Já estou quase, quase a partir.
Este blog vai de férias
22.7.10
É hoje!
Tenho pouca paciência para queixumes. Por isso, quando entro numa fase em que me apetece queixar da vida ou da pouca sorte, prefiro entrar em reclusão, deitar-me na cama e ver episódios de Friends até adormecer. (Antigamente, fazia-me companhia um copo de meio litro de Häagen Dazs de chocolate belga, mas o meu nutricionista conseguiu a proeza de me fazer deixar de comer porcarias à noite.) Com um pouco sorte, depois de alguns dias já estou novamente cheia de energia e pronta para me divertir nesta grande aventura chamada VIDA.
Mas esta é uma altura em que uma ou duas noites de descanso não chegam para me descontrair ou para recuperar do extremo cansaço que tenho vindo a sentir. Isto de trabalhar para cima de 15 horas todos os dias sem excepção é demasiado violento para o meu cabedal e cérebro que, ainda que robustos, começam a sofrer as consequências. Por isso, estou muito feliz por anunciar que hoje entro de férias. A miséria de uma semana não permite que o meu corpo sinta que está sem trabalhar, mas o cérebro fica sem dúvida mais descansado.
Tenho pouca paciência para queixumes. Por isso, quando entro numa fase em que me apetece queixar da vida ou da pouca sorte, prefiro entrar em reclusão, deitar-me na cama e ver episódios de Friends até adormecer. (Antigamente, fazia-me companhia um copo de meio litro de Häagen Dazs de chocolate belga, mas o meu nutricionista conseguiu a proeza de me fazer deixar de comer porcarias à noite.) Com um pouco sorte, depois de alguns dias já estou novamente cheia de energia e pronta para me divertir nesta grande aventura chamada VIDA.
Mas esta é uma altura em que uma ou duas noites de descanso não chegam para me descontrair ou para recuperar do extremo cansaço que tenho vindo a sentir. Isto de trabalhar para cima de 15 horas todos os dias sem excepção é demasiado violento para o meu cabedal e cérebro que, ainda que robustos, começam a sofrer as consequências. Por isso, estou muito feliz por anunciar que hoje entro de férias. A miséria de uma semana não permite que o meu corpo sinta que está sem trabalhar, mas o cérebro fica sem dúvida mais descansado.
E estas vão ser as minhas férias:
Tiro ao Lado
20.7.10
Nos últimos tempos a minha vida tem-se caracterizado por esta metáfora.
Eu quase ficava numa relação que não me fazia feliz. Ele quase disse amo-te. Eu quase fui morar para São Paulo. Se não me tivesse despedido antes para vir embora para Portugal, eu quase era despedida em conjunto com 100 colegas porque a empresa italiana foi à falência. O meu melhor amigo declarou-se e quase deixava a namorada para ficar comigo. Quase me convenci que a minha alma gémea era uma pessoa que só vi uma vez na vida. Quase me convenci que o sentimento era recíproco. Quase achei que encontrei o trabalho dos meus sonhos. Quase achei que estava estupidamente feliz.
Eu quase ficava numa relação que não me fazia feliz. Ele quase disse amo-te. Eu quase fui morar para São Paulo. Se não me tivesse despedido antes para vir embora para Portugal, eu quase era despedida em conjunto com 100 colegas porque a empresa italiana foi à falência. O meu melhor amigo declarou-se e quase deixava a namorada para ficar comigo. Quase me convenci que a minha alma gémea era uma pessoa que só vi uma vez na vida. Quase me convenci que o sentimento era recíproco. Quase achei que encontrei o trabalho dos meus sonhos. Quase achei que estava estupidamente feliz.
Se isto fosse um "blog de gajas"...
15.7.10
...já vos teria contado que no casamento deste fim-de-semana apanhei o bouquet.
Não só teria concedido esta importante informação, como teria especificado igualmente que o bouquet, ou melhor, e ao abrigo do acordo ortográfico, o "buquê" voou directamente para as minhas mãos. Sem nenhum desvio de rota, sem nenhum empurrãozinho, sem nenhum salto da minha parte (as sandálias não mo permitiam), sem nenhum esticar de braços. Ele veio parar-me às mãos como se fosse ali que ele quisesse estar.
Se isto fosse um "blog de gajas", faria já um interessante convite a todos os homens do país como quem diz "preparem-se, meus caros" porque eu vou ser a próxima a casar. Escreveria uma lista de todas as características que o meu potencial futuro marido deverá ter e também uma listazinha modesta dos defeitos que eu era capaz de aceitar (porque já compreendi que não há homens perfeitos).
Mas como não é um "blog de gajas", não disse nada sobre esse assunto e deixei o buquê com a noiva para ela poder tirar algumas fotografias catitas.
Agora a sério, alguém aqui já casou nos 5 anos seguintes após ter apanhado um buquê?
Trial and Error
14.7.10
Em Maio do ano passado, o Júlio enviou-me um e-mail com o título: TRIAL AND ERROR.
Quando vi aquelas palavras no título, por pouco não o confundia com os habituais "ENLARGE YOUR PENIS TODAY" ou "DON'T MAKE HER WANT TO LOOK FOR ANOTHER COCK".
Ainda assim, abri o e-mail. E lá dentro estava um texto sincero e escrito com todo o carinho do mundo, que me fez muito bem naquele momento. Estava a atravessar um dos piores momentos momentos da minha vida e tinha acabado de eliminar da minha conta os 625 e-mails que eu tinha trocado com o meu ex-namorado no início, durante e no fim da nossa relação.
Conheço o Júlio há 10 anos, quando eu ainda era magra e quando ele ainda tinha os dentes acinzentados. Ele sempre foi um rapaz popular e qualquer miúda que tivesse a atenção dele era uma sortuda. Conheci-lhe várias namoradas e mantivemos o contacto ao longo dos anos. Ele era teimoso e tinha um humor negro e sarcástico. Tipo, Rui Sinel de Cordes da vida real.
Mas sim, contra todas as expectativas, tornámo-nos bons amigos e nem sequer a distância geográfica prejudicou a nossa amizade. É a grande vantagem de ser-se amiga de um homem: a amizade sobrevive a a qualquer tipo de distância, sem grandes esforços. As amizades com mulheres requerem um outro tipo de alimentação, mais mimos e mais atenção. Os homens requerem menor manutenção. Por isso, talvez com eles, consigamos lidar da forma mais genuína possível. Sem merdas, sem tangas e sem esforços para agradar.
Neste longo e-mail que me enviou, o Júlio discorre sobre como as relações são sempre um processo de aprendizagem, de auto-conhecimento, de "treino" para alguma coisa melhor que há de vir. Ele estava solteiro e afogado na sua própria solidão, apercebendo-se aos poucos de alguns erros que tinha cometido no passado. Então a aprendizagem que estava a fazer, "transferiu-a" para mim. Os homens no geral são muito mais práticos do que nós nas coisas do amor. Sim, sofrem. Mas desdramatizam e relativizam. E quando li aquele e-mail profundo, no meu quarto de Milão onde um dia tinha dormido acompanhada, só conseguia agradecer pelo facto de ter um amigo fabuloso.
Despediu-se no e-mail com um bonito e generoso:
"Se quiseres dar uma lição a esse sacana, podes dizer-lhe que o traíste várias vezes comigo".
Em menos de um ano, o Júlio encontrou o amor da vida dele. No domingo, casou com a Rita Sardinha Frita e eu estive lá. Chegou ao altar de slide, evidenciando o seu espírito aventureiro, o mesmo de sempre.
Durante a cerimónia, chorou várias vezes, ao passo que a noiva nunca largou o sorriso que tão bem a caracteriza. Nunca o vi tão sereno e tão feliz. E para mim essa é a melhor sensação de todas.
Trial and Error
Desta vez, a sua operação foi bem sucedida.
E regresso
13.7.10
Estava preocupada com a minha credibilidade junto dos meus leitores, por regressar ao blog apenas 4 dias após ter anunciado um retiro temporário. Mas como diz o James Lewis, "eu posso fazer o que quiser, porque sou louca".
O universo às vezes pára
9.7.10
Há cerca de um ano, ele escreveu-me um e-mail a perguntar o que significava uma palavra que eu tinha utilizado num texto. Foi assim que começou. A nossa relação começou com a curiosidade.
Depois desse vieram muitos e-mails. E desde sempre, sem que me conhecesse ou me tivesse visto, manifestou um fascínio aberto por mim. Daquele tipo de fascínio que temos em relação às estrelas de cinema. Aquele fascínio que não é invasivo, nem obsessivo, aquele que se caracteriza por um sentimento de quase resignação. Como quem pensa "nunca a irei conhecer na vida real, mas ela é uma pessoa que não me importava de encontrar na rua". Ontem esse dia chegou.
Depois desse vieram muitos e-mails. E desde sempre, sem que me conhecesse ou me tivesse visto, manifestou um fascínio aberto por mim. Daquele tipo de fascínio que temos em relação às estrelas de cinema. Aquele fascínio que não é invasivo, nem obsessivo, aquele que se caracteriza por um sentimento de quase resignação. Como quem pensa "nunca a irei conhecer na vida real, mas ela é uma pessoa que não me importava de encontrar na rua". Ontem esse dia chegou.
No final de um dia extenuante de trabalho, fui ao supermercado no bairro onde vivo. Ele viu-me e esperou-me à saída. Pediu-me perdão pelo tipo de abordagem, no nível de português fabuloso que já me havia habituado nos e-mails e no blog pessoal, e perguntou-me se eu era a Rafaela.
Incrédula, porque aquele rosto não tocava nenhuma campainha no meu cérebro, franzi a testa, hábito que me está a trazer algumas rugas de expressão. No momento de silêncio enquanto me preparava para perguntar quem era ele, corri os últimos meses da minha vida em busca de tal rosto numa base de dados mental. Seria do Holmes? Não, lá ninguém me conhece pelo nome. Seria do Bairro Alto? Do Maria Caxuxa? Não, às horas da madrugada em que falo com pessoas, não me parece que memorizem o meu rosto e muito menos o meu nome. Do Facebook? Não, só aceito pessoas que conheço pessoalmente e este rapaz nunca o vi na vida... De alguma festa onde tenha estado? Seria um ex-namorado meu? Não tive um sem-número de homens, mas sou péssima com caras, por isso podia ter sido alguém íntimo do meu passado e que agora não reconhecia...Não, não podia ser. Denotei algum medo no tom da sua voz quando me perguntou se eu era a Rafaela, por isso ele também não tinha a certeza. Mas quem era, quem era?
Após todas estas ideias terem percorrido a minha memória de curto, médio e longo prazo, finalmente balbuciei um:
- Sim, sou eu.
Antes que eu lhe perguntasse quem era, ele disse-me:
- Eu sou o autor do One Guy Alone e reconheci-te. Pelo teu cabelo, pelo teu sorriso e pela simpatia. És tal e qual como eu imaginava.
Os meus óculos escuros cobriam-me metade do rosto, por isso ele perdeu a oportunidade de ver uma mulata a corar. Foi incrível o sexto sentido dele, o facto de ter parado por alguns minutos a vida dele e de ter parado também a minha. Conversámos uns 20 minutos à porta do supermercado, embriagados pela estranheza da situação. Felizes pelo acaso do universo.
No final cada um seguiu o seu caminho e voltou para a sua vida. Mas sabemos que o mundo parou durante aqueles 20 minutos, em que duas pessoas que se escreviam e-mails semi-íntimos há um ano, se conheciam na vida real e no meio da rua.
Ele escreveu sobre mim no blog e eu emocionei-me. Porque parece que fala de uma estrela de cinema.
Na fila de uma caixa de supermercado, sossegado da vida, de garrafa de água na mão para pagar, cruzei-me com uma pessoa que desde o inicio da nossa “relação” senti uma empatia desmesurada, sem reserva e com a simplicidade por mim desejada.
Esta “relação” surgiu através deste meio e por sorte a pessoa fantástica em causa, tem algumas fotos expostas, as suficientes para poder memorizar alguns detalhes da sua beleza.
Paguei a minha água, saí para o exterior do espaço comercial e aguardei tremelicadamente pela sua saída. (...)
Podem continuar a ler aqui.
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Pelos vistos era mentira
6.7.10
Ele viajou para 2015.
Vamos aguardar 5 anos e logo volto a publicar o post abaixo.
Vamos aguardar 5 anos e logo volto a publicar o post abaixo.
Hoje Marty McFly chegaria ao Futuro
6.7.10
Post roubadíssimo ao Facebook do Francisco Véstia
Não há carros que voam, nem hoverboards à venda, o 3D precisa de óculos e as roupas não secam sozinhas. Marty McFly chegaria hoje ao futuro.
Shame on you, Mr. Zemeckis. Nós acreditávamos em ti!
O escritor
2.7.10
Recentemente apresentaram-me o Kalaf dos Buraka Som Sistema. Parece que é famoso.
A questão é que os Buraka rebentaram em Portugal quando eu não morava cá e, acreditem, três anos fora do nosso país é quase uma morte cultural.
Comecei a conversar com ele e achei natural quando, ao segundo minuto de conversa, ele começou a apontar o meu número de telemóvel e o endereço do meu blog no seu I-Phone. Conversámos sobre música africana e sobre escrita. Disse-me que escrevia uma crónica no Público às quintas-feiras e nesse momento rendi-me. Bombardeei-o com perguntas e ele lá ia respondendo divertido.
Indiscreta? Sim. Mas só sobre coisas que são realmente importantes.
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