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Manias linguísticas

30.11.10
Não gosto da palavra "espectacular".
Acho sempre que quem a usa é um bocado burro ou tem um vocabulário limitado. O "espectacular" tornou-se uma bengala de discurso dos portugueses nos últimos 5 anos. Sempre que se aprecia alguma coisa, toca a usar "espectacular". Nunca esta palavra me teria irritado, se houvesse alguma contenção no usá-la, mas isso não acontece. Parece que esta palavra entra de rompante no cérebro das pessoas, varrendo dele todas as outras palavras da língua portuguesa que demonstram agrado, como o "maravilhoso", "lindo", "magnífico", "bestial", "genial", "fantástico", "delicioso", "fabuloso"...e tantas outras. Quem usa "espectacular", normalmente usa-a de forma cegamente obcecada, em todas as frases de uma conversa.
Quem conversa comigo já conhece esta minha intolerânciazinha  e quando, por acaso, deixa escapar a palavra "espectacular", olha para mim muito assustado como quem diz "Por favor, por favor, não deixes de ser minha amiga. Escapou-se-me. Juro pela minha saúde que nunca mais irei proferir tal palavra!" Eu sopro com aquele meu ar de impaciente, meio a brincar, meio a sério, e depois sorrio.

O "brutal" está a ir pelo mesmo caminho. Como é que de uma palavra negativa, "bruto", pode surgir um termo para exprimir algo positivo? Alguém me explica esta façanha? De repente tornou-se super cool dizer "brutal", porque sugere um certo ar radical, mas sem chegar ao calão. Vê-lo na vida real já é comum, agora vê-lo na televisão...é uma tortura. Por exemplo, os concorrentes do Ídolos não sabem usar outro termo. Coitados, fica-lhes tão mal. O que é feito ao "Maravilha!" ou ao "Porreiro!". Bolas, coisas boas chamam-se "maravilhas" e não "espectacularidades" ou "brutalidades".

Enfim pessoal, vamos lá usar o dicionário e arranjar palavras mais giras, ok?

Das velhas amizades...

26.11.10
Ontem enviei um e-mail ao meu ex-melhor amigo.
Escrevi no assunto "Não é irónico?" Claro que não quis plagiar nenhuma cantora pop-rock canadiana, mas é uma frase que ilustra a situação que atravessamos actualmente.
No curto e-mail dizia-lhe o quão irónico era o facto de ele, no ano passado, ter sido o convidado de honra para a minha festa de aniversário (a primeira em Lisboa) e que este ano ele nem sequer os parabéns me tinha dado.
E assim acabou uma amizade de 8 anos.

Das novas amizades...

26.11.10


No fim-de-semana passado contava a uma amiga recente com quem tenho passado algum tempo ultimamente e dizia-lhe que tinha a sorte de fazer um ou dois bons amigos por ano. E que me sentia muito feliz com essa ideia, de saber que a cada ano ainda consigo conhecer pessoas especiais que decido que quero ter na minha vida. Ela abriu aqueles olhos enormes e anuiu "Isso é muito bom!".
Depois disse-lhe que ela era uma delas. Daquelas pessoas que quando eu estivesse doente me traria uma canja ou me fizesse um chá.
Ela acrescentou rapidamente:
- E levava-te um Ovo Kinder.
Eu ri-me e perguntei-lhe:
- Como é que sabes que eu gosto de Ovos Kinder?
Ela no seu habitual tom calmo:
- Rafa, toda a gente gosta de Ovos Kinder.

É tão verdade. :)

É ou não enternecedor?

24.11.10
Diálogo num primeiro encontro:

Ele: - Acompanhas-me ali fora para eu fumar um cigarro?
Eu: - Está bem.
Ele: - Tu fumas?
Eu: - Não, não fumo.
Ele: - O fumo incomoda-te?
Eu: - Um bocadinho, cof cof. (tusso para fazer um bocadinho de fita).
Ele: - Achas que o tabaco vai ser um problema na nossa relação?

27

24.11.10

O que têm em comum o Jimi Hendrix, o Kurt Cobain, a Janis Joplin e o Jim Morrison?
Todos tiveram mortes estúpidas aos 27 anos de idade.

Ontem, eu fiz 27 anos. E nunca me senti tão viva.

Noite Perfeita

16.11.10

Tinha saudades de passar uma noite a traduzir.
Tenho cerca de 2500 palavras ainda para fazer hoje. Prevejo que me vá deitar por volta das 2h00. Mas ganho 250 euros até lá. Quase tão bom como as putas.
Com a vantagem que tenho o aquecedor aos pés, um café na mão e Sade a tocar.

Ensaio sobre a Falsidade

16.11.10

Todos as pessoas têm um bocadinho de falsidade.
Por vezes manifesta-se logo na infância: se calhar somos mais simpáticos para aquela menina que se mascara de dama antiga no Carnaval e que usa sapatos verniz ou então emprestamos o apara-lápis àquele menino que ouvimos dizer que tem uma casa com piscina, na esperança de obter uma tarde bem passada quando o calor apertar. 
Há quem adquira a falsidade na adolescência: convidamos para o nosso aniversário no restaurante da moda aquela rapariga que tira excelentes notas e que, perante toda esta simpatia e solicitude, nunca nos iria recusar um pequeno pedido de ajuda no teste de Físico-Química, se estivéssemos mesmo muito aflitos. 
Ou então acontece sermos falsos, quando somos jovens adultos e estudamos na universidade. Todos sabemos que o networking é uma coisa importante para o futuro, por isso convidamos ocasionalmente para uma noite de copos a filha daquele empresário e dizemos-lhe que as calças ficam-lhe super bem. Elogios são o melhor cartão de entrada para a intimidade com o outro. E lá prosseguimos todos contentes como se tivéssemos descoberto a pólvora, porque finalmente conquistámos a atenção de uma pessoa relevante.
Se por acaso houver quem consiga manter-se durante estas três fases da vida incólume a este jogo de interesses e seduções, eis que na vida adulta não há hipótese de fintar a falsidade. Refiro-me ao mundo do trabalho. Primeiro, candidatamo-nos a um trabalho. Fazemos uma breve pesquisa sobre a empresa e vamos à entrevista, com aquele misto de terror e esperança. A necessidade de pagar contas ao final do mês é um estímulo para a nossa capacidade de bajulação, pelo que reiteramos o quanto gostaríamos de trabalhar para eles e o quanto seríamos importantes para aquela empresa.
Depois alguém nos contrata e ficamos aliviados porque alguém "caiu na conversa". E estamos safos. Passados dois ou três anos, aquele trabalho e aquela empresa pela qual teríamos dado um dente da frente no passado, torna-se insuportável. E voltamos à caça. De algum outro trabalho que nos faça vibrar e sorrir, nem que seja apenas nos primeiros dois meses. E começa a dissimulação. 
Escrevemos um e-mail com uma candidatura magnífica quando estamos numa hora morta no nosso escritório actual. Há até quem cometa a burrice (não há outra palavra) de enviar com o e-mail da empresa. Depois a empresa desejada telefona-nos. Pedimos licença aos nossos colegas com um ar comprometido, murmurando "É a minha tia, vou para a varanda". Depois combinam-se reuniões e entrevistas após as 18h00 para que ninguém desconfie de nada.
Se entretanto o nosso chefe actual nos chama para reunião e nos pergunta como vão as coisas, dizemos com todo o carinho: "Estou muito feliz, estou contente com esta posição". Mal ele vira as costas, surge no nosso rosto aquele sorriso matreiro como quem diz "Daqui a pouco já não me pões a vista em cima, seu cromo de merda". 
Quando finalmente nos fazem uma proposta de emprego formal e avaliamos todos os prós e contras e, finalmente, decidimos ir embora de um trabalho que não nos faz sorrir para um local onde depositamos todas as nossas expectativas e esperanças, redigimos a carta de demissão e convocamos uma reunião com o chefe. Muitos agem com indiferença e com pouco drama, porque esta é a lei natural da vida, mas acredito que todos sentem que foram traídos. 
A verdade é que, mais cedo ou mais tarde, todos acabamos por trair alguém que em nós confiou.
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Lata é...

15.11.10

...estar na livraria de um famoso centro comercial de Lisboa num sábado à tarde. Encontrar o livro do Nelson Mandela que esperava ansiosamente que chegasse a Portugal. Abraçá-lo e acariciá-lo e cheirá-lo à frente de toda a gente. Depois sentar-me no sofá à frente da caixa e começar a lê-lo com toda a reverência do mundo. Ler as primeiras dez páginas, sorrir com certas passagens, ficar maravilhada com as partes manuscritas do livro. Continuar a acariciá-lo e cheirá-lo. Dirigir-me então à caixa e pedir ao funcionário:
- Boa tarde. Vou levar este livro.
- Sim senhora.
- Gostaria que fizesse um embrulho, por favor.
- Sim senhora. Deseja um talão para troca, sem referência de preço?
- Sim, sim, muito obrigada.
- Deseja um lacinho?
- Sim. Dourado, por favor.

E depois colocar o livro na mala e desembrulhá-lo em casa e fazer um grande OHHHH maravilhado ao ver o rosto do Mandela na capa, como se fosse o melhor presente do mundo.
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The Artist and His Project

12.11.10
It's one thing to take photographs because we can. Striking poses worthy of a Facebook profile picture. Making faces at the photographer. Raising a glass of wine and toasting some invisible person because it looks good and, one day, someone will see the photograph and – smiling to themselves – they'll think that it was part of a beautiful moment. It's one thing to go travelling and take photos outside the Apple Store in New York, before there were any other such photos in existence in the whole world. Or to take a photo from the water of the bluest-skied Ibizan beach.  Or to take a photo of Bonnie Tyler when we see her tottering by in Albufeira, and that is something that certainly doesn't happen every day.

Somebody invented the camera to eternalise such memories. So that in case one day when we have Alzheimer's, or simply when life's chapters become so chock-full that it seems impossible for us to remember every salient moment and episode of our lives, there is that piece of paper (or in more modern terms, the JPEG file on our computers) to remind us that it did indeed happen. Gabriel Garcia Marquez once said that La vida no es la que uno vivió, sino la que recuerda y cómo la recuerda para contarla (Life is not what one lived, but what one remembers and how one remembers it in order to recount it). Well, I would go further than that and say that Life is not what we lived, but what we photographed in order to recall later on. I know, it's clearly inspired by a Kodak slogan.

Then there are those people for whom Photography (capitalised because we are talking about it as art) is a form of communication. Even a way of living and breathing. Perhaps with that compact machine of light-heartedness they even manage to capture photographs of their friends during nights of drunken intoxication, whilst retaining an enviable respect for their art. And they invest in it, buying cameras that cost as much as cars and adventuring through the fabulous world of accessories: macro lenses, magical tripods, kilometric focal lengths... all this to enable them to depict reality better.  Their reality.
I know a person like this. He swapped Madrid for Dublin 6 years ago before surrendering to Lisbon 1 year ago. He is around here (living and working), he photographs our beautiful city with the fresh perspective of a tourist, but with a resident's sense of intimacy.


Why am I telling you about him today?
Because Alatryste (his artistic and on-line name) has created an incredibly interesting project: he asked all his friends and colleagues to give him a word, a concept, or a phrase. His proposal was to translate these concepts into photographs. And, from this, a real artistic project has emerged. Now, his Interactive Photography Project has been published as a book and we could all offer this to an artistic soul within our group of friends this Christmas period. As if that weren't enough, 50% of the sales revenue will be donated to Greenpeace. Even in times of crisis, we cannot forget two things: generosity and our love of art.

From this project, these are my favourites:


Silky Sweetness


Destiny


Hedonism


Evolution
And I don't mean the theory or what there was, but what we are going at. The next step.


Hope 


Serenity


Simple







To check his book and to buy it, go to: http://www.blurb.com/bookstore/detail/1714737

To see Alatryste's Portfolio, check: http://www.flickr.com/photos/alatryste


O Artista e o seu Projecto

10.11.10
Uma coisa é tirar fotografias porque sim. Fazer poses dignas de perfil de Facebook. Fazer caretas para o fotógrafo. Levantar um copo de vinho e brindar para alguém invisível porque fica bonito e quem um dia vir a fotografia vai sorrir e pensar que aquele foi um bom momento. Uma coisa é ir viajar e tirar fotografias à frente da Apple Store de New York, antes de existir qualquer outra no mundo inteiro. Ou tirar uma fotografia dentro de água na praia mais azul de Ibiza. Ou tirar a fotografia à Bonnie Tyler quando a vemos passar à nossa frente, a cambalear, em Albufeira e isso definitivamente não acontece todos os dias.

Alguém inventou a máquina fotográfica para perpetuar a memória. Assim, um dia quando tivermos Alzheimer, ou simplesmente quando a vida se tornar tão cheia de capítulos, caso seja impossível lembrar-nos de todos os momentos e todos os episódios marcantes da nossa vida, ali está aquele pedaço de papel (ou mais modernamente falando, um ficheiro JPEG no computador) para nos relembrar que aquilo de facto aconteceu. O Gabriel Garcia Marquez disse um dia que La vida no es la que uno vivió, sino la que recuerda y cómo la recuerda para contarla. Ora, eu chegaria mais longe e diria que A vida não é aquilo que vivemos, mas aquilo que fotografámos para mais tarde recordar. Visivelmente inspirado no slogan da Kodak, eu sei.

Depois há aquelas pessoas para quem a Fotografia (coloco em maiúscula, pois falamos da arte) é uma forma de comunicar. Uma forma de respirar até. Talvez até consigam pegar numa máquina compacta de ânimo leve e fotografar os amigos em noites de bebedeira, mas mantêm uma reverência invejável em relação a esta arte. E investem nela, comprando máquinas fotográficas do preço de um carro e aventuram-se no fabuloso mundo dos acessórios: lentes macro, tripés mágicos, objectivas quilométricas...tudo para poder retratar melhor uma realidade. A sua realidade. 
Conheço uma pessoa assim. Trocou Madrid por Dublin há 6 anos e rendeu-se a Lisboa há 1 ano. Está por cá (vive e trabalha), fotografa a nossa linda cidade com a frescura de um turista, mas com a intimidade de um residente. 

Por que vos falo dele hoje?
Porque o Alatryste (nome artístico e nome web) criou um projecto interessantíssimo: pediu a todos os amigos e conhecidos para dizer uma palavra, um conceito ou uma frase. Ele propôs-se a traduzir estes conceitos para uma fotografia. E saiu dali um verdadeiro projecto artístico. Agora, o seu Interactive Photography Project virou livro e poderíamos todos oferecer a uma alma artista do nosso grupo de amigos durante a época de Natal. Como se não bastasse, 50% das vendas irão reverter para a Greenpeace. Mesmo em tempos de crise, não podemos esquecer duas coisas: generosidade e o amor pela arte. 

No âmbito deste projecto, eis as minhas preferidas:


Destiny


Hedonism


Evolution
And I don't mean the theory or what there was, but what we are going at. The next step.


Hope 


Serenity


Simple


Silky Sweetness





Para ver o livro e para poderem comprá-lo, entrem em:
http://www.blurb.com/bookstore/detail/1714737

Para ver o portefólio do Alatryste, entrem em:
http://www.flickr.com/photos/alatryste

A namorada do meu amigo

9.11.10

Todas já estivemos nessa posição. 
Começamos a namorar com um homem. E passado algum tempo começamos a perceber em que meios ele se move, com quem se dá, em quem confia. Estas pequenas descobertas são uma alegria para qualquer mulher porque uma relação mede-se não só pela intimidade entre as duas pessoas, mas também pela forma como ele lida com o exterior. E tudo isto faz parte do conhecimento e da cumplicidade entre o casal.
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Um dia percebemos que ele tem amigas. Ó que mundo cruel, não somos as únicas mulheres na vida dele. O nosso lado racional tenta acalmar-nos e dizemos para nós próprias: "Que parvoíce, se ele está comigo, é porque gosta de mim. Se ele e ela são amigos há mais de 10 anos e nunca aconteceu nada, por que deveria ter medo?". Depois descobrimos que a amizade dele é recente. "Bolas, será que ele teve a necessidade de fazer amigas? Eu não lhe basto?"...e pronto, começa a festa na nossa cabeça e está o caldo entornado.
Mas também há aquelas relações tranquilas e seguras em que a namorada compreende que o namorado tem uma vida social activa e que é perfeitamente normal conhecer novas pessoas...e poderá haver uma outra mulher entre essas pessoas. Mulheres essas que não querem necessariamente saltar para cima dele, mas que simplesmente consideram haver ali uma empatia impossível de ignorar.
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Este fim-de-semana conheci a namorada de um amigo que fiz recentemente. Não o conheço muito bem, mas saímos várias vezes juntos e estabeleceu-se uma química engraçada. Nada de grandes intimidades, mas uma sensação mútua que se precisarmos, aquela pessoa está ali por nós. Claro que ele me tinha falado (muito bem) dela e eu sempre acalentei uma vontade de a conhecer. E este fim-de-semana foi uma autêntica chuva de emoções. Conversámos horas num bar barulhento, trocámos abraços eufóricos como se nos conhecêssemos há mil anos. Ele observava-nos sem se meter: "Mulheres, vá se lá percebê-las." - deveria pensar ele. Deve existir uma espécie de código genético entre as mulheres, algo que defina a priori as possibilidades de uma relação de amizade vir a ter sucesso ou não.
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Neste caso, embora houvesse à partida uma vantagem para ambas em nos darmos bem (assim, o namorado e a namorada ficam em harmonia; a namorada conhece a amiga do namorado e percebe que não há nada a temer, porque a amiga está totalmente na friend zone; a amiga fica descansada pois não tem de se preocupar se é motivo de ciúme; e a amiga, o namorado e a namorada podem ir passear e jantar juntos como se conhecessem todos desde a infância), no nosso caso...foi algo mais profundo do que isso. Acredito verdadeiramente que se a tivesse conhecido no meio da rua, sem termos absolutamente ninguém em comum no nosso círculo de amigos, eu certamente tê-la-ia abordado e dito: 
- Eu quero ser tua amiga.

A verdade é que numa noite quase fiquei a gostar mais dela do que dele.


Para a menina Lúcia

8.11.10

A minha amiga Lúcia faz hoje faz 27 anos. 
Ontem pouco depois da meia-noite, bem não, eram quase 2 para dizer a verdade, na mensagem que lhe mandei de parabéns dizia-lhe algo do género: "27 anos...é impressionante como dois terços da tua vida, passámo-los juntas. Estarei aqui até ao fim."
De facto, e lamento o meu mau gosto, a última palavra que as pessoas que fazem anos querem ouvir é "fim". Mas acho que no contexto não ficou muito mal. Hoje ela respondeu-me com um "gabo-te a tua capacidade matemática às 2 da manhã". E eu ri, claro. No passado já aqui reflecti sobre a importância que esta mulher tem na minha vida (podem espreitar este post escrito há uns bons anos) e não é esse o meu objectivo hoje. Apeteceu-me simplesmente prestar-lhe uma singela homenagem.

Ela conhece o meu melhor e o meu pior. E eu o dela. Temos um grau de intimidade que nos permite sermos cinzentas, coloridas, selvagens, parvas, cómicas, ternurentas, coléricas, sem o medo que isso afecte a nossa relação. Chateamo-nos e temos a maturidade e humildade suficiente para dizer à outra em lágrimas: "Eu sou assim, tu sabe-lo. O que posso fazer para melhorar? Ajudas-me?". Passamos a mão na cabeça da outra e alargamos as costas para proteger a outra em caso de perigo. Conhecemo-nos desde os 9 anos (9 x 3 = 27, perceberam?), o que perfaz 18 anos de amizade. 18 anos é uma vida adulta. Um dia disse-me que a amizade que sentia por mim era tão grande que se eu matasse alguém, ela vinha e ajudava-me a esconder o cadáver. (Senhores da Polícia Judiciária, acredito piamente que seja uma força de expressão. Por favor, não persigam a minha amiga Lúcia nem a submetam a um interrogatório, pois ela é verdadeiramente inofensiva).

Dizemos com alguma frequência que gostamos uma da outra. Mas não muito, porque não somos dessas merdas. O maior testemunho da nossa amizade é sermos íntimas (eu mostrei-lhe como usar um tampão com aplicador) há tantos anos e não haver nada que pareça romper este laço. Desenganem-se as almas românticas que acham que andamos sempre juntas e nos telefonamos todos os dias. Não, por vezes estamos algumas semanas sem falarmos, ambas temos outros amigos com quem contamos para as mais diversas actividades, mas sabemos que quando estamos juntas, ahh...somos aquelas miúdas barulhentas do liceu de Portimão outra vez.

Hoje ela faz 27 anos. E é reconfortante ter a certeza de que quando chegar aos 100 anos de idade, eu vou estar lá a soprar as velas com ela. Como acontece desde que éramos crianças. 

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Primeiras Vezes

5.11.10
Ontem dei uma das poucas tampas da minha vida.
Não estava minimamente entusiasmada para sair com o jovem em questão...e não fui mesmo. Pela reacção de espanto do rapaz, um "Estás a brincar???" muito interrogativo, deu-me a entender que nunca tinha sido rejeitado na vida. Pois...para tudo há uma primeira vez. Been there, my friend.

What's the point?

4.11.10
Diz que tenho um date hoje à noite e que não estou nem um pouco entusiasmada.

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