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Horóscopo personalizado para 2010 (sim, dois mil e dez)

31.12.10
Seguindo a ideia fabulosa da Ême, aqui publico o meu Horóscopo relativo ao ano transacto.

Finanças:
Irá ganhar uma quantidade de dinheiro considerável, mas não conseguirá economizar nada, como é hábito. Trabalhará por dois para conseguir amealhar o suficiente para os seus luxos de sempre: viagens, livros, jornais e revistas e a manutenção dos seus bonitos cabelos.

Saúde:
No início do ano terá pela primeira vez na vida uma otite e irá sofrer muito. Mas durará apenas 3 dias, não se preocupe. Após esse percalço, não registará problemas de maior, apenas a constipação ocasional da estação. Irá consultar um nutricionista que proibirá as massas e muitos outros excessos da sua alimentação, mas passado pouco tempo desiste da ideia porque afinal gosta é de comer. Lembre-se: a vida não é só festa e comer. Há coisas melhores. Tente novamente e vai ver que resulta e gostará de se ver ao espelho. Irá inscrever-se no Holmes Place e apesar dos 80 euros de mensalidade, colocará lá os pés apenas uma vez por mês, em média.

Vida social:
Passará o ano de 2010 numa autêntica roda-viva: conhecerá algumas celebridades, tornando-se amiga de uma delas, e ficará encantada com o submundo boémio. Irá beber muito, comer muito e rir-se muito. A sua companhia será sempre apreciada por quase todos. Optará por excluir algumas pessoas da sua vida que nada acrescentam à sua essência e finalmente compreende que a quantidade nem sempre significa qualidade. Reencontrará velhos conhecidos que se tornarão amigos e parte constante da sua vida, abandonará algumas pessoas que durante anos foram muito importantes para si. Conhecerá muita gente nova que a deixará com um sorriso nos lábios. Sentirá muitas saudades dos amigos que deixou em Itália, mas estes têm-na no coração. Manterá o contacto com as pessoas mais importantes e algumas até virão visitá-la a Lisboa, pelo que poderá exibir os seus dotes de cicerone.

Amor:
2010 não será um ano bom para a sua vida amorosa. Terá algumas pessoas interessadas em si, mas desejam apenas momentos de luxúria e nada de profundo. Esquecerá completamente o ex-amor que lhe causou um desgosto no passado e sente que pode seguir em frente. Alguém gosta verdadeiramente de si, mas você não está interessada nessa pessoa. É pena e acontece a todos.

Viagens:
A maior parte das viagens que fará em 2010 será a locais que já conhece bem: Milão (duas vezes), Roma, Nápoles, Nice e Barcelona. No entanto conhecerá novos locais pelos quais se apaixonará: a Costa Amalfitana (Sorrento, Positano, Amalfi, etc) e Dublin, que se revelará a melhor viagem do ano. Grande parte do seu rendimento é gasto com viagens, mas não se arrepende. Gosta de viver enquanto cá está.

Família:
Nada de novo. Existe saúde e todos estão vivos. Terá uma discussão com o seu pai no final do ano, mas lembre-se que ele provavelmente é a pessoa que mais a ama, por isso não guarde rancor.

Trabalho:
Continuará com a sua vida dupla. De dia trabalhará na agência de tradução como Project Manager, um trabalho de que gosta e que lhe dá um rendimento fixo ao final do mês. Durante as noites e fins-de-semana, será tradutora freelancer. O dinheiro que ganhar durante o ano será totalmente proporcional ao seu esforço. E esforçar-se-á herculeamente.

Arte e intelecto:
Sentirá alguma frustração por não conseguir ter um hobby estável. Começará com aulas de viola, que lhe farão muito bem à alma, mas devido à distância que tem de percorrer semanalmente, ficará desmotivada. Conselho: retome as aulas, alimentar o dom que se tem é uma grande bênção.
Graças ao seu blog, irá conhecer algumas pessoas interessantes que começarão a fazer parte da sua vida diária. O seu blog sofrerá um pico de popularidade devido a uma polémica travada entre você e uma publicação portuguesa. No final, terá valido a pena.
Irá inscrever-se num curso de Escrita Criativa, mas passado pouco tempo perderá a motivação pois acredita que o talento vem de dentro e não de um curso que custa 230 euros.
À semelhança do ano anterior, comprará muitos livros com excelentes intenções, mas não os lê. A sua falta de tempo e o excesso de trabalho que terá ao longo do ano irão acabar com a sua energia para tudo o resto. Verá alguns bons filmes, mas nenhum deles memorável. Invista mais na sua vida cultural.
Irá a bastantes concertos e terá um dos seus melhores momentos do ano no concerto do Mika. Viva a alegria.

Nota do autor do horóscopo:
Se no final do ano se sentir frustrada, não se preocupe. Esqueça 2010, pois 2011 é que será provavelmente o ano da sua vida. Só dependerá de si.

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Eu e as paneleirices

30.12.10

Uma das coisas que mais me irrita na minha pessoa é esta minha extraordinária capacidade de me perder em pormenores de pouca importância. Vá, em paneleirices.
Saí do trabalho às 18h00 a correr porque tenho 3000 palavras de tradução do italiano para o português para fazer e entregar ainda hoje. Antes claro, passei na Fnac para comprar um disco externo (tão pequeno e tão bonito), que não parecia um disco e sim uma embalagem oca, pelo que me dirigi ao balcão informativo, esperei que o rapazito acabasse de falar ao telemóvel, a quem eu fazia sinais e gesticulava como quem diz "Olhe - esbracejava perante o seu olhar cego e impávido - eu só preciso de saber se isto é mesmo um Disco Externo. É que não parece nada.". Ele lá me deu alguma atenção (muito pouca, porque não se pode dar confiança a gente que gesticula da forma que eu fiz) e me respondeu com aquele tom com que eu normalmente falo a pessoas que dizem a palavra "espectacular": "Sim, senhora...isso que tem na mão é um disco externo". E lá fui eu pagar os 69 ,90 euros toda contente por trazer 500 gigas de puro design para o meu lar, onde decidi que ia permanecer vestida, porque estando com roupa de casa fico demasiado confortável e se ficar demasiado confortável, trabalho menos depressa. 
Entretanto, chegada a casa, falei com a Sílvia e com a Aida um bocadinho sobre a vida e sobre o Facebook e toca a ir para o quarto, ala que se faz tarde, que já são 19h30 e ainda tenho 3000 palavras para fazer. E fui para o quarto, liguei o Vaio e ia começar a trabalhar, não antes sem ver o Facebook, a mensagem da Luna, o Google Reader, deixar um comentário, não, antes dois no blog da Descalça, de quem gosto muito. 
Nesse momento, reparo que o meu Vaio não tem uma das borrachinhas na base e que por isso baila ligeiramente na secretária. Oh meu Deus, que não tem uma borracha! Onde será que a deixei? Deixa-me cá ir ver à mala, se calhar caiu quando o levei para Portimão no fim-de-semana passado. Não, não está lá dentro. Oh senhor, deixa-me ver no chão. Não, não aquilo é cotão, não é borracha. Bolas preciso mesmo de aspirar o quarto - isto de deixar janelas abertas em tempo de vento é tiro e queda. 
Oh e agora o que eu faço sem uma borracha na base do meu Vaio? Deixa-me cá procurar na Internet a ver se encontro algum fornecedor que venda estas coisas. Bolas, como se chama esta porcaria em inglês? Vou experimentar escrever rubber e Sony Vaio no Google a ver se encontro. Ah, claro chamam-se "rubber feet". 
Toca a procurar no Ebay. Não, no inglês não encontro, talvez no americano. Epa, no americano estão a vender mas são usadas, eu não quero borrachas usadas. E custam 12 dólares. Bolas, onde vou encontrar uma borracha?? Espera aí, que vejo no Ebay italiano. Como se diz mesmo "borracha" em italiano? Ai, ai que não me lembro. Dah, claro que era "gomma". Como é que não me lembrava? Digito "gomma" e aparece-me "nessun resultato trovato". 
Ó que desespero, o que eu faço sem uma borracha do Vaio? Deixa-me cá ver na gaveta, acho que tinha uma borracha de apagar. Talvez com um X-acto eu consiga cortar um círculo pequeno e perfeito que me possa servir como substituto da base para o Vaio. Cacete, não encontro a borracha! Mas também não tinha X-acto. Nem super-cola para depois colá-la à base do computador.
Olho para o relógio e vi que se passaram 2 horas desde que cheguei a casa. E é assim perco o meu tempo. Nas mais completas e ridículas paneleirices.

Nota: eu vou ficar a trabalhar até às 2 da manhã e sei que só irei adormecer às 4, porque vou ficar a pensar na borracha do Vaio.

O Follow-up

30.12.10


Em qualquer manual de gestão de recursos humanos, em qualquer artigo sobre o mercado de trabalho, damos de caras com o conceito de "follow-up".
To follow up pode ser traduzido em português como "dar seguimento", embora o termo em inglês se tenha tornado num conceito de business internacional, estando presente em todas as línguas.
O follow-up revela-se muito importante durante o processo de recrutamento e selecção de um potencial empregado. Quando me candidatei para a posição de Project Manager na empresa onde trabalho actualmente, segui os parâmetros normais: vi o anúncio de emprego no Expresso. Pensei para com os meus botões "Boa, era mesmo isto que eu queria!". Mandei o meu CV junto com uma carta de apresentação onde resumia a minha experiência. (sim, era mais ou menos parecida com a carta de apresentação do post anterior) Passados uns dias fui chamada para a entrevista, que acreditava não ter corrido especialmente bem. No dia seguinte, escrevi um e-mail de follow up. Muito curto e simples. Nesse e-mail agradeci o tempo disponibilizado com a minha entrevista e reiterei a minha vontade em trabalhar naquela empresa. Depois de um ano na empresa, soube que foi aquele e-mail que garantiu a minha contratação.

O conceito do follow-up é essencial na nossa vida amorosa. Imaginem: saímos com um tipo e até foi agradável. Nada de fogos-de-artifício nos nossos olhares, mas giro. É normal esperarmos por um follow-up: "olha, gostei do nosso jantar", "foi uma noite bem passada, "havemos de repetir um dia destes", "és uma mulher interessante", "há muito tempo que não me divertia assim"...as possibilidades são infinitas. Eu parto do princípio de que, se não há follow-up, não há interesse.
E o follow-up, tal como nas entrevistas de trabalho, deve ser feito passado pouco tempo. No dia seguinte de preferência.

Recentemente saí com um tipo que fez um follow-up medíocre. Sim, até me escreveu na própria noite um sms, mas isso não conta. Os sentidos ainda estão despertados, o álcool ainda está no corpo, o lápis preto ainda está semi-abandonado nos cantos dos olhos. Só depois de uma noite de sono e de um bom banho é que decido se quero sair com aquela pessoa novamente. Nos dias depois do nosso encontro, o mancebo ficou vários dias sem dizer nada. Quando acho que estou quase a esquecer isto e mandá-lo passear, ele volta a contactar-me e a picar o ponto. Manifesta um grande interesse por mim, "és linda", "temos de sair novamente" e coisas afins...mas não faz nenhum convite directo. Não me diz: Ok, na quarta-feira às 20h36 encontramo-nos. Nada disso. Cozinha-me em lume brando e este cozinhado já está a apurar há dois meses.
Estou com uma ligeira impressão de quem se vai queimar nisto é ele.
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Não há condições

28.12.10

Os pais ensinam-nos tudo. Não aceites doces de estranhos. Não chames nomes aos professores. Não andes descalça no chão frio. Não andes de mota sem capacete. Não mistures vodka com vinho. Não te deites com o primeiro rapaz que conheceres. E ninguém me ensinou que um Pyrex quando sai do forno não pode ir para o lava-loiças logo a seguir? 
Tal não foi o meu espanto quando ontem ele se apresentou nesta linda figura! Coisas verdadeiramente importantes ninguém nos ensina, né?

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Candidatura de Emprego

27.12.10


Exmo(a). Sr.(a),

Tenho conhecimento de que a sua empresa está a recrutar presentemente uma Agente de Afugentamento do Espécime Masculino. Venho por este meio, assim, apresentar a minha candidatura para esta posição, pois considero ser a pessoa ideal para este cargo.

Possuo uma experiência longa e vasta nesta área, sempre pautada por excelentes referências. Ao longo do meu percurso social e amoroso, tive a capacidade de afugentar de forma bem-sucedida vários espécimes do sexo masculino: o espécime bonzinho-tal-como-a-minha-mãe-queria, o espécime sacana-que-só-ele, o espécime mais-vaidoso-e-com-menos-pêlos-do-que-eu, o espécime deixo-te-aqui-em-casa-porque-eu-vou-para-a-discoteca-engatar-as-camones, o espécime intelectualóide, o espécime tenho-a-maior-pila-do-mundo-por-isso-sou-o-supra-sumo-da-barbatana.  Em todos estes casos, tive a capacidade de, com muito sangue frio e maturidade, eliminar cada um destes espécimes da minha vida.

Encaro com entusiasmo a possibilidade de continuar a espantar e assustar rapazes, jovens, homens maduros e até idosos, de forma a desenvolver o meu elevado espírito crítico e as minhas capacidades de reclamação. Comunico-lhe desde já a minha total disponibilidade e interesse em aprofundar as razões desta candidatura.

Na certeza de que esta carta merecerá a melhor atenção de V.Exa., subscrevo-me com os melhores cumprimentos.

R.L.

A melhor prenda que trouxe de Dublin...

23.12.10
...não foram os tapa-orelhas de pêlo de Gremlin....

...não foram os pijamas de algodão e renda da Primark...

...não foi o enrolador de pestanas...

...não foi a colecção quase inteira do James Joyce...


...mas foi este livro. 

Ali estava ele numa banca de livros de segunda mão, como quem dizia:
- Vá lá, eu até posso ser denso e pesado. Até posso criar-te alguns problemas no aeroporto porque os senhores da Ryanair gostam de te chular o excesso de peso da bagagem e os meus 6 kg não são propriamente pêra doce. 
Mas vou enriquecer de tal forma a tua vida, vou inspirar-te tanto, que todas as noites me irás abrir e ler alguns parágrafos. E depois vais sorrir.

Pronto, quem consegue resistir a uma conversa destas. Digam OLÁ ao meu novo companheiro de cabeceira:

E esta, hein?

23.12.10
Estou habituada ao "simpática", "maluca", "querida"...mas uma coisa que nunca nunca me tinham chamado era de "fofinha". E não é no contexto de "Fofinha, vem deitar-te aqui ao meu lado". Foi mesmo um simples "És fofinha".  Foi bonito.


P.S.: E creio que ela não se referia às minhas curvas generosas.

Balanço do Jogo

19.12.10
Eu queria. A sério que queria saber fazer algo extraordinariamente bem.

Comecei um curso de Escrita Criativa, na esperança que me pudesse trazer inspiração, ajudar a desenvolver um novo estilo de escrita ou simplesmente a desobstruir o meu cérebro de hábitos cíclicos, que pensam sempre no mesmo tipo de coisas. Ingenuidade a minha: há lá pessoas com um jeito extraordinário para aquilo que, quando lêem os textos que escrevem, é uma chicotada no meu (pequeno) ego. O curso não tem uma natureza didáctica, ninguém me diz se aquilo que escrevo é bom ou mau e por isso sinto que não evoluo.
1 - 0 - ganham eles.

Licenciei-me em Tradução.
Sempre tive alguma queda para as línguas e para escrevinhar (já nem digo "escrever", notaram?) e lá fui eu para Leiria, a quase 500 km da terra que me viu nascer e crescer, para estudar. Os meus pais nunca concordaram com esta escolha, porque não sabiam que "era preciso um curso para se ser tradutor". Felizmente, provei-lhes que estavam enganados. No segundo ano do curso, depois de ter feito uma apresentação na cadeira de Cultura I sobre a Globalização, numa sala com 80 pessoas, a professora chama-me no final da aula e diz-me:
-A Rafaela é uma comunicadora nata. Não pode passar a sua vida sem falar em público. Poucas pessoas têm a sua descontracção e à-vontade. É tudo o que lhe digo.
Absorvi aquilo e dois dias depois liguei para o meu pai a dizer que queria desistir do curso e que queria mudar para Jornalismo e ir para Lisboa. Ao que ele respondeu: "Se desistires, estás por tua conta e risco. Terás de te sustentar sozinha e tratar tudo sozinha. Tens de saber assumir as tuas escolhas e responsabilidades". Eu tinha 17 anos quando fui para Leiria. Que responsabilidade se tem aos 17 anos? Engoli em seco e disse-lhe com o rabo entre as pernas: acabo este curso.
Acabei por ser das 5 pessoas (em 80, que entraram no meu ano) a terminar o curso nos 5 anos previstos. E sou das poucas entre as várias centenas de licenciados em Tradução que trabalha activamente na área. 
Gosto de línguas, de tradução, de palavras, de comunicação, mas como ser freelancer em Portugal é um tiro no escuro, tenho-me visto sempre forçada a ter empregos "de dia" noutras áreas para poder subsistir. Até agora tive 3 trabalhos: na área de web marketing, depois na área de mobile marketing e agora numa empresa de tradução como Project Manager. Sou tradutora freelancer em part-time, pelo que trabalho à noite, aos fins-de-semana e nas férias, quando todos os outros se divertem. Sei que a Tradução e as línguas serão o meu futuro eventualmente, mas até lá trabalho o dobro de uma pessoa normal.
2 - 0 - ganham eles.

Eu canto bem. Sim, nasci no meio da música e tudo me é natural. O meu pai é cantor e desde tenra idade foi a música que me deu de comer. Nunca me deixou participar em concursos de talentos e sempre me incentivou a "estudar primeiro, porque isso era o mais importante". Tenho uma voz bonita que se aprimorou ao longo dos tempos. Se antes eu só gostava de berrar Whitney Houston até a uma extensão vocal que não possuía, com o passar do tempo fui percebendo que sou contralto e que serei muito mais depressa um clone de uma Diana Krall do que o clone de uma Mariah Carey. No entanto, não o faço a nível profissional nem nunca procurei desenvolver o meu talento, pelo que serve apenas para animar uma noite com os amigos e cantar uma bela canção acústica aos ouvidos de um namorado, numa noite de romantismo puro.
3 - 0 - ganham eles.

Sou uma pessoa com alguma graça. Faço rir os meus amigos, digo muita parvoíce junta com algumas boas piadas. Tenho jeito para animar ambientes e sei que a minha personalidade algo excêntrica é uma mais-valia junto do meu grupo de amigos e até mesmo de desconhecidos.
Mas, apesar de um currículo social extenso em animar pessoas e tornar os outros mais bem-dispostos e leves, ainda não aprendi a tornar-me mais feliz quando sou eu que estou a ter um dia mau.
4 - 0 - ganham eles.

E é isto que eu queria dizer. Trata-se de apenas uma enumeração de estados de espírito. Não tenho uma conclusão brilhante para este post.

Dublin em palavras

15.12.10
Era uma viagem que deveria ter sido feita há muito tempo. Tínhamos o bilhete, Milano-Dublin-Milano comprado para Novembro de 2008. Algumas semanas antes terminámos o namoro e cada um seguiu a sua vida. Talvez fosse melhor assim, porque estávamos naquela fase em que já não nos divertíamos e que qualquer momento a dois era pautado por indirectas e acusações e cada vez menos por amor. Todos passámos por isso, não é? Ou pelo menos assim espero.
Assim sendo, Dublin esperou por mim. E dois anos depois, lá me decidi a visitá-la sem rancores ou memórias do passado. E com uma óptima companhia. A companhia de uma amiga de infância, a nossa terceira viagem juntas e a mais harmoniosa de todas.
Motivos para se gostar de Dublin? Ora cá vão alguns:

- Os irlandeses são, provavelmente, o povo mais simpático da Europa. Sim, até mais do que os portugueses, do que os espanhóis e italianos. Conheço-os todos muito bem e os irlandeses estão no cimo. Esta simpatia aliada a um sempre presente sentido de humor, torna-os um povo acolhedor a quem apetece abraçar.

- Dublin é uma cidade pequena, por isso vê-se em dois ou três dias. E a pé, que é a melhor forma de conhecer uma nova cidade.

- Sendo pequena, é uma cidade divertida: tem centenas de bares, pubs, restaurantes e coffee houses. Tudo é uma desculpa para fugir ao frio e aquecermos o estômago com um hot whiskey (apesar de me ter causado vómitos, senti-me uma grande mulher quando bebi aquilo) ou um latte.

- São atenciosos para com os estrangeiros. Se um dubliner vê um turista com o mapa na mão, o mais provável é que o aborde, perguntando se precisa de ajuda ou se quer ir para algum lado em particular.

- Garlic Potatoes. Estão a ver batatas fritas? Agora imaginem que elas foram fritas em azeite e alho...A sério, por estas batatas vale a pena ter celulite.

- Guinness. A Guinness é o ex-lybris da cidade. Mais do que a pizza é em Nápoles, do que a Broadway em Nova Iorque ou do que a Família Real na Inglaterra. Tudo em Dublin faz referência à cerveja Guinness, à família Guinness e ao Império Guinness. E supostamente, como dizem os irlandeses, pode-se sobreviver à base de Guinness. 24 pints por dia e um copo de leite mantém-te vivo e saudável.  Gosto muito destes slogans, mas quanto a este tenho as minhas dúvidas.

- O atrevimento e espontaneidade dos homens. Não me posso queixar dos portugueses que ultimamente acordaram para a vida e têm-me cortejado nas mais diversas situações. Mas em Dublin, eles de facto arriscam e metem-se connosco. E pagam-nos bebidas sem esperar levar-nos para casa naquela noite.

Portanto, assim que tiverem uma oportunidade, vão ao site da Ryanair e comprem um bilhete de Faro-Dublin. Paguei 26 euros ida e volta pelo meu. E, no regresso, ainda passei uma manhã debaixo do sol algarvio.


Dublin em imagens

15.12.10

By Canon EOS 500D

A sombra da porta

6.12.10



Vi esta cena várias vezes. Vezes suficientes para memorizar o discurso da Arizona. De trás para a frente. A garganta aperta e o coração contrai-se. E demora um bom bocado de tempo a regressar à sua posição inicial. E tenho as minhas dúvidas se alguma vez regressa.

Foi uma das melhores cenas da temporada até agora. A Arizona volta de África e fala com a Callie (namorada com quem tinha terminado o namoro alguns meses antes), sem dizer "Olá, regressei". Bate à porta e explica-lhe, sem dar voltas à questão, por que motivo era infeliz longe dela.

Inicialmente a Callie esboça um sorriso discreto, muito espantada por ver a Arizona, o amor de uma vida, ali à frente dela. Por ter desistido do sonho africano e por ter regressado a Seattle. Por amor.

À medida que a Arizona ilustra o amor enorme que sente por ela, o rosto de Callie vai-se fechando.

A câmara foca o rosto de Arizona em suspenso, à espera de uma resposta, de um sinal de euforia, de um abraço, de um beijo, de um estalo, fosse o que fosse. E depois vemos a sombra azulada da porta reflectida no rosto do anjo louro...e que se fecha lentamente na sua cara.

O cinema e a televisão (séries, em particular) prendem-nos porque mais cedo ou mais tarde identificamo-nos com as personagens. Reconhecemos as situações, contextos, histórias, episódios, sentimentos. Sabemos que elas são pura ficção, mas queremos acreditar à força que aquelas pessoas que estão no ecrã são pessoas como nós. Por isso emocionamo-nos e choramos se a Callie bate com a porta na cara da Arizona, se a Lynette descobre que tem um tumor na cabeça, se o Big deixa a Carrie plantada no altar ou se a Christina pesca uma truta de 13 Kg.

Esta cena dói-me em particular porque é sempre triste ver alguém a virar costas ao amor. 

Eu nunca lhe virei as costas. Mas a minha cara já ficou com uma sombra azulada várias vezes.


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Já cá canta!

5.12.10

E vou estreá-la já na próxima quarta-feira em Dublin, onde irei passar uns dias. E é tão bom ouvirmos do nosso amigo artista:

- Bem-vinda ao fabuloso mundo da fotografia.

Por esta é que eu não esperava...

1.12.10


Será que me tornei famosa e apetecível sem me dar conta?

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