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A Banhada

29.7.11
Tinha ansiado por este dia durante semanas. 
Li no folheto de eventos da Fnac que o Gonçalo Cadilhe iria, passo a citar, "conversar com os seus leitores sobre viagens e aventuras" na Fnac do Chiado. 
Depois do dia de ontem, estava mesmo a precisar de um escape, de uma alegria. Lá me pus toda pimpona a caminho do Chiado, pulverizei um bocadinho de perfume, porque isto nunca se sabe, abanei os cabelos e entrei nos Armazéns do Chiado feliz da vida. 
Estava mais do que preparada para me encontrar com o senhor Cadilhe, por quem tenho um crush há 10 anos. Queria falar com ele sobre a Liguria (o texto dele que mais me tocou sobre um lugar no mundo), sobre as viagens da nossa vida, pedir-lhe um autógrafo e dar-lhe um abraço. Entro, finalmente, na Fnac e eis o cenário que se me apresenta diante dos meus olhos:

VIDEOCONFERÊNCIA???

One million dollar question

28.7.11
Quando um homem nos diz, pouco depois de nos conhecer, que gosta de ser ele a mandar, o que se faz? Foge-se a sete pés para longe dele ou vestimos a armadura, montamos o cavalo e gozamos a viagem?


Talvez seja importante dizer que o homem em questão é extremamente sexy.

Pouca leitura, pouca alma

26.7.11
Ando a ler incrivelmente pouco.
O trabalho, as traduções, os jornais e revistas no qual me viciei, as leituras de manuais de máquinas e ferramentas para aprimorar uma escrita que se quer técnica, os blogues, a navegação web consomem-me todo o tempo livre que tenho. Sei que é culpa minha, porque não tenho estabelecido prioridades na minha vida e ando metida num overeating de tudo o que é fácil e rápido.
Hoje lembrei-me de Rubem Fonseca. 
O último livro pelo qual me apaixonei à séria foi o seu Diário de um Fescenino. Li-o em pouco mais de 2 horas, em pé, na Livraria Arquivo em Leiria, quando ainda por lá morava e quando eles ainda permitiam que os clientes lessem os livros colocados à venda. Estamos  a falar de há 7 ou 8 anos, meus amigos. O que é dramático para uma pessoa que tem apenas 27.
Na altura fiquei embevecida com aquela velocidade da escrita, pelos detalhes tão bem descritos, pela crueza, pela masculinidade e pela leviandade do protagonista. Ou não fosse a filha-da-putice dos homens algo que me intriga tanto, desde tenra idade.
Comprei o livro alguns anos mais tarde e voltei a lê-lo e pareceu-me a primeira vez que folheava aquelas páginas e tudo me pareceu novo.
A verdade é que sinto saudade de me apaixonar perdidamente por um livro. Saudade não. Sinto falta.
Compro sempre muitos livros, começo a lê-los mas existe sempre alguma outra urgência assassina do meu tempo e da minha atenção. Depois convenço-me de que a falha não está em mim: que se se tratasse realmente de um livro apaixonante, eu não teria tempo sequer para tomar o fôlego e não o fecharia sem o acabar. 
E a questão coloca-se: será que fui eu que perdi a capacidade de me obcecar pelas palavras ou foram estas que deixaram de ser hipnotizantes?

The awe

25.7.11




Foram as palavras mais bonitas que por aí se escreveram sobre a Amy Winehouse. O autor foi o Russell Brand (aquele tipo cabeludo que tem ar de louco, mas que será provavelmente um dos seres mais inteligentes do show business da actualidade por razões que mencionarei noutra ocasião). Leiam o bonito texto que o rapaz escreveu no seu blogue pessoal.

A minha opinião? 
Para além de ter a minha idade e de ser muito estranho ler o intervalo temporal 1983 - 2011, não há muitos músicos hoje em dia como ela. Tenho pena que nos tenha deixado numa altura de decadência, um pouco semelhante à ocasião da morte do Michael Jackson. Que não tenha tido um período de ascensão das cinzas e a recuperação da sua imagem e de fama.
Fala-se muito do Clube 27, em que Joplin, Cobain, Hendrix e Morrison faleceram todos em situações extremas. Mas havia uma diferença: todos eles estavam no auge da carreira e a Amy não. 
Tive o privilégio de a ver ao vivo em 2007, numa altura em que a Amy não tinha atingido o período decadente no qual se enterrou nos últimos 4 anos. Vi-a em Milão, onde cantou para cacete, ainda que estivesse acompanhada por um copo de whisky. Mas aí era ainda só excêntrica, não era a presença embaraçosa na qual se tornou.
Não tenho dúvidas da sua genialidade e os seus dois álbuns, que conheço como a palma da mão, são pérolas de música e de talento.


Awe 
(fonte: Infopédia)
      
profundo respeito; reverência;
to stand in awe of    sentir um profundo respeito por;
in/with awe com imenso respeito





Who's ugly now?

15.7.11

A America Ferrara, que presenteou o público com momentos hilariantes na série Ugly Betty, casou-se.
E estava tão bonita.  Gosto da moça, que se pode fazer?

Adeus querida Saia Amarela

11.7.11


Querida Saia Amarela,

Nunca pensei que este dia pudesse chegar. 

Comprei-te no ano de 2007 numa loja no fundo da Via Torino em Milão. Não era uma loja cara e não paguei mais do que 20 euros pelo teu simpático tecido e cor alegre. 

Sempre ouvi dizer que a cor amarela não é para qualquer pessoa, por isso ao ver-te naquele cabide, com a tua ligeireza têxtil e os teus discretos folhos, eu soube instantaneamente que éramos feitas uma para a outra.

Animaste-me os últimos quatro Verões. Sim, tu foste saia de uma só estação. Nunca foste bengala de guarda-roupa, não senhor. Tu foste sempre a protagonista dos meus Verões. Combinava-te com tops castanhos, brancos, pretos, cai-cais, t-shirts justas, tops de alças de todos os tipos e feitios. Cheguei a comprar alguns tops que roçavam a overdose de cor, só porque no meio dos tons havia um amarelo pálido igualzinho ao teu. Por vezes adornava-te com lenços à cintura, quando achava que os teus folhos e cor maravilhosa não eram suficientes para criar um impacto quando saía contigo vestida.

Juntas fazíamos sucesso, eu nunca to disse, mas é verdade. Tu aguentaste comigo sempre cheia de orgulho e com a qualidade inicial, mesmo depois de tantas, tantas lavagens. Suportaste as minhas oscilações de peso caladinha no teu canto e sempre me caíste bem. O meu rabo contigo era admirável e agradecer-te-ei eternamente por isso. Quando não sabia o que vestir, tu e as minhas havaianas douradas faziam a toilette. E nunca me deixaram ficar mal. 

Foste comigo a Barcelona, Valencia, Nice, Capri, Ibiza, Veneza e tantos outros lugares maravilhosos. Viveste à grande e à francesa, mas não estava preparada para te ver partir. 

Nunca pensei que este dia pudesse chegar. Eu, que sempre te mimei com todos os cuidados, um dia vacilei. Deixei-te no Algarve e a minha rica mãe misturou-te com outras roupas carregadas de inveja da tua formosura. E de tinta azul. E assim veio o triste dia em que te tornaste esverdeada, à mercê de uma qualquer lingerie baratucha. 

Nunca te cheguei a ver nesse lastimável estado, pois a minha rica mãe tomou as medidas necessárias para que tu fosses diligentemente eliminada. O meu coração enche-se de tristeza, porque nunca mais voltei a sentir o teu suave tecido. Nunca mais te apertei como o fiz em momentos de alegria ou de tensão. Mas deixo aqui uma das últimas fotografias tiradas juntas em Nice, no Verão passado. Irei sempre relembrar-te com carinho, não duvides disso.

Foi um prazer passar estes 4 anos contigo, Saia Amarela.

Até sempre. 



O Verão do meu contentamento

5.7.11

1 de Julho
Praia do Cabeço, Sotavento Algarvio :)

Coisas que aprendo ao traduzir

1.7.11
Os castores são animais sociais. Muitas vezes coabitam com outras famílias, partilhando a comida e o dia-a-dia.
[No texto original em italiano estava mesmo esta expressão, que me deixou perplexa durante 15 minutos. O dia-a-dia? Será que cozinham juntos, vão para o trabalho, vêem o futebol todos juntos, as fêmeas lavam a louça enquanto os machos jogam às cartas?]
No entanto, fiquei quase emocionada ao ler que os castores são monógamos: ficam com um parceiro para toda a vida. E achei bonito.

Ser tradutor também é isto: ficar maravilhado com as informações que nos surgem à frente dos olhos e criar o distanciamento necessário para absorver novos factos e partilhá-los com os amigos e não apenas reproduzir o texto numa outra língua.
Ser tradutor é esta constante excitação de constatar que, a cada dia que passa, fico menos burra.

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