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Sabem o melhor?

29.10.10
À parte estas coisas dele, em que me apetece bater-lhe com um chicote até ele gritar pela mãe, eu até gosto do meu colega. Rimo-nos muito um com o outro e damo-nos bem. Só é pena ele não gostar de pretos.

Não falo à toa

29.10.10
Portanto o que se passou foi o seguinte:

Hoje no escritório, ao conversarmos num tom divertido sobre um boato que correu há uns anos de que o Mantorras terá alegadamente ficado com o BI caducado e terá rasurado manualmente a data de validade do seu BI escrevendo "para sempre". Isto é uma coisa até engraçada porque é ridícula. Não sei se o fez por ingenuidade ou se por ignorância e nem sequer sei se este episódio é real.
E o meu colega comentou:
- Epa, como é que podem dizer que os pretos não são burros?

Meti-o no lugar dele obviamente, obriguei-o a pedir desculpa, e fiz uma pergunta retórica em alto e bom som, para que a minha chefe ouvisse:
- Como é que é possível, numa empresa em pleno século XXI, trabalharem pessoas com ideais racistas?

Ninguém piou.

Bolas!

29.10.10
Já vos disse tenho um colega de trabalho que é racista?
Não é divertido.

Joni

28.10.10
Já vos disse que gosto muito da Joni Mitchell?
Pois é.

Pronto, agora já disse.

-less

28.10.10
Ah e tal, vou-me inscrever no Curso de Escrita Criativa, para poder desobstruir o meu cérebro, as minhas ideias, a minha cabeça, para arranjar um hobby e para dar animação ao blog.

Pois...e isto anda paradinho, sem inspiração nenhuma.

Bonitas Homenagens

28.10.10
- There is a Portuguese director who’s still making films at more than 100 years old. I plan to do the same thing.

Clint Eastwood, referindo-se a Manoel de Oliveira, numa conferência de Imprensa em Nova Iorque.



- O Mario Vargas Llosa telefonou-me na semana passada, pedindo-me desculpa por ter ganho o Nobel em vez de mim.

António Lobo Antunes

O Neemias do Ídolos

25.10.10


O Neemias é um menino de 16 anos. Um menino que mantém uma relação de admiração profunda e respeito para com a Música. Soube-o quando, no primeiro casting, ele pegou na viola e cantou Nickelback. Perante um incidente com a alça da viola, o Neemias não se intimidou nem demonstrou ter ficado nervoso ou ter perdido o chão, e continuou como se nada fosse. Porque a voz estava lá e o show must go on
Foi o meu concorrente preferido desde esse momento. Seja pelo timbre especial que tem, tipicamente R&B. Seja pela timidez enternecedora. Seja pelo talento indiscutível.
À medida que as fases de casting foram avançando, o Neemias perdeu-se no meio dos nervos, cedendo à lágrima fácil e demonstrando não ter muito estofo nem resistência psicológica para a agressividade que este programa apresenta. O júri referiu várias vezes que o Neemias do primeiro casting não voltou a aparecer e que era uma pena. Mas mesmo assim, apesar de se esquecer das letras, de não se distinguir no casting dos trios, de não ter voltado a brilhar, o júri optou sempre por ir fazendo-o passar à fase seguinte. Porquê? Porque reconhece que tem ali um potencial enorme e uma extraordinária margem de evolução.
 Os doze finalistas já foram escolhidos e durante esta semana caberá ao público escolher o 13º. Será o Neemias ou a Maria?
Cá fico a torcer pelo Neemias porque talentos verdadeiros não se discutem. 
E uma pessoa que canta assim, não pode simplesmente regredir. A única meta é o céu.



Particularidades da vida moderna

23.10.10

Um casal de amigos separou-se recentemente. Ao conversar comigo, ela contava-me desconsolada:

-Pois é amiga, chegámos a um ponto da nossa relação em que a única coisa que tínhamos em comum era que ambos líamos o teu blog.

Stanley

22.10.10
 Albano Jerónimo, Lisboa, 2010
Marlon Brando, Los Angeles, 1951


É preciso comentar alguma coisa?
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O Eléctrico Chamado Desejo

22.10.10
 Alexandra Lencastre como Blanche Dubois

Albano Jerónimo como Stanley Kowalski


Ontem fui ver o Eléctrico Chamado Desejo, peça incontornável do teatro americano do século XX. Nunca tinha entrado no Teatro D. Maria II.  Foi a primeira vez que vi uma peça portuguesa e senti-me ridícula por isso. Já fui à Broadway, já vi o Fantasma da Ópera em Londres, já vi teatro no Rio de Janeiro...e nunca tinha ido ao teatro em Portugal.
Fiquei na primeira fila. Senti o perfume francês da Alexandra Lencastre, senti o cheiro dos (muitos) cigarros do Albano Jerónimo, estava tão perto deles que consegui ver os pés-de-galinha, as rugas profundas, os músculos, o suor dos actores. 
Nunca tinha visto o filme, que granjeou a um jovem Marlon Brando a sua primeira nomeação para o Óscar de Actor Principal, por isso a minha mente estava virgem e livre de quaisquer associações.
Gostava de poder fazer uma crítica extraordinária como a da Ana Campos (não se coíbam de lê-la aqui), mas infelizmente não tenho talento para tal. Mas sei o que senti ao ver aquele elenco luxuoso em palco (Lencastre, Albano Jerónimo, Lúcia Moniz, Pedro Laginha) e a representarem uma peça que tem o seu quê de melancólico e inquietante.

Fico feliz especialmente pela Alexandra Lencastre: que prova - para quem dúvidas tivesse - que é a melhor actriz da sua geração, que renasce das cinzas depois de anos e anos com a imprensa a escrutinar-lhe a vida pelas suas paixões ou pelos homens que lhe partem o coração, que mostra ao país que pára diante das telenovelas, que ela é muito, muito mais do que uma protagonista da TVI.


Truques de Mulher

21.10.10
Como hoje me espera uma noite especial, pensei em estrear finalmente os botins que comprei na Zara há quase 1 mês. Gosto mesmo muito deles:

...Mas como não teria sobrevivido na caminhada para o trabalho hoje de manhã, trouxe-os na minha mala. Assim, para poder chegar a horas e calcar a Alameda a pé, trouxe nos pés as minhas Sketchers. O sapatinho feiinho mais confortável do mundo inteiro.


Os botins logo ponho quando sair do trabalho e me enfiar dentro de um táxi.

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Este miúdo é um génio

14.10.10
Pois é, caros leitores...
Pensei várias vezes se havia de publicar isto ou não. Por um lado, não queria deitar achas para a fogueira, porque não gosto de grandes discussões. Por outro lado, não queria que o mundo ficasse na ignorância e gostava que pudesse rir comigo durante o visionamento destes vídeos.
Uma querida amiga blogosférica, que tenho a certeza que mais cedo ou mais tarde passará para amiga da vida real, mandou-me em tom de brincadeira um vídeo de um jovem vlogger (video-blogger) brasileiro, que refere - de forma cómica - exactamente as mesmas coisas que eu referi no post sobre os erros ortográficos. Vou deixar-vos esse e mais dois vídeos do rapaz. São vídeos de 5 minutinhos e passam num instante. E este Felipe Neto tem mesmo, mesmo muita graça.


GENTE QUE ESCREVE ERRADO

As pessoas se incomodam cada vez menos com o conhecimento intelectual e cada vez mais com tudo o que é divertido e fútil. Pra' você que faz isso, eu tenho um recado muito importante:
O MUNDO NÃO É UM PARQUE DE DIVERSÕES. A vida tá prontinha para te enrabar na primeira oportunidade que ela tiver. ENTÃO PEGA A PORRA DE UM LIVRO, TOMA VERGONHA NESSA CARA, ou você irá ser tratado para sempre como um verme da sociedade, excluído, uma criança idiota que nunca cresceu... 
(Ui)



SHOPPINGS

Revoltantes são os shoppings em que tem uma escada rolante de um lado e a outra escada rolante do outro lado...Quem foi o "filha da puta" que inventou isso?



CRESPÚSCULO

Mas enfim foda-se eles se apaixonam. E aí vem um dos melhores diálogos da história.
- Eu já matei pessoas, Bella.
- (cara de monga) Não importa.
- Eu já quis matar você.
- Eu confio em você!

O QUÊEEEE????!

Vejam aqui

Good Vibes

14.10.10

Chamam-lhe "one of today's most refreshing pop stars".
Impossível não concordar.

O Clive Owen intriga-me

11.10.10


Aconteceu com ele o mesmo fenómeno presente na carreira de outros actores como o Viggo Mortensen (com a trilogia de O Senhor dos Anéis), Hugh Jackman (X-Men), Steve Carell (Virgem aos 40) ou Patrick Dempsey (Grey's Anatomy): tornar-se um sex-symbol e ter reconhecimento público depois de alcançar os 40 anos. Fenómeno este que não acontece com as mulheres, infelizmente. As que são reconhecidas nessa idade normalmente têm já uma longa carreira às costas. Não se tornam famosas aos 40. No máximo, continuam famosas aos 40. Com os homens não. Eles tendem a melhorar e a apurar com a idade, pelo que os papéis de maior destaque surgem a partir dos 40.

Com o Clive Owen passou-se o mesmo. Depois de uma carreira discreta e praticamente invisível aos olhos do grande público, foi com Closer que se deu a conhecer ao mundo. Dividindo o ecrã com um perfeito Ken como o Jude Law, o Sr. Owen conseguiu a proeza de ser o actor que mais se destacou no filme arrecadando muitas nomeações e prémios como melhor actor secundário daquele ano. A partir de 2004, data do filme, a sua carreira e popularidade dispararam em flecha. Parece-me daqueles actores consensuais. Homens e mulheres gostam dele, provavelmente até pelos mesmos motivos. No entanto, nunca senti "química" com ele. Vi uns 10 filmes seus nos últimos anos (Closer, Children of Men, King Arthur, Derailed, etc), mas nunca me chamou particularmente a atenção. Reconheço obviamente o seu talento inegável, mas...não muito mais. Não aprecio o seu tipo de beleza, embora goste imenso da voz dele. Os timbres graves e profundos mexem muito comigo, pelo que acho que a voz do Clive Owen e do Philip Seymour Hoffman sejam as mais interessantes de toda a Hollywood.

Ontem fui ao cinema. Sozinha, como faço muitas vezes. Era uma hora pouco habitual: uma da tarde e, como suspeitava, tinha a sala quase toda para mim. Fui ver o novo filme dele: The Boys are Back. Histórias entre pais e filhos tocam-me sempre de forma especial. E este foi uma bela surpresa. É um filme triste, sim, mas com uma sensibilidade e candura extraordinárias. Em cada cena conseguimos ver o esforço do realizador em fugir aos clichés, à facilidade do romance e da lamechice. E este actor é tão bom que acreditei piamente em cada lágrima e em cada gargalhada dele.



Nota: 
The Boys are Back tem um título muito mal conseguido em português: Só eles!
Esta frase e este ponto de exclamação dão a entender que se trata de uma comédia e poderá eventualmente afastar várias pessoas da sala de cinema. O Clive Owen não tem perfil de actor de comédia; é demasiado intenso para filmes-pipoca.

Sem Título

8.10.10
Os meus amigos dizem-me que sou uma boa contadora de histórias. De histórias não, porque nada do que conto é inventado. Talvez exagerado, à boa maneira burtoniana de um Big Fish. Por isso, não se trata de histórias, mas de episódios da (minha) vida real que, muitas vezes, se assemelham a um filme. 
Alguns meus amigos gostam deste blog porque conseguem ouvir a minha voz por detrás da história que estou a contar e chegam a escrever-me "estou mesmo a imaginar-te a contar isto, estou mesmo a ver como isto tudo se passou". Não porque eu escreva bem, mas porque eles me conhecem.
Assim é natural que haja pessoas que tenham achado o anterior post sobre os erros ortográficos um exercício de egocentrismo ou arrogância da minha parte. Mas não é: trata-se apenas de uma característica minha e todos os que lidam comigo sabem que sou assim e que, por algum milagre de Deus, não dou erros. 
Tal como a Luna tem um fabuloso espírito crítico e sarcasmo na ponta da língua, a Pipoca escreve maravilhosamente bem e com um humor aguçadíssimo, a Kitty Fane tem um cabelo maravilhoso e uma doçura inata, a minha característica é falar muito e não dar erros. Tão simples quanto isto.
Nunca referi que as pessoas que dão erros deveriam ser apunhaladas até à morte ou erradicadas da face da terra. Apenas referi que eu não gosto de ler blogs com erros. Por isso não os visito. 
Não tenho dúvidas nenhumas que aquele post teria sido extremamente engraçado se eu tivesse feito um vídeo e dito as mesmíssimas coisas para a câmara e o tivesse publicado aqui. Porque falar é completamente diferente do que escrever, mesmo que a mensagem seja a mesma. 
Assim, de forma a mitigar esta discrepância entre linguagem escrita e a linguagem oral (em que sou visivelmente melhor), comecei um curso de Escrita Criativa que durará três meses.

Porquê? Porque não tenho medo nenhum de admitir que tenho muito a aprender.

Eat Pray Love

7.10.10

Outra vez  a mesma história
Lágrimas, homens charmosos e óptimo marketing. São os filmes de hoje em dia.

Bom dia, o meu nome é Rafa e não dou erros ortográficos.

6.10.10

Aprendi a escrever e a ler na idade em que é suposto.
Nunca fui dotada de nenhum dom sobrenatural, só se for para conversar (aliás, vi que existia no Livro dos Recordes do Guiness uma mulher que conseguia falar durante 70 horas e eu tenho quase a certeza que conseguiria bater esse recorde), por isso aprendi a ler e escrever na escola primária, na primeira classe, como a maior parte dos seres humanos.
Aprendi as vogais:
a
e
i
o
u
Primeiro em minúsculas, depois em maiúsculas. 
Depois vieram as consoantes, que alegria! Detinha-me muito na perfeição da caligrafia e lembro-me perfeitamente de nas férias de Verão da primeira classe ter-me esquecido como se fazia a letra Q em maiúscula e de ter chorado copiosamente, a pensar que iria chumbar o ano seguinte porque não sabia fazer o Q enrolado.

Não sei se foi a mestria da professora Lutília Rocha que me acompanhou durante os 4 anos da escola primária, ou se foi o facto de ter lido bastante em criança (livros de criança, não li nada de literatura clássica até ter idade para isso) mas a verdade é que nunca dei erros. Acredito que todos os seres humanos possuem dons a vários níveis e acredito que o meu dom seja não dar erros ortográficos.
Obviamente não estou isenta de possíveis acusações de potenciais leitores curiosos - que só "por curiosidade" poderão ir ler o meu blog desde Março de 2006 até hoje só para tentarem apanhar um erro. Podem sim apanhar-me erros de estrutura; tenho algumas dificuldades - principalmente depois de ter vivido tanto tempo no estrangeiro e de ter tido pouca exposição à língua portuguesa - com os "lhe"/ "a"/"o", por isso é possível que se me escapem erros relativos aos complementos indirectos e pronomes. Mas erros ortográficos, não.

Quando, em conversa, comento isto com alguém, as pessoas ficam algo desconcertadas e brincam: "Ó Rafa, toda a gente erra. Por favor!"
Pois, eu sei disso. Eu também erro...em muitas coisas. Mas não nestas. Desde sempre tive uma sensibilidade fora do normal para a língua portuguesa e a partir do momento em que sei uma palavra, aprendo como se escreve. E nunca falho. Por isso, quando passeio pela blogosfera e vejo blogs que apresentam erros (ortográficos e gramaticais) do género:

- não tem nada a haver;

- estive tua espera;

- não estou á vontade com esta situação;

- o que escreves-te ou falas-te ou sorris-te...

- de haverem tantas pessoas...

..sei que são blogues que nunca mais irei visitar.

Porque se é para perder o meu tempo, que seja com pessoas que não só dizem coisas interessantes, como as dizem correctamente. Por isso ficam a saber que todos os blogs que estão na lista de links ao lado passaram pelo rigoroso crivo e aprovação gramatical e ortográfica da Rafa, a segunda pessoa mais picuinhas do mundo.*

Nota Importante: 
Apesar de me doer ligeiramente o peito ao ler "Apesar do Governo considerar estas medidas..." ou "Depois da actriz Penelope Cruz ter casado com o Javier Bardem..."...tento fechar os olhos, pois é um erro muito comum. Segue a explicação:
- A contracção "de+a/o" apenas é possível em frases nominais, como "Apesar da chuva, o tempo está agradável". 
- Quando se trata de uma frase com um verbo, não pode existir contracção da preposição "de", como em "Apesar de a chuva não parar de cair, o tempo está agradável".




* - Conheci recentemente a pessoa mais picuinhas do mundo: foi um rapaz, que conheci numa tasca do Bairro Alto, que me criticou por não ter colocado o ponto à frente da abreviação de n º, quando escrevi há umas semanas Chanel nº 5. Conforme prometido, foi corrigido para Chanel n.º 5.

Primeiras sensações de um emigrante

4.10.10

Estás na fila do check-in.
Olhas para os outros passageiros e sorris. Uma onda de orgulho e alguma superioridade invade-te. Não vais de férias, nem tiraste um fim-de-semana prolongado. Vais, sim, obedecer ao que a canção do cabeleireiro dizia e vais mudar de vida. 
Depois de alguma negociação com o pessoal de terra, finalmente consegues despachar a mala. Os 20 kg de limite, de repente, revelaram-se insuficientes. Na mala colocaste apenas aquilo que consideravas "estritamente necessário". Levaste 5 livros, porque não querias que o teu quarto estivesse vazio de arte. Levaste a tua máquina fotográfica, os dois telemóveis e respectivos carregadores. O portátil. A lingerie preferida, porque isto nunca se sabe. Levaste roupa fresca pois o Verão não se despediu ainda, mas também roupa quente porque daqui a um mês já o Inverno terá assentado os seus arrais por toda a Europa. Enfiaste atabalhoadamente os sonhos lá dentro também. Mas esses não pesam. E ainda bem, porque são imensos.  Levaste tudo o que é importante na tua vida com o qual conseguirias sobreviver um ano. Porque não sabes quando vais regressar à tua casa.
Dou-te uma novidade: neste momento, deixaste de ter casa. Quando arrumas uma vida, despedes-te dos amigos e vais trabalhar e viver para outra cidade, deixas oficialmente de ter uma casa. O sítio para onde vais torna-se a tua nova casa. E esta leviandade emocional - como alguns lhe chamam - vai salvar-te a vida. Porque pensar que a tua nova cidade é a tua casa é meio caminho andado para a integração.
Entras no avião.
Sentas-te à janela para veres a tua terra pela última vez. Tens a cabeça cheia de ideias, resoluções e planos. Ir para um novo país é como nascer novamente. Terás de iniciar um novo trabalho, fazer novos amigos, eventualmente aprender uma nova língua. Ali ninguém te conhece. Ninguém sabe do teu passado, ninguém te profetiza o futuro. É o presente que conta e é esse que vais agarrar pela mão.

Metáfora

3.10.10
Lá estava ele.
No palco, sentado num banco alto, tocava o seu violão. Cantava de tudo um pouco: pagode, forró, samba. Cantava Djavan com a mesma naturalidade de quem cantava Alcione. Eu dancei ao som da música dele e cantava com as dezenas de pessoas que enchiam aquele barzinho brasileiro do Bairro Alto.
Era bonito e muito sensual. Lábios carnudos, pele morena, cabelos fartos e bem penteados. As miúdas todas de volta dele. Olhou para mim e eu, tímida, desviei-me do seu campo de visão. Não estou habituada a trocas de olhares no meio de multidões excitadas, mas foi um momento bonito. Esqueci-me por momentos do quase-flirt existente e fui à casa-de-banho.
Passados alguns minutos, ele entra. Notei naquele momento que era coxo e, ao caminhar, tocava com os joelhos no chão. Acho que não tinha tíbia.

Metáfora da minha vida amorosa.





Nota informativa:
Esta pequena história é real e aconteceu no sábado, 2 de Outubro, em Lisboa.

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