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Tradutor, esta é para ti

30.9.10
Para todos aqueles que têm de explicar à família e amigos que traduzir é, de facto, um trabalho;

Para todos aqueles que lêem um manual de instruções, não para aprender como se utiliza um aparelho, mas para verificar como foi traduzido;

Para todos aqueles que ficam a trabalhar até às 3h00 da manhã e se levantam às 6h00 para rever a tradução e entregar no prazo acordado;

Para todos aqueles que, num jantar de amigos interrompem a conversa, sacam do bloco de notas e caneta e dizem "Desculpa, podias repetir essa expressão para que eu aponte aqui?";

Para todos aqueles que relêem uma tradução feita por si próprios e pensam "Mas fui eu que escrevi isto??", seja para o bem, seja para o mal;

Para todos aqueles que trabalham dia e noite, sábado e domingo, todos os feriados e ouvem os amigos dizer que "os tradutores têm uma vida fácil porque trabalham em casa";

Para todos aqueles que ouvem constantemente "Aprendi Inglês na escola. Se calhar também podia experimentar ser tradutor, tal como tu";

Para todos aqueles que acordam sobressaltados à noite, lembrando-se de uma palavra e batem na testa "Bolas, devia ter usado "incógnito", em vez de "desconhecido";

Para todos aqueles que fazem das palavras uma arma e um escudo...


...Um excelente dia do Tradutor!

Dia Internacional do Tradutor

30.9.10


 Génesis 11:1-9

1 Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras.

2 Emigrando do Oriente, os homens encontraram uma planície na terra de Chinear e nela se fixaram.

3 Disseram uns para os outros: «Vamos fazer tijolos, e cozamo-los ao fogo.» Utilizaram o tijolo em vez da pedra, e o betume serviu-lhes de argamassa.

4 Depois disseram: «Vamos construir uma cidade e uma torre, cujo cimo atinja os céus. Assim, havemos de tornar-os famosos para evitar que nos dispersemos por toda a superfície da terra.»

5 O SENHOR, porém, desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar.

6 E o SENHOR disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projectos.

7 Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.»

8 E o SENHOR dispersou-os dali por toda a superfície da Terra, e suspenderam a construção da cidade.

9 Por isso, lhe foi dado o nome de Babel, visto ter sido lá que o SENHOR confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra, e foi também dali que o SENHOR os dispersou por toda a Terra.


Então, veio o TRADUTOR e reuniu o mundo todo novamente.


Um abraço a todos os meus colegas de profissão.

Saramago no CCB

28.9.10

Fotografia de José Mário Silva, 
jornalista e bibliotecário de Babel nas horas vagas


Domingo foi um dia especial. 
No Centro Cultural de Belém, foi inaugurado o "Caminho de Saramago" por António Mega Ferreira e por Violante Saramago Matos. De seguida, as poucas dezenas de pessoas interessadas neste evento seguiram o director do CCB até a uma sala onde aconteceu arte.
Nesta tarde ouvimos leituras de várias obras de Saramago: destaque para o jovem actor Pedro Lamares que em 45 minutos fez uma recolha das melhores passagens do livro O ano da morte de Ricardo Reis e que emocionou toda a plateia. Um dos momentos mais especiais da tarde foi a conversa com Zeferino Coelho, o editor e amigo de longa data de Saramago. Contou-nos episódios engraçados, factos e estórias na primeira pessoa, testemunhando um passado em conjunto com Saramago e popularizando a sua figura. Foi uma delícia ouvi-lo falar. 
O único ponto negativo foi o facto de a maior parte da audiência rondar a faixa etária média dos 55 anos. Aparentemente, os jovens já não querem saber de mitos.

GREY'S ANATOMY - A melhor frase de todos os tempos

24.9.10
This is not a dying pain.
It's a healing pain.

5 coisas a NÃO FAZER quando for jantar ao Restaurante AdLib

23.9.10

1 - Não ir vestido como quem sai do trabalho. 
Imperativo o lacinho para os homens e saltos altos para as mulheres. Se tiver uns brincos de rubi e punhos de ouro na camisa, arranjam-nos uma mesa melhor.

2 - Não falar de sexo durante o jantar
Especialmente não usar as palavras "mamas", "pila", "orgasmos" e nunca, nunca dizer em voz alta:
"Mas tu vieste-te? Fico muito feliz por ti!!!"

3 - Não mexer nos recipientes de vidro decorativos que estão em cima da mesa
Não são mais do que uns rectângulos em vidro, provavelmente da Marinha Grande, com uns peixes feitos em cerâmica lá dentro. Ora aquilo tem uma espécie de líquido onde figuram estes peixes. Mas o líquido é mais espesso do que água. Então, por favor, nunca abane os recipientes pensando que se trata de gelatina transparente, sob pena de a água se derramar pela mesa e o empregado o/a repreender com um monocórdico: "Isso era água".

4 - Não descurar o tom da sua gargalhada
As pessoas que vão ao AdLib não são pessoas muito felizes. Vão porque gostam de gastar 80 euros num jantar e porque gostam de apresentar despesas no IRS em nome do escritório de advogados onde trabalham. Se por acaso for ao Adlib no âmbito da Restaurant Week, suponho que seja uma pessoa de classe média. Portanto, comporte-se sempre como uma pessoa rica. E, por favor, não ria. Limite-se a sorrir como se tivesse esparregado no meio dos dentes.

5 - Não esquecer de passar no McDonalds antes
O AdLib deveria ser uma casa de design de comida, não uma casa onde se come. Os pratos são muito bonitos, apesar de os alimentos estarem concentrados nos 3 centímetros centrais do prato. Os pratos principais e as sobremesas são um pouco como os modelos: bonitos para a fotografia, mas não muito bons de se comer.


Informação Geral:
O Restaurante AdLib encontra-se no número 127 da Avenida Liberdade. A decoração é bonita e o serviço no geral é agradável. Mas é tão chique, tão chique que, inconscientemente, senti a necessidade de boicotar um bocadinho aquele ambiente de pretensiosismo.

Mulher de Fibra

22.9.10

No outro dia o meu pai dizia-me que por nunca me ter dado mimos em excesso é que eu me tinha tornado a mulher de fibra que sou hoje.

Na verdade, os meus pais nunca me trataram como uma criança. O meu pai era futebolista e passava a vida a treinar e a minha mãe trabalhava todo o dia. Puseram-me na Dona Zezinha, uma ama muito querida e lá passava os meus dias, até aos 5 anos, quando entrei para a primeira classe. A minha primeira memória de infância foi aos dois, quando um dia ela me pôs a fazer a sesta e eu, não tendo o meu papá cantor ao pé, cantei a minha própria canção de embalar até adormecer. Era o "Oceano" do Djavan.
Fui muito independente desde cedo. Aos 5 anos entrei para a escola primária e para a natação. Lembro-me de ir para a Piscina Municipal de Portimão completamente sozinha. Enquanto os balneários pululavam de pais que iam lavar as costas e os pipis às minhas colegas da natação, eu tomava duche sozinha. E olhem que não era fácil lavar o cabelo encarapinhado sozinha. Mas eu sempre me safei muito bem.
Não me tratavam como criança até mesmo nas conversas que tinham comigo. Aos 8 anos, ao ver-me a cantar desenfreada e em modo-metralhadora "Podes-não-saber-cantar-nem-sequer-assobiar-com-certeza-que-não-vais-desafinar-em-PLAYBACK", não só me ensinou sobre o fenómeno dos Milli Vanilli, que durante anos enganaram o mundo inteiro a cantarem em playback, só porque tinham bom aspecto, mas na realidade eram outros dois que cantavam, como me contou também a história do Carlos Paião. Que tinha sido enterrado vivo. E, muito enfático como sempre, o meu pai contou a uma menina de 8 anos facilmente impressionável que tinham aberto o caixão e o cadáver estava virado ao contrário e que a porta do caixão estava toda arranhada da parte de dentro. Escusado será dizer que tive pesadelos com mortos e caixões até sensivelmente aos meus 15 anos.
Aos 10 anos vi pela primeira e única vez o filme "Atracção Fatal" com a Glenn Close e o Michael Douglas. Ver a maluca da amante com uma faca a esvair-se em sangue e depois afogar-se na banheira ficou na minha cabeça. Por isso incomodam-me os filmes com o Michael Douglas. E Glenn Close, nem vê-la à frente. 
Foi na mesma altura em que vi o filme "O Corvo" e me fizeram o favor de contar que o Brandon Lee (o filho do Bruce) tinha morrido a meio das filmagens (e explicaram-me exactamente qual era a cena em que ele morreu), porque uma das pistolas tinha pólvora verdadeira. Homicídio ou acidente - nunca se descobriu. Mas fiquei traumatizada com a ideia que, mesmo nos filmes, há coisas que podem ser reais.
Por volta dos 11 anos o meu querido pai decidiu contar-me a história do O.J. Simpson, que já aqui mencionei. Contou-me que ele tinha assassinado a mulher e o amante. Quando lhe perguntei por que não tinha sido preso, lá me falou da história de aceitação dos negros nos Estados Unidos e da justiça que, por vezes, fecha os olhos. 
Por tudo isto, acho que fui crescendo com uma ideia demasiado real do que era o mundo. E hoje, aos 26 anos, poucas coisas me tiram o chão. A fibra? Essa vou tendo a cada dia mais.

 

Noite de Cão

21.9.10
Cheguei a casa depois de um dia extenuante de trabalho. Estava morta de cansaço. Fui para a banheira e não havia gás. Fiquei com os pés gelados. Depois, enrolada na toalha, fui abrir uma garrafa de Borba para tomar um copo e relaxar. A rolha esfarelou-se e metade ficou encravada. Tentei empurrá-la e puxá-la e nada. Deitei fora a garrafa de Borba completamente cheia. O gás entretanto voltou. E eu voltei para a banheira. Tomei um banho quente. Enrolei-me na toalha e fui para o quarto. Vi que tinha uma infestação de formigas no parapeito da janela. Fui buscar o DUM-DUM e matei as formigas. Aspirei as formigas e o quarto. O spaghetti all'aglio, olio e peperoncino que tinha feito entretanto ficou frio. Comi e vi um episódio de Friends porque nestes dias só o tanso do Chandler me faz rir.

Preparem-se para os melhores 5 minutos da vossa vida

21.9.10
Os Axis of Awesome são um trio cómico australiano. Eles misturam música e comédia.
Em Portugal não há nada do género. O Francisco Menezes, que tem uma óptima voz, bem melhor do que o irmão que participou na primeira edição da Operação Triunfo, tentou fazer algo parecido, mas não direccionou a carreira para a música com comédia. E é pena.
Hoje encontrei este vídeo depois de o ter visto pela primeira vez há 1 ano. E senti o arrepio de entusiasmo como na primeira vez.
Numa palavra: extraordinário!



Momentos inesquecíveis #4

21.9.10


Niterói, no final de uma tarde passada no rodízio.

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim


(Samba do Avião, Mestre Tom Jobim)

É oficial

18.9.10
Hoje foi o dia em que desisti de ti.

E a resposta da ELLE chegou

16.9.10


Cliquei no "send".
Estava contente com a carta. Tinha explicado bem os meus pontos e tinha justificado perfeitamente a minha indignação. Tudo isto sem nenhuma espécie de sentimento de raiva nem amargura. Fi-lo porque todos temos voz. Mas fi-lo principalmente pela função didáctica. Eu queria genuinamente que a jornalista e todo o resto da revista aprendessem alguma coisa naquele dia. Que é preciso pesquisar e investigar antes de redigir um artigo para uma revista que tem uma excelente reputação no mercado. Que é necessário ter sensibilidade linguística e social. Porque, afinal de contas, nunca sabemos quem nos está a ler. 
Mais tarde vi que tinha resposta.
Abri o e-mail com um sorriso nervoso, como quem abre o e-mail do homem que nos roubou o coração.
Foi a própria directora da Elle que respondeu ao e-mail, falando em nome da jornalista, que se remeteu ao seu silêncio sepulcral, e de toda a equipa. No e-mail dizia o seguinte:


Olá Rafaela,
Obrigada pelo seu mail. Vou ver com redobrada atenção tudo o que refere. Adianto, no entanto, que temos o maior cuidado nas traduções/adaptações que publicamos e que não existe qualquer tipo de descriminação entre os jornalistas que formam a equipa Elle.
Um abraço,
Fátima Cotta


Li uma vez. Duas vezes. Três vezes.
Tentei desviar a atenção da palavra "descriminação" mal escrita e focar-me na mensagem. Foi difícil porque tenho uma certa aversão a erros ortográficos. 
"Rafaela, não sejas picuinhas agora. Não te percas nos pormenores." - pensei para mim.
Quando o nervoso acalmou, veio a iluminação:
Eles não perceberam absolutamente nada do que escrevi na carta!

1 - Ignorou os dados concretos.

Disse que ia ler com redobrada atenção o que tinha escrito, como se os meus comentários fossem passíveis de uma "opinião" ou aprovação por parte de alguém. Não, eram todos factos perfeitamente concretos: a Robin Givhan, autora do artigo original, é uma mulher (negra) e a jornalista escreveu - duas vezes - que era um homem; mulher de idade média é um erro de tradução de middle-aged woman; e a palavra "preto" não deve ser escrita em contexto jornalístico. Tão simples quanto isto.

2 - Referiu o conceito de discriminação racial.

No e-mail que escrevi, em parte alguma, refiro ou acuso a ELLE de praticar qualquer tipo de discriminação. Acredito sinceramente que não foi o caso. Mas acuso a ELLE de falta de profissionalismo na redacção deste artigo: utilização de vocabulário indevido, falta de investigação e tradução de má qualidade. Foram estes os três pontos que foquei e que são inegáveis.


Sendo uma pessoa que não sabe alimentar discussões (nunca poderia ser advogada, porque nunca tenho boas respostas na ponta da língua), demorei uma semana para sentir vontade e inspiração para escrever esta carta, vejam bem. Mas respondi ao e-mail da Sra. Directora dois minutos depois.
Em apenas quatro linhas agradeci a sua resposta e atenção, mas fiz questão de explicitar que não se trata de uma questão de discriminação, que não fora essa a minha intenção. Apenas a de chamar a atenção para a forma como aquele artigo em particular foi publicado.
No geral fiquei feliz. Porque é bom saber que vozes de burro de vez em quando chegam ao céu.





Nota Especial:
Nos últimos dias houve um verdadeiro forrobodó no Facebook à conta deste e-mail (graças às meninas Elite e Mónica Lice do blog Mini-Saia que gentilmente publicaram o link ao meu post nos seus perfis). Embora a maior parte das mensagens tenham sido de apoio - como se de uma guerra se tratasse - houve algumas pessoas para quem isto foi um não-assunto. Não as condeno. Esta guerra não é delas.

A revista ELLE e os pretos

14.9.10
Há uns dias comprei a Elle.
Adoro as revistas da época da rentrée. Parece que vêm com um novo fôlego, cheias de entusiasmo, artigos interessantes e uma lufada de ar fresco para soprar de vez com a silly season daqui para fora.
Comecei a ler a revista imbuída no espírito de descontracção de quem lê este tipo de revistas. Na página 80, a descontracção deu lugar à incredulidade. Depois à indignação. Telefonemas para cá, e-mails para lá, e afinal o assunto é mesmo chato, não é exagero da minha parte. Chato, para não dizer grave.
Num artigo sobre o novo tipo de mulher que está a ganhar espaço nas passerelles mundiais (manequins opostas à Kate Moss), o regresso das curvas e das formas, etecetera e tal, falam como sempre da Michelle Obama. As revistas de moda adoram a Michelle Obama. Porque o amarelo lhe fica bem, porque tem um ar atlético e principalmente por um grande factor: porque podia ser qualquer uma de nós.
Este artigo em geral revela vários erros de tradução, pesquisa pobre sobre o material sobre o qual se estava a escrever e escolhas linguísticas lamentáveis. Indignou-me particularmente o uso do termo "preta", visto que é um termo carregado de más vibrações, linguisticamente e socialmente falando.
Hoje escrevi um e-mail dirigido à jornalista que realizou o artigo. Mas não só a ela. Enviei também à directora, ao departamento da redacção e ao Correio do Leitor. Bolas, pensando bem agora, duvido que vá ganhar o Chanel n.º 5 que oferecem à melhor carta do mês.



No e-mail, eu disse o seguinte:


Ao cuidado da Ex.ma Sra. Marta Pablo, da Ex.ma Sra. Directora Fátima Cotta e da Redacção da Elle,

Como apreciadora da linha editorial da Elle há muitos anos e como leitora atenta, venho por este meio tecer alguns comentários relativamente a um artigo por si adaptado, na edição deste mês da mesma revista.

1 - O artigo que focava a nova feminilidade (páginas 78-80) foi escrito pela jornalista e editora de moda Robin Givhan e não pelo jornalista e editor de moda, como referiu a Sra. Marta Pablo. Uma breve pesquisa no Google, no sítio web Wikipedia ter-lhe-ia concedido imediatamente esta informação: é uma mulher, e não um homem.

2 - O artigo em questão trata-se visivelmente de uma tradução. Sabemos que uma tradução é má, quando conseguimos perceber que é uma tradução. E quando conseguimos “ler” o texto escrito na língua original por detrás do texto em português. Tendo em conta que a Sra. Marta Pablo não é tradutora, mas sim jornalista de moda, deveria das duas uma:
- ou ter confiado o trabalho de tradução/adaptação do artigo a um profissional da tradução;
- ou ter prestado mais atenção durante a sua tentativa de tradução.
Dou-lhe como exemplo a péssima tradução de middle aged woman, que a Sra. Marta Pablo traduziu como mulher de idade média. Ora, escusado será dizer que este termo não existe na língua portuguesa. Existiria eventualmente "mulher da Idade Média" (ou Idade Medieval) em que se refere a um período da História Mundial, situada entre o século V e o século XV. O termo correcto em português seria “mulher de meia idade”.

3 - Por último, a Sra. Marta Pablo por duas vezes usou, lamentavelmente, o termo “preto” no seu texto. Passo a citar:
Preta, 46 anos, Michelle Obama tem servido como um exemplo perfeito da verdadeira mulher de idade média americana.
e:
E porque é uma mulher preta de 46 anos, com um físico atlético, tem servido como um exemplo perfeito da verdadeira mulher de idade média e real consumidora.

Sendo uma consumidora acérrima de revistas, jornais e livros, leio milhares de páginas mensalmente. Nunca, repito, nunca li em algum lugar o termo “preta”, que certamente terá sido outra má tradução do inglês “black”. Qualquer pessoa minimamente informada, saberia que no mundo anglófono o termo "black” não tem o peso que o termo “preto” tem em português. A Sra. Marta Pablo, como jornalista, deveria saber que existe um longo caminho a percorrer entre a linguagem oral e a linguagem escrita. Deveria saber, sendo originária ou vivendo num país com um historial difícil de colonização, que o termo “preto” tem uma conotação negativa, pejorativa e humilhante. A Sra. Marta Pablo terá todo o direito de usar o termo "preto" na sua vida pessoal, em conversa com familiares e com amigos, mas nunca, nunca, nunca deverá usar esse termo numa revista que tem como alvo mulheres bem formadas e, pasme-se, algumas delas serão eventualmente pretas. O termo politicamente correcto e socialmente aceite é “negra”.

Espero que estas considerações sejam construtivas para que a Sra. Marta Pablo possa continuamente melhorar as suas competências jornalísticas tendo em conta os seguintes factores: investigação e sensibilidade.

Desejo a todos os destinatários do e-mail os melhores cumprimentos,

Nome e Apelido Comprido


P.S.: Sou tradutora e negra. Tal como a Michelle Obama e a própria Robin Givhan. 

SONDAGEM

13.9.10

Se o Jorge Jesus fosse aos Ídolos, que frases iria ouvir?


a) Não tens imagem

b) Começaste bem, mas depois espalhaste-te ao comprido

c) Tens uma forma de vestir um bocado azeitola

d) Fazes tanto sentido no Benfica como um volante num frasco de pickles

e) Dedica-te a outra coisa que isto não é a tua praia

 

Direitos de autor: roubadíssimo ao status do Facebook do caríssimo Rui Sinel de Cordes

Querida amiga

13.9.10
Não chores.
(In)felizmente o mundo não acaba com o fim de um namoro.

Considerações das 4 da manhã

12.9.10
Há alguns dias que tenho vindo a pensar nisto mas só hoje tive esta epifania.
60% das pessoas que conheço faz anos em Setembro.

...



...


...


...


...


...



...


Ora, isto quer dizer que os casais só fodem no Natal?



P.S.: Eu sou de Novembro. Pelos menos os meus pais foram mais originais: fui concebida no Carnaval.
Possivelmente ao som de "Morooo num país tropical, abençoado por Deeeeuuus e bonito por natureza!".

Mind Travelling

12.9.10
Esta música transporta-me para outra dimensão. Uma dimensão onde tudo é maravilhoso.

Gosto da Sara Bareilles

9.9.10


Sim. 
Gosto muito de MPB e de bossa nova. O jazz chega-me ao fundo da alma. Vibro com o swing. Grito e canto sem parar com o rock dos Queen. Sou capaz de ouvir 200 vezes seguidas o American Pie do Don Mclean e tantos outros clássicos dos anos 70. Phill Collins, Peter Gabriel, Ottis Redding, Frank Sinatra, you name it. A música dos anos 80 deixa-me bem-disposta, não só porque testemunhou o meu nascimento, como também porque representou uma viragem na história da música contemporânea. Mas também gosto de pop. Andam por aí algumas coisas de muita qualidade, embora esteja tão na moda não se gostar de música comercial.

A Sara Bareilles encantou-me desde início pela sua natural indefinição como artista. Tem uma voz maravilhosa e sabe cantar, toca piano. Não é blues, nem R&B, nem folk, nem pop-rock...mas anda ali à volta. Quando há dois anos lançou o primeiro álbum - Little Voice - deixou-me viciada no single Love Song. Melodia gira, upbeat e que fica no ouvido de forma extraordinária. Os meus colegas de trabalho italianos disseram-me recentemente que sempre que ouvem essa música, pensam em mim. Pudera, eu cantava aquilo durante horas, todos os santos dias no escritório.

Ontem, 3 anos após o primeiro álbum, foi lançado o novo CD da Sara: Kaleidoscope Heart. Não vou fazer download ideal, mas vou à Fnac comprá-lo, com todo o prazer, como faço sempre com os músicos de que gosto e que respeito. No entanto, há um aspecto que lamento: a Sara Bareilles com a música de qualidade que faz, e mesmo sendo suficientemente comercial, não alcança nem vai alcançar nunca os lugares cimeiros dos tops. Porque não anda com as mamas à mostra e porque não tem um tipo de beleza convencional. 
O talento? Esse tem para dar e vender. E afinal de contas, é isso que interessa, né?

Um dos meus locais preferidos no mundo

6.9.10

Riomaggiore, Cinque Terre - R.L

26 de Agosto de 2006 - etapa final de uma viagem de um mês sozinha de norte a sul de Itália

Piadas do séc. XXI

6.9.10


Na sala do nosso apartamento, a minha querida flatmate, olhando para o tijolo imenso pousado em cima da mesa pergunta-me:

- Rafa, o que é isso?
- É o meu disco externo.
- Ihhh, é tão grande... Parece um router!


P.S.: O meu disco é um vintage Toshiba do longínquo ano de 2006. Pesa 2 kgs.

Sensibilidades

2.9.10

Meu amor, dormir contigo é escutar Gal e Tom
O que rolar é bom

No outro dia, em conversa com alguém, mencionava este excerto desta música do Djavan. Ela fez um sorriso amarelo, como se esta frase representasse nada mais do que isso: palavras. 
Porra, para mim é uma das frases mais intensas presentes numa canção e a maior homenagem que se pode fazer a alguém.

Boa Rentrée

1.9.10
Mar de Setembro

A rentrée é como o ano novo.

Criam-se planos, idealizam-se projectos, planeiam-se programas, fazem-se promessas e há um optimismo inabalável. Que dura mais ou menos até Novembro, quando começamos a amaldiçoar o frio e a rezar para que o Verão chegue rapidamente outra vez.
Ideias nunca me faltam. Até ao final do ano tenho os seguintes planos:

- fazer um curso de escrita criativa
- ler o Gomorra, para poder falar-vos sobre o Roberto Saviano com conhecimento de causa
- regressar às aulas de viola, porque estar com o Claudinho faz-me muito bem à alma
- conseguir dormir mais de 5 horas por noite
- voltar a sentir formigueiro intelectual
- fazer um curso de refresh de francês, porque é triste jogar 10 anos de aprendizagem língua para o lixo
- trabalhar menos, de preferência
- continuar a divertir-me
- e ser feliz, essencialmente.


Desejo uma boa rentrée a todos vós. Porque a cada (re)começo existe uma oportunidade para mudar e melhorar.

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