O meu nome é Odisseando e hoje faço 5 anos de vida.
No dia 21 de Março de 2006, a minha proprietária resolveu criar-me com o propósito de manter os amigos portugueses actualizados relativamente às suas aventuras.
No Rio de Janeiro do longínquo 2005, a Internet era quase uma miragem, pelo que praticamente só poderia ser acedida através de cyber-cafés ou Lan Houses cheia de jovens malucos e viciados. Ia escrevinhando em alguns documentos word o que a inspirava, retalhos de vida esses que nunca viram a luz do dia. Assim, em Fevereiro de 2006 quando a minha proprietária foi morar para Milão decidiu que não iria acontecer o mesmo. E umas semanas depois, nasci eu.
A minha proprietária inspirou-se no livro do Mia Couto, Cronicando, para criar o meu nome. Apeteceu-lhe inventar o verbo "odissear" pois a própria se sentia como uma Ulisses à descoberta de um mundo que, até aí, era um desconhecido para si. Ah...a ingenuidade dos seus 22 anos!
Conheci-lhe dois namorados. Ao primeiro, a minha proprietária deu cabo do sebo. O segundo deu-lhe cabo do sebo a ela. Não há volta a dar: o karma persegue-nos a todos.
Nestes 5 anos de vida, a minha proprietária teve três empregos. Andou sempre em busca da next best thing e foi sempre acumulando conhecimento. Fez as malas várias vezes e mudou de cidade em busca de novas aventuras. Ainda não encontrou a next best thing.
Eu que comecei por ter 5 leitores diários, após estes anos, tenho 300, muito graças à Kitty Fane, à Luna e à Pólo Norte, blogs da alta-roda que de vez em quando me linkam e me fazem envaidecer. Comecei por ser um blog ultra-pessoal e aos poucos fui-me tornando mais uma colecção de ideias e local de debate. A minha proprietária ainda não aprendeu a relativizar quando alguém escreve algo menos positivo. Acho que ela se leva demasiado a sério, por isso interpreta tudo muito a peito. Mas acho que com o tempo vai lá. No outro dia, contava-me em tom de desabafo, que queria iniciar um blog novo. Que estava cansada de toda a gente saber que eu era o seu blog pessoal e de ser julgada pelas coisas que escreve. Eu fiquei triste, claro, porque sei que entrei na vida de algumas pessoas e é sempre difícil quebrar laços. Mas já dizia o Senhor dos Blogues: "Na blogosfera nada se perde. Tudo se transforma."
Graças à minha existência, a minha proprietária conheceu algumas pessoas muito interessantes, mesmo que todos achem que conhecer pessoas através da Internet é geek e nerd. A verdade é que, mais do que qualquer outro meio de comunicação web, o blog é uma extensão da pessoa que o escreve. E é possível criar laços e situações de intimidade com pessoas que nos vão lendo ao longo dos tempos. Sem estranhezas e sem preconceitos.
Hoje faço 5 anos. Não sei por quanto tempo ainda cá estarei, mas enquanto existir, podem sempre contar com a sinceridade e tolice natural da minha proprietária.
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