Sorri com a candura da Luna quando ela escreveu sobre uma das certezas que ela tinha na vida.
Só posso mesmo sorrir, principalmente porque o meu pai, para além de ter 10 vezes mais amigos que eu tenho no Facebook (e eu já tenho mais de 400), ontem disse-me com toda a naturalidade:
- Acho que devias arranjar um fuck buddy.
New York
19.3.10
Não consigo parar de ouvir esta música.
Adoro Lisboa mas ando mesmo num Empire State of Mind...
O meu professor de viola
12.3.10
Gosto muito do meu professor de viola.
É um dos melhores músicos de Lisboa e é muito gentil. Tem uma relação admirável com a música. Fala e discorre sobre o Dó e o Lá de Sétima como se eu soubesse do que está a falar. Os génios são assim: vivem no mundo deles e falam uma língua muito própria. Só quando descem à terra, ou neste caso, a um velho apartamento na Ajuda ao qual me desloco todas as semanas desafiando o trânsito de hora de ponta em Lisboa, é que se apercebem que estavam a divagar pelo olhar arregalado das pessoas que o ouvem. Os leigos, que é o meu caso.
O meu professor de viola é muito sereno, é daquelas pessoas que se vê e se sente que são felizes mesmo sem ter muito. Não tem família e é divorciado embora continue a tocar em bares com a ex-mulher. Não sei se tem filhos porque nunca perguntei e não quero ser invasiva. Ele acredita no karma, na reencarnação e na existência do Bem e do Mal. Foi a segunda pessoa que em pouco tempo me disse que tenho uma aura muito bonita.
Toca viola como quem respira. Com a mesma inconsciência e naturalidade. Eu esforço-me para poder acompanhar a linha de pensamento dele; aliás, não acompanho, limito-me a sorrir e a babar-me com a visível paixão que ele tem pela música. Principalmente quando no final de uma explicação teórica envolvendo as palavras "dissonante, fá de sétima, lá maior, dó menor", me pergunta "Você entendeu"? Eu aceno veementemente com a cabeça que sim.
Ontem referiu-se a mim e a ele como farinha do mesmo saco. Disse "nós, artistas". Vieram-me as lágrimas aos olhos. Nem sequer consigo fazer o Ré sem me contorcer toda e ele chama-me de artista??
Ontem conversámos sobre a justiça humana, sobre para onde vai a humanidade, sobre o violador de Telheiras, sobre como alcançar serenidade, sobre o Miles Davis e Hermeto Pascoal e sobre a única explicação possível para o Mozart ter sido um génio musical aos 4 anos de idade.
As minhas quintas-feiras são um verdadeiro alimento para a alma e torno-me um bocadinho mais artista a cada semana que passa.
É um dos melhores músicos de Lisboa e é muito gentil. Tem uma relação admirável com a música. Fala e discorre sobre o Dó e o Lá de Sétima como se eu soubesse do que está a falar. Os génios são assim: vivem no mundo deles e falam uma língua muito própria. Só quando descem à terra, ou neste caso, a um velho apartamento na Ajuda ao qual me desloco todas as semanas desafiando o trânsito de hora de ponta em Lisboa, é que se apercebem que estavam a divagar pelo olhar arregalado das pessoas que o ouvem. Os leigos, que é o meu caso.
O meu professor de viola é muito sereno, é daquelas pessoas que se vê e se sente que são felizes mesmo sem ter muito. Não tem família e é divorciado embora continue a tocar em bares com a ex-mulher. Não sei se tem filhos porque nunca perguntei e não quero ser invasiva. Ele acredita no karma, na reencarnação e na existência do Bem e do Mal. Foi a segunda pessoa que em pouco tempo me disse que tenho uma aura muito bonita.
Toca viola como quem respira. Com a mesma inconsciência e naturalidade. Eu esforço-me para poder acompanhar a linha de pensamento dele; aliás, não acompanho, limito-me a sorrir e a babar-me com a visível paixão que ele tem pela música. Principalmente quando no final de uma explicação teórica envolvendo as palavras "dissonante, fá de sétima, lá maior, dó menor", me pergunta "Você entendeu"? Eu aceno veementemente com a cabeça que sim.
Ontem referiu-se a mim e a ele como farinha do mesmo saco. Disse "nós, artistas". Vieram-me as lágrimas aos olhos. Nem sequer consigo fazer o Ré sem me contorcer toda e ele chama-me de artista??
Ontem conversámos sobre a justiça humana, sobre para onde vai a humanidade, sobre o violador de Telheiras, sobre como alcançar serenidade, sobre o Miles Davis e Hermeto Pascoal e sobre a única explicação possível para o Mozart ter sido um génio musical aos 4 anos de idade.
As minhas quintas-feiras são um verdadeiro alimento para a alma e torno-me um bocadinho mais artista a cada semana que passa.
Óscares (menos) mágicos
8.3.10
Foi uma noite com poucas supresas.
Eu, mesmo sem ter visto todos os filmes nomeados, adivinhei todas as categorias principais sem dificuldade, como já tinha acontecido no ano passado.
Talvez devido à previsibilidade dos vencedores, houve poucas emoções. Com excepção do típico discurso emocionante da vencedora do Óscar de Melhor Actriz e das apresentações dos nomeados por parte dos colegas de profissão (adorei o discurso da Pfeifer), a única coisa verdadeiramente relevante foi a Bigelow ter vencido o Óscar para Melhor Realizadora. Ela é linda ou é impressão minha?
Depois de no ano passado termos tido o melhor apresentador dos tempos modernos, excelentes números musicais e um verdadeiro espectáculo a todos os níveis, este ano foi assim mais tímido em termos de exuberância. Fui deitar-me às 5h40 da manhã e estou a cair para o lado, mas vale sempre a pena ver este certame em directo.
O único vestido que representou uma lufada de ar fresco quando a vi passar, foi o da McAdams, que é lindíssima, mesmo loira.
Eu, mesmo sem ter visto todos os filmes nomeados, adivinhei todas as categorias principais sem dificuldade, como já tinha acontecido no ano passado.
Talvez devido à previsibilidade dos vencedores, houve poucas emoções. Com excepção do típico discurso emocionante da vencedora do Óscar de Melhor Actriz e das apresentações dos nomeados por parte dos colegas de profissão (adorei o discurso da Pfeifer), a única coisa verdadeiramente relevante foi a Bigelow ter vencido o Óscar para Melhor Realizadora. Ela é linda ou é impressão minha?
Depois de no ano passado termos tido o melhor apresentador dos tempos modernos, excelentes números musicais e um verdadeiro espectáculo a todos os níveis, este ano foi assim mais tímido em termos de exuberância. Fui deitar-me às 5h40 da manhã e estou a cair para o lado, mas vale sempre a pena ver este certame em directo.
O único vestido que representou uma lufada de ar fresco quando a vi passar, foi o da McAdams, que é lindíssima, mesmo loira.
O meu amigo gay não gay
1.3.10

Durante os meus anos de vida em Milão, tive dois grandes amigos portugueses. Os Hugos.
O primeiro, o Carvalho, esteve lá no Inov Contacto e ficou por lá a fazer um Mestrado. Foi-se embora em Julho de 2008. Poucos meses depois, estava a conhecer o Tavares, que me acompanhou no meu último ano em Itália. Os dois conheceram-me em fases diferentes da minha vida, mas ambos tiveram o melhor de mim. Gargalhadas, copos e respeito mútuo.
Hoje falo-vos do primeiro Hugo. Ele é o que eu posso chamar de amigo gay não gay. Conheci-o solteiro, conheci-o comprometido e nada mudou a nossa relação. Ele conheceu-me quando eu namorava, mas de vez em quando tirava tempo para ir beber uns copos com ele. Tem a particularidade de, até hoje, ser a única pessoa com quem falo de sexo abertamente. Como se de uma melhor amiga se tratasse. A questão é que nem com a minha melhor amiga falo de sexo. Só com o Hugo.
É formado em Economia, mas não poupa no débito verbal. Falador, sempre bem-disposto e pronto para gargalhar, o Hugo é igualmente convincente nas conversas sérias e filosóficas. Imita bem pessoas, reproduz sotaques e tem uma língua afiada. Dele posso esperar sempre a desdramatização e praticidade das coisas da vida. Se porventura um dia me tornasse famosa - a nova Oprah por exemplo - era o Hugo que me iria ajudar a manter os pés no chão.
Desde que moro em Lisboa encontramo-nos frequentemente para jantares e noites de copos, como nos bons tempos milaneses. Só os dois. Conto-lhe as minhas aventuras por aqui, ele acha que eu sou "drama queen" mas que compenso com o bom humor. Mesmo tendo namorada há algum tempo, arranja sempre tempo para mim. Tem sido o meu amigo gay, que não é gay e não me quer saltar para cima. Por isso, com ele consigo ser sempre o mais genuína possível.
Não me tenta arranjar caldinhos nem engates com ninguém, porque acha que da minha vida posso tratar eu. Não me estupidifica, mas também nunca me elogiou. A nossa amizade é feita de partilhas, não de construção de egos. E tem resultado bem.
Depois de tantos meses, hoje conheci a namorada dele. E ela é linda.
O primeiro, o Carvalho, esteve lá no Inov Contacto e ficou por lá a fazer um Mestrado. Foi-se embora em Julho de 2008. Poucos meses depois, estava a conhecer o Tavares, que me acompanhou no meu último ano em Itália. Os dois conheceram-me em fases diferentes da minha vida, mas ambos tiveram o melhor de mim. Gargalhadas, copos e respeito mútuo.
Hoje falo-vos do primeiro Hugo. Ele é o que eu posso chamar de amigo gay não gay. Conheci-o solteiro, conheci-o comprometido e nada mudou a nossa relação. Ele conheceu-me quando eu namorava, mas de vez em quando tirava tempo para ir beber uns copos com ele. Tem a particularidade de, até hoje, ser a única pessoa com quem falo de sexo abertamente. Como se de uma melhor amiga se tratasse. A questão é que nem com a minha melhor amiga falo de sexo. Só com o Hugo.
É formado em Economia, mas não poupa no débito verbal. Falador, sempre bem-disposto e pronto para gargalhar, o Hugo é igualmente convincente nas conversas sérias e filosóficas. Imita bem pessoas, reproduz sotaques e tem uma língua afiada. Dele posso esperar sempre a desdramatização e praticidade das coisas da vida. Se porventura um dia me tornasse famosa - a nova Oprah por exemplo - era o Hugo que me iria ajudar a manter os pés no chão.
Desde que moro em Lisboa encontramo-nos frequentemente para jantares e noites de copos, como nos bons tempos milaneses. Só os dois. Conto-lhe as minhas aventuras por aqui, ele acha que eu sou "drama queen" mas que compenso com o bom humor. Mesmo tendo namorada há algum tempo, arranja sempre tempo para mim. Tem sido o meu amigo gay, que não é gay e não me quer saltar para cima. Por isso, com ele consigo ser sempre o mais genuína possível.
Não me tenta arranjar caldinhos nem engates com ninguém, porque acha que da minha vida posso tratar eu. Não me estupidifica, mas também nunca me elogiou. A nossa amizade é feita de partilhas, não de construção de egos. E tem resultado bem.
Depois de tantos meses, hoje conheci a namorada dele. E ela é linda.
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