Não, não abandonei o meu blog.
Mas no outro dia uma pessoa que me é próxima disse-me que quem tem blogs são uns descompensados...e aquilo tem boicotado a minha inspiração ou vontade de escrever.
Além disso, graças ao meu inato defeito de pouca capacidade de contra-argumentação - razão pela qual nunca poderia ser advogada - não soube responder à letra e dizer que descompensadas são as pessoas que metem fotos semi-nuas no Hi5 e que não sabem escrever português devido às horas que passam nos mais variados chats a conversar com gente burra e que só escreve "mx, pukê, muninu" e depois desaprendem o português da vida real. Isso sim são descompensados. E idiotas.
Foi com ele...
15.9.09



...a primeira vez que associei o conceito de "sexy" a alguém.
Foi a primeira vez que olhei um homem não como um adulto que nos oferece rebuçados, mas como um adulto com quem eu podia casar. Tinha 8 ou 9 anos e tinha visto o Dirty Dancing pela primeira vez.
Tinha-o gravado e via todos os santos dias, sabendo de cor todas as falas do filme. Até o Ken que a minha mãe me tinha comprado, eu fingia que era o Johnny Castle e fazia-o dançar com a Barbie na água e fazer aqueles saltos que ele fazia com a Baby.
Lembro-me que a minha mãe não percebia, porque dizia-me sempre que ele era muito feio, que não entendia como eu gostava dele. Eu, na minha sabedoria dos 9 anos dizia-lhe:
"um homem sexy não tem de ser bonito".
Hoje, o homem que fazia as mulheres dizer "Eu trouxe uma melancia" morreu.
Ode a Milão
11.9.09
Não cumpri o que a Andorinha me aconselhou: "nunca voltes ao sítio onde foste feliz". Não porque não quisesse ou não concordasse, mas porque tive de voltar para o casamento de uma amiga italiana muito especial - o primeiro casamento de amigos a que vou na minha vida.
Depois de ter deixado Milão há sensivelmente um mês, ontem regressei.
Já no aeroporto, todos me faziam perguntas sobre a cidade e pediam-me direcções, às quais eu respondia prontamente e sem hesitação. Senti que morava ainda ali. Que é como nunca tivesse partido.
A minha antiga senhoria deixou-me ficar no apartamento onde vivi nos últimos 2 anos. Regressei ao meu quarto, agora vazio, de objectos e de qualquer vestígio de alma e não posso descrever a estranheza que senti. Mas dormi...em paz.
A coisa mais interessante de todas é que tinha sempre receio - e foi um dos motivos que me fez decidir vir embora - que ficando em Milão, ficaria presa às memórias de uma relação falhada e de uma pessoa que durante grande parte do tempo foi a minha principal referência nesta cidade. Ontem percebi que não.
Sentada no shuttle com direcção a Milão, só me lembrava das coisas boas que aquela cidade me ofereceu: os panzerotti do Luini, andar de bicicleta no Parco Sempione, as noitadas na La Banque, jantares às 4 da manhã de pasta al forno com os amigos, ainda atordoados pelo gin e pelas horas passadas a dançar, da cioccolata calda al peperoncino do Choco Cult, das noites fabulosas no Blue Note, as centenas de saídas com os colegas de trabalho, as imitações dos colegas, as amizades grandes com a Andreia, Hugo, Alessandra, Renée, e os amigos de one-night-stand, das noites de verão no terraço do Hotel Cavalieri em Missori, de entrar no E-Dreams e pensar "então, para onde é que vou viajar no próximo fim-de-semana", das aulas de Português com o Michele na Mondadori do Duomo, das noitadas com a Holly a beber vinho e a rir como perdidas e a reproduzir - fielmente - cenas de Friends...lembrei-me destas coisas. E aí percebi: os melhores momentos que passei nesta cidade, não estão em nenhum momento relacionados com ele. Milão tem uma memória própria, uma vida própria. Gosto desta cidade e vou regressar sempre que puder, visto que não sou uma turista. Sou da casa.
Depois de ter deixado Milão há sensivelmente um mês, ontem regressei.
Já no aeroporto, todos me faziam perguntas sobre a cidade e pediam-me direcções, às quais eu respondia prontamente e sem hesitação. Senti que morava ainda ali. Que é como nunca tivesse partido.
A minha antiga senhoria deixou-me ficar no apartamento onde vivi nos últimos 2 anos. Regressei ao meu quarto, agora vazio, de objectos e de qualquer vestígio de alma e não posso descrever a estranheza que senti. Mas dormi...em paz.
A coisa mais interessante de todas é que tinha sempre receio - e foi um dos motivos que me fez decidir vir embora - que ficando em Milão, ficaria presa às memórias de uma relação falhada e de uma pessoa que durante grande parte do tempo foi a minha principal referência nesta cidade. Ontem percebi que não.
Sentada no shuttle com direcção a Milão, só me lembrava das coisas boas que aquela cidade me ofereceu: os panzerotti do Luini, andar de bicicleta no Parco Sempione, as noitadas na La Banque, jantares às 4 da manhã de pasta al forno com os amigos, ainda atordoados pelo gin e pelas horas passadas a dançar, da cioccolata calda al peperoncino do Choco Cult, das noites fabulosas no Blue Note, as centenas de saídas com os colegas de trabalho, as imitações dos colegas, as amizades grandes com a Andreia, Hugo, Alessandra, Renée, e os amigos de one-night-stand, das noites de verão no terraço do Hotel Cavalieri em Missori, de entrar no E-Dreams e pensar "então, para onde é que vou viajar no próximo fim-de-semana", das aulas de Português com o Michele na Mondadori do Duomo, das noitadas com a Holly a beber vinho e a rir como perdidas e a reproduzir - fielmente - cenas de Friends...lembrei-me destas coisas. E aí percebi: os melhores momentos que passei nesta cidade, não estão em nenhum momento relacionados com ele. Milão tem uma memória própria, uma vida própria. Gosto desta cidade e vou regressar sempre que puder, visto que não sou uma turista. Sou da casa.
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