, Renée, e os amigos de one-night-stand, das noites de verão no terraço do Hotel Cavalieri em Missori, de entrar no E-Dreams e pensar "então, para onde é que vou viajar no próximo fim-de-semana", das aulas de Português com o Michele na Mondadori do Duomo, das noitadas com a Holly a beber vinho e a rir como perdidas e a reproduzir - fielmente - cenas de Friends...lembrei-me destas coisas. E aí percebi: os melhores momentos que passei nesta cidade, não estão em nenhum momento relacionados com ele. Milão tem uma memória própria, uma vida própria. Gosto desta cidade e vou regressar sempre que puder, visto que não sou uma turista. Sou da casa.

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