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I should have known better

30.10.09



É claro que viajar é extraordinário e que há poucas coisas melhores do que uma viagem romântica com o nosso namorado ou namorada. O descobrir a cidade, o de saber que para o resto da vida associaremos aquela cidade a bons momentos passados a dois.
O pior é quando a relação acaba...e temos alguns milhares de fotos de cidades e lugares maravilhosos - com ele!! - e não olhamos para elas só para não vermos aquele rosto, nem para nos lembrarmos daqueles momentos.
Falo por mim que guardei, bem escondidinhas no meu disco externo, numa pasta chamada Passado, fotos absolutamente maravilhosas de Bruxelas, Nova Iorque, Praga, Barcelona, Sevilha, Porto, Lisboa, Valencia, Ibiza, Friburgo, Londres, Zurique, Ilha de Elba, Bolonha, Juan-les-Pins.
Safam-se Berlim, Paris, as segundas viagens a Londres e Barcelona, Madrid, Roma, Nápoles, Veneza, às quais fui sozinha ou com amigos.

Para a próxima já sei:
nunca tirar fotos abraçada a nenhum homem e insistir para ficar sempre sozinha nas fotos. Assim será mais fácil mandar para a reciclagem aquelas que não nos interessam.

Only for translators

29.10.09


Alegria maior não há quando chegamos às 2 da manhã, depois de estar a trabalhar há cerca de 10 horas, e nos deparamos com um ficheiro 4180 palavras para fazer ainda antes de dormir.
Mas ao fazermos uma análise rápida com o Trados...temos a feliz surpresa que afinal trata-se da tradução efectiva de apenas 1658 palavras, em vez das 4180.
Razão para dizer...

I LOVE TRADOS!

Quantas vidas cabem numa vida?

27.10.09

Há oito anos e 20 Kgs atrás mudava-me para Leiria, numa altura em que me despedia dos meus 17 anos e abraçava a maioridade.
Sob a desconfiança dos meus pais e com uma simpática média de secundário de 16 valores, que me permitia entrar praticamente no curso humanístico que desejasse, decidi inscrever-me na Licenciatura de Tradução no Instituto Politécnico de Leiria. Ali encontrei das pessoas mais interessantes e marcantes da minha vida que ainda hoje permanecem entre os meus contactos mais chegados.
Naquela cidade, vivi romances, grandes amizades, crises de fé, alguns amores e tentações, muitos orgasmos intelectuais, apaixonei-me pela arte do cinema e pelo cheiro dos livros e dos jornais.
Eu que nunca tinha usado um casaco comprido na vida, na cidade mais húmida do país adaptei-me ao frio e à estação de Inverno que até então nunca tinha conhecido intimamente. Morei lá 4 anos e vivi em 5 casas diferentes, mas fui verdadeiramente feliz na última, com a minha querida Sílvia de Coruche e a Sandy venezuelana-da-Madeira. Ontem desempacotei os últimos caixotes datados do último mês em que lá estive, Setembro de 2005: abri-os e encontrei para minha grande surpresa uma enorme colecção de Jornal de Letras e dos extintos Suplementos Mil Folhas do Público, que coleccionava religiosamente.
Leiria foi a cidade em que me tornei adulta e a cidade que assistiu à minha explosão como ser humano.



Em Outubro de 2005 fui para o Rio de Janeiro. Fui fazer um estágio curricular, a dar aulas de Inglês. Tinha alunos que eram meninos favelados, como antigas professoras universitárias.
Era a primeira vez que andava de avião: 12 horas para baptismo de vôo, nunca fiz as coisas por metade.
Quando falo da minha estada no Brasil, todos pensam que estive lá 1 ano ou até mais. Na verdade, estive lá 3 meses. Mas foram 3 meses sem qualquer contacto com Portugal, a Internet não era uma coisa tão comum e era lentíiiiiiiissima, fazendo daquilo uma imersão total. Morei com um carioca e três mulheres cearenses e recebi lições de vida valiosíssimas. Aprendi a ser vaidosa no Rio e amei aquele povo como ninguém. Bebia caipirinhas todas as noites, fui para a praia no dia de Natal sob uns escaldantes 40 graus, nunca fui assaltada e fazia amigos nas filas nas lojas. "Moça, você tem de vir na minha casa. Eu moro lá em Vila Isabel, cê tem de pegar o ônibus 31 que passa lá pertinho pertinho e vem tomar um suco na minha casa." As pessoas lá são assim.
Marcou-me de tal forma aqueles meses que ainda hoje tenho a minha versão romantizada do Brasil. Que é verdadeira.



Em Fevereiro de 2006, depois de um ano quase sem Inverno, vi neve pela primeira vez quando aterrei em Milão. Ia como estudante Erasmus, embora tivesse já feito todas as cadeiras. Fui lá fazer disciplinas extra-curriculares como História do Médio Oriente, História e Cinema, Literatura Italiana, Literatura Francesa e Tradução Italiano-Inglês.
Cheguei lá sem saber dizer sequer "cielo", saí de lá 3 anos depois, a interpretar de Português para Italiano numa reunião com o homem mais poderoso de Milão, o Presidente da Regione Lombardia. (pronto, vá, depois do Berlusconi, o homem mais poderoso de Milão)
Voltei a pegar numa bicicleta depois de décadas de jejum, troquei duas vezes de trabalho, conseguindo duplicar o meu salário de um ano para o outro. Sendo Milão uma cidade com 3 aeroportos, usufruí deste espaço multicultural e cosmopolita até ao limite, aventurando-me por todas as minhas cidades de sonho, sozinha ou acompanhada, conforme calhasse. Fiz muitos amigos, contrariando a minha própria teoria: eu acreditava piamente que quando se acabava o período de estudos era difícil fazer amigos. Pelos vistos não. Sempre fui assim e sempre serei. It's my thing.

Pensava que a decisão mais difícil da minha vida seria deixar Milão, a cidade onde me tornei mulher. E foi. Fiz as malas, empacotei 3 anos de vida e regressei à cidade que me viu crescer, Portimão. Com que por coincidência, a empresa onde trabalhava entrou em processo de falência e provavelmente fechará as portas em Dezembro. Bom timing o meu, hein?
Continuei a trabalhar como tradutora freelancer e a vida corria-me bem. Nas calmas.



Sem procurar nada e quietinha que estava no meu canto a frequentar o Curso de Formação de Formadores (CAP) e a começar a tirar a carta de condução, recebi uma proposta para um dos meus trabalhos de sonho: na área dos serviços linguísticos, mas como gestora de projectos.
Fui à entrevista em Lisboa no mês de Outubro e passada uma semana recebi a notícia de que me tinham escolhido - contra as minhas expectativas, devo admitir - e começo a trabalhar no início do mês.
Desisti do CAP, da escola de condução, contei a novidade à família e amigos e no dia 1 de Novembro de 2009, mudo-me para Lisboa e começo uma nova era. Tem-me vindo à mente de como tantas pessoas que conheço rogam aos céus uma oportunidade para começar de novo, uma oportunidade para se aventurarem e fazerem algo totalmente diferente. Vejo-me a mim nesta posição de já ter começado do zero tantas vezes e sinto-me afortunada.
Já vou mais ou menos na minha terceira vida e pela primeira vez em muito tempo estou estupidamente feliz.

Traidora?

23.10.09


Ele era bom. Nunca me tinha dado problemas de maior, a não ser no primeiro ano de vida, em que me apagou todos os meus trabalhos da universidade e eu fiquei desconsolada. Mas a partir de então, foi uma ferramenta exemplar. Estava bom de saúde, eu limpava-o - interior e exteriormente - e sentia um grande carinho por ele.
Fui com ele para o Brasil, alegrámos a vida de tantos meninos brasileiros que nunca tinham visto uma coisa tão moderna; andámos juntos desde as favelas até à Barra da Tijuca.
Foi comigo de Erasmus para a capital da moda, Milão. Juntos escrevemos a tese e maravilhosos trabalhos universitários. Para o recompensar, levei-o a grande parte das capitais europeias, levei-o mesmo quando ia de férias, nunca nos separámos.
Traduzimos três livros, já publicados em Portugal, escrevemos cerca de 1 milhão de palavras publicadas em sítios web, folhetos, brochuras, manuais de instruções, contratos, patentes internacionais. Juntos escrevemos mais de 10 mil e-mails, juntos acabámos e começámos relações, de amizade, de amor e de ódio. Juntos lutámos contra os malditos vírus e vencemos. Foi um computador de guerra, tendo já o M e o N apagados.
Ele era relativamente rápido, mas não deixava de ter a sua idade. Não tinha wireless, a RAM era pouca, o disco era apenas de 50 Gigas, o ecrã tinha problemas de contacto: de cada vez que o
movia, ficava às escuras, enfim...
Eu queria algo mais moderno, mais atraente, mais rápido e com todos os novos gadgets.


Assim, ontem comprei um Sony Vaio cor de paixão, que andava a namorar secretamente há 2 anos. Chiu, não digam nada ao meu HP Compaq velhinho. Vou continuar a usá-lo aos fins-de-semana, para ele se sentir útil e importante na minha vida. Beijinhos para ti, querido.



Nota: Sinto-me traidora porque compreendo agora que talvez ainda não tivesse chegado a hora. Talvez ainda durasse mais alguns anos na minha mão, mas eu sucumbi às pressões de um desejo consumista, ainda que tenha resistido 2 anos a comprar o Vaio. O que me consola é o facto de termos vivido 5 anos intensamente e os nossos muitos momentos felizes.

O melhor elogio de sempre

22.10.09

"Tens uma aura muito bonita, especialmente quando sorris"

(Dito por um homem espiritual que me tinha visto só 2 vezes.)

(Des)respeito

22.10.09

Aqui em Portimão existe o drama das AECs, as actividades de enriquecimento curricular. Tenho algumas amigas que trabalham neste tipo de actividades, ensinando a língua inglesa em algumas escolas primárias em várias freguesias do Algarve.
Eu própria fui "seduzida" para trabalhar com eles. Aliás, "seduzida" é a palavra menos apropriada possível, pois as empresas que contratam os professores pagam 10 euros por hora e dão horários terríveis, tipo das 15.30 às 17.00, perfazendo umas 10 horas por semana. Portanto, 400 euros por mês não me parece que seja nada "sedutor" para nenhum profissional. Sim, trabalha-se poucas horas, mas o horário que oferecem mata completamente o dia e para a maior parte das pessoas é impossível conciliar com outra actividade que seja.

Ontem, conversando com a Vera, contava-me chocada que uma menina do 2º ano, com 7 aninhos, tinha agredido a professora.

- Até é difícil de acreditar: a criança parecia louca, começou aos pontapés na professora e esta, devido à nova lei que saiu, não pôde nem sequer levantar a mão. Tiveram de fugir todos da sala e foi lá uma das auxiliares - que é forte - tentar domar a miúda, que ficou na sala a dar pontapés nas mesas e a arrastá-las de um lado para o outro.

Eu incrédula:
- A sério? Mais parece uma cena do filme "O Pestinha"!!

A Vera muito calma:
- Não, Rafaela. Aquilo era uma cena do "Exorcista".


Nota: Eu nunca fui mal comportada e sempre fui boa aluna. Mas lembro-me perfeitamente quando a minha professora da primária, a Prof. Lutília, tirava os anéis dos dedos e se aproximava com a mão em riste. Apanhei algumas chapadas, mas não me parece que isso me tenha criado um trauma. Que raio de lei é esta que protege os alunos malcriados e violentos e não protege os professores?

Um estranho fenómeno

19.10.09
Jamie Foxx e Robert Downey Jr. (que está como o vinho)

Há duas dezenas de anos que frequento cinemas.
É algo que me descontrai e houve alturas em que via três ou quatro filmes por semana, às vezes até saía de uma sala para entrar noutra. Sim, assumo, podia ser algo ridícula tamanha sofreguidão, mas lembro-me que estávamos com os Óscares à porta e eu queria ver todos os filmes antes da cerimónia.
Pois que em tantos anos de cinema, tantos filmes que me passaram pelos olhos e pela alma, nunca me tinha acontecido o que me aconteceu há umas semanas: chorar num trailer.
O trailer tem pouco mais de 1 minuto e normalmente funcionam como um teaser relativamente ao filme, mas nunca existe nem se cria envolvimento suficiente para ter uma ligação emocional com o que se está a ver.
E as lágrimas assomaram-se com a apresentação do filme "O Solista", com um Jamie Foxx esquizofrénico e um Robert Downey Jr amargurado.
Lembro-me de ter sentido uma curiosidade e urgência enorme em ver o filme, porque o enredo era promissor: a música e o talento, a pureza da amizade são temas que me dizem muito.
Cheguei a casa e fiz download do filme e vi-o nessa mesma noite. No final, soube-me a pouco. Apesar de a história estar bem construída e estar algo envolvida na trama, não verti nem sequer uma lágrima, nem me emocionei. Ficou a faltar alguma coisa àquele filme. Tinha potencial para ser uma obra-prima, mas não passou de um filme-pipoca.

O meu pai bem me avisou...

18.10.09

...para eu abandonar os loiros da minha vida e deixar de me interessar por eles de uma vez por todas. Mas a verdade é que me vejo a ver o programa Ídolos só para ver o Laurent Filipe.
Já tinha ouvido de falar dele como músico, na altura em que eu tinha a mania que queria ser a Diana Krall portuguesa, versão sem piano e de cor negra, mas não sabia que era tãoooooo charmoso.
Babo-me, meus amigos, babo-me.


A piada do mês

15.10.09
Any news to report on your love life???


Excerto do e-mail que a minha querida amiga Holly, com quem partilhei casa em Milão, me enviou há minutos.

A case of you

14.10.09
Diana não deixou de cantar o maior hino ao seu país natal, o Canadá, com a divinal "A case of you", um clássico da sua conterrânea Joni Mitchell.
A minha canção preferida, em duas versões ao vivo fabulosas: Diana e Joni.
Não consigo escolher qual das duas prefiro.


Just before our love got lost you said
I am as constant as a northern star
And I said, constant in the darkness
Wheres that at?
If you want me Ill be in the bar

On the back of a cartoon coaster
In the blue tv screen light
I drew a map of canada
Oh canada
And your face sketched on it twice

Oh you are in my blood like holy wine
Oh and you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
And I would still be on my feet
Oh Id still be on my feet

Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
Im frightened by the devil
And Im drawn to those ones that aint afraid
I remember that time that you told me, you said
Love is touching souls
Surely you touched mine
Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time

Oh you are in my blood like holy wine
And you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
Still Id be on my feet
And still be on my feet

I met a woman
She had a mouth like yours
She knew your life
She knew your devils and your deeds
And she said
Color go to him, stay with him if you can
Oh but be prepared to bleed
Oh but you are in my blood youre my holy wine
Oh and you taste so bitter, bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you darling
Still Id be on my feet
Id still be on my feet

Ela é a personificação...

13.10.09

...da doçura, do talento, do charme.
Aquela voz grave de contralto, a destreza dos dedos que acariciam e batem no piano, a elegância no cantar, nas piadas que conta em tom intimista. Conversou com a plateia do Campo Pequeno como se conversasse com a família durante o jantar.
Há 10 anos tornei-me fã da Diana Krall e desde então tenho seguido de perto os seus passos. Este fim-de-semana vi-a ao vivo e quando fecho os olhos ainda a oiço cantar.

As celebridades e os crimes

1.10.09
Samantha Geimer, a vítima de Polanski

Tenho dificuldades em acreditar em histórias de violações de autoria de celebridades.
Não porque os considere impunes ou isentos de qualquer espírito-instinto animal que os faça querer apossar de alguém sem o seu consentimento, mas porque considero que por parte da vítima há ali sempre um rasgo de semi-orgulho ou de aproveitamento da situação.
Passou-se há alguns anos com o R. Kelly, em que ele tinha sido acusado de violar uma rapariga de 15 anos. Nem sequer vou entrar na discussão sobre a idade, embora eu seja da opinião que aos 15 anos não se é uma criança e sabe-se muuuito bem o que se faz.
Depois há a questão do "querer ser famoso a todos os custos" que sabemos muito bem como funciona...e quem não sabe, fique a saber que em Portugal as meninas do curso de Direito de uma certa universidade de Lisboa atiram-se descaradamente e chegam a vias de facto com um baixo autor famoso, na esperança que ele as adicione ao elenco de uma das novelas dele.
Portanto...se isso acontece na nossa modesta Lisboa, porque não aconteceria com R.Kelly ou com o Roman Polanski, em que a alegada vítima, neste caso, era uma modelo e aspirante a actriz - como todos os jornais fazem questão de frisar? E estamos a falar dos anos 70 nos Estados Unidos, em que os grupos feministas estavam no auge e as mulheres faziam de tudo para reclamar a independência?
Neste caso, o pior mesmo é que parece que ele confessou o crime há uns anos e até parece que a história que a moça contou é verdade, o que me anula qualquer tipo de argumento. Justiça é justiça e obviamente as celebridades não poderão estar-lhe impunes.

Mas sou humana, sou fã dele e faz-me confusão que seja condenado por um crime cometido há mais de 30 anos.

Estar de volta

1.10.09
Há quem se pergunte como tem sido a minha rica vidinha desde que voltei.
Todos os dias, seja por Facebook, seja por e-mail, seja por telefonema, há sempre uma alma com quem ainda não conversei e me lança a fatídica questão:

- E como está a ser adaptação a Portugal?

Eu respondo sempre a mesma coisa.

- Está tudo a correr bem, obrigada.

E pronto, normalmente o assunto fica por ali.
Parece-me sempre que as pessoas, não muito íntimas, quando fazem este tipo de perguntas não querem entrar a fundo na questão...e eu faço-lhes o favor de responder uma banalidade.
Será que querem mesmo saber que sinto falta de apanhar o metro em Pasteur, estar a 10 minutos da Piazza del Duomo, entrar na Mondadori e ficar a beber um cappuccino enquanto olho para a multidão apressada cá em baixo?
Que sinto falta dos meus queridos colegas, com quem partilhei um dos anos mais difíceis e intensos da minha vida, e que me ensinaram "a não chorar no local de trabalho" e a "não levar as coisas tão a peito"? Esses meus colegas - amigos, diria - que me escrevem todas as semanas no Facebook "Rafa, ci manchi"; "Rafa, tornaaaaaaa!"; "Rafa, si sente tanto la tua mancanza, vogliamo vederti presto!"?
Que sinto falta de sair à noite, pagar 7 euros e beber um Negroni Sbagliato (bebia sempre isto quando me queria sentir mais italiana) ou um Rossini (um cocktail de spumante con succo di fragola maravilhoso, que bebia sempre que me queria sentir sexy) e ter acesso a um buffet fantástico de comida de todo o tipo?
Que sinto falta de morar com a Holly, conversarmos sobre o nosso dia e falarmos mal dos italianos e de como apresentam a meteorologia em Itália? (Ale e Moreno, gli unici italiani che leggono 'sto blog - vi voglio bene, ok?)
Sim, sinto falta de todos estes aspectos...boas coisas, sem dúvida. Mas não estou infeliz, nem sinto a nostalgia que achava que iria sentir.

Porquê? Porque pela primeira vez em muito tempo tenho projectos e metas muito concretas a alcançar. Comecei a tirar o CAP, vou começar a tirar a carta de condução e comecei a fazer dieta acompanhada pela nutricionista mais simpática de todos os tempos (só podia ser almadense).

Ao mesmo tempo, tenho trabalhado imenso em traduções, estou a planear uma viagem a Dublin para Outubro with my dear Holly, tenho já planeada a viagem a Londres em Novembro para ir ver a Beyoncé com a Renée, e estou a organizar uma viagem a Milão em Dezembro para ir finalmente ao SCALA ver uma ópera com a Carla que continua por lá, mas sei que me inveja de morte.

Tenho andado a limpar a porcaria que a contabilista responsável pela minha declaração de IRS fez (sim meus amigos, para cima de 500 euros de multas fiscais, mais os largas larguíssimas centenas de euros de IRS para pagar). Mas sinto-me tranquila. Estão aqui os meus amigos, a minha família, a minha terra...ainda que sinta alguma falta de "civilização", é bom estar de volta.

E depois, quando pego na bicicleta* e em 3 minutos estou aqui...


...a sério, de que me posso queixar?



*Sim, copiei a moda milanesa de andar de bicicleta para todo o lado, esquecendo-me que Portimão não tem nenhuma rua totalmente plana. Bom para o meu rabo, sem dúvida!

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