Barney - (...) And I'm just going to keep talking
because I'm afraid if I stop there's going to be pause, or a break,
where you'll say "it's getting late" or, "I should probably get going"
and I'm not ready for that to happen,
I don't want it to happen. Ever.
Miriam - There it was. The pause.
Barney - Yeah.
Miriam - I'm still here.
Em inglês existe aquela expressão intrigante "larger than life" que nunca soube muito bem o que significa. Tem calhado vê-la traduzida como "maior do que a vida", mas é o que chamo uma má tradução, porque não me transmite absolutamente nada: nenhuma sensação, nenhuma noção concreta de quantidade ou qualidade, nenhum conceito abstracto. No entanto, compreendo-a quando a vejo ou ouço num determinado contexto.
Associando esta expressão ao mundo do cinema, houve 3 filmes que vi durante a minha vida que posso considerar "maiores do que a vida". E aqui crio já uma definição minha: filmes tão grandiosos que a metade dos mesmos já não me conseguia lembrar do início. Ou seja, parece que aquele filme continha uma história que acompanhava há anos, como uma série longa de televisão, ou como uma história que nos é contada desde a infância.
Aconteceu com o A vida é bela e com o Big Fish. O Big Fish foi o último filme que vi no cinema que transformou as minhas entranhas e brincou com a alma de cada célula minha. Os italianos chamam sconvolgente, os ingleses overwhelming, em português resisto à palavra avassaladora porque acho que é um pouco diferente. Mas adiante.
Associando esta expressão ao mundo do cinema, houve 3 filmes que vi durante a minha vida que posso considerar "maiores do que a vida". E aqui crio já uma definição minha: filmes tão grandiosos que a metade dos mesmos já não me conseguia lembrar do início. Ou seja, parece que aquele filme continha uma história que acompanhava há anos, como uma série longa de televisão, ou como uma história que nos é contada desde a infância.
Aconteceu com o A vida é bela e com o Big Fish. O Big Fish foi o último filme que vi no cinema que transformou as minhas entranhas e brincou com a alma de cada célula minha. Os italianos chamam sconvolgente, os ingleses overwhelming, em português resisto à palavra avassaladora porque acho que é um pouco diferente. Mas adiante.
Ontem vi um filme destes. O Paul Giamatti já tem habituado o seu público a interpretações excelentes, embora a sua carreira se tenha desenvolvido sobretudo nos filmes dos circuitos independentes. Nunca o tinha visto no papel de protagonista - aliás, li recentemente que ele é o actor principal mais improvável do mundo. Não é bonito, mas também não é horroroso. É um dos poucos actores tragicómicos que os Estados Unidos produziram: usa o humor mas não nos faz rir às gargalhadas. Ficamos sempre ali num impasse com ele, pelo que tem construído a sua carreira um pouco à margem das luzes da ribalta (em termos de rendimentos nas bilheteiras, claro está). No entanto, ele tem um ponto a favor: provoca ternura no público.
Neste papel em particular, Paul Giamatti é um homem que se casa três vezes e está longe de ser um marido exemplar. Só para vos dar um exemplo: conhece a terceira mulher (e amor da sua vida) no seu segundo casamento. No copo d'água. O ridículo da situação revela-se rapidamente uma grande prova de amor. E o Giamatti tem o condão de transformar uma personagem por vezes irritante e detestável numa personagem amada pelo público. Torcemos por ele instantaneamente como se fosse o nosso melhor amigo.
Dustin Hoffman é brilhante (como sempre?) e concede momentos de gargalhadas e ligeireza a um público que está sentado na cadeira sem saber muito bem o que esperar do resto do filme. Aqui se vê a mestria do realizador que, mesmo revelando logo de início um Paul Giamatti já velho - e o filme ser passado através de flashbacks - nunca transmite qualquer atmosfera de tragicidade ou de final feliz. Andamos numa dança dúbia e hesitante enquanto entramos na história dos protagonistas.
Não sendo uma pessoa lamechas por natureza, acabei por chorar muito com o filme. Não chorei no final, nem sequer quando se adivinhavam os últimos minutos, mas quando percebi que iria ter de me despedir do Barney para sempre.
Não se pode atravessar uma vida sem ver "A minha versão do amor".
Não se pode atravessar uma vida sem ver "A minha versão do amor".













