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Separados à nascença #7

27.8.11

Steve Jobs nos seus tempos e Ashton Kutcher nos nossos tempos

Percebi que sou uma boa fisionomista quando, no outro dia, comentava com alguém que o Steve Jobs era um homem bonito. A pessoa com quem falava olhou para mim muito espantada, como se fosse uma ideia completamente estapafúrdia. Ora,  olhando para os traços do seu rosto, para a sua postura em palco, para a forma como fala, de facto vejo ali um homem bonito. 
Hoje decidi ir espreitar como ele era quando era novo, como forma de apoiar as minhas ideias e não é que vim um homem giro à séria? Basta clicar em Steve Jobs young e verão várias fotos. Se ainda assim não ficarem convencidos, vejam os vídeos que pululam no Youtube e emocionem-se com uma versão jovem de um dos homens mais influentes e visionários da actualidade.
E não é que à primeira foto vi logo que o rapaz era bem parecido ao Ashton Kutcher quando era novo?
O mais provável é que daqui a uns anos vocês ouçam falar da Rafa, não a tradutora, nem a cantora, mas a dona daquela famosa Agência de Sósias. 

Sabemos que temos problemas na nossa vida sentimental...

25.8.11

...quando, na nossa agenda do telemóvel, temos 3 números de telefone associados aos seguintes nomes: “Não atender”; “Idiota Chapado”; “Não dar grande conversa”.

Religião e salvação

18.8.11

Há uns tempos perguntava a alguém se sou uma pessoa que tem ar de quem precisa de ser salva.
Muitas pessoas, pertencentes às mais diversas religiões, denominações e credos, abordam-me nas rus como se com o meu olhar buscasse qualquer tipo de redenção divina. No entanto, já há algum tempo que os evangelistas deste mundo não me incomodavam…até hoje de manhã.

Estava eu na paragem de autocarros e vejo chegar duas senhoras. Uma delas tinha dificuldades em caminhar, pelo que se sentou no banco disponível, enquanto a outra ficou em pé. Cumprimentaram-me – o que é muito raro nas minhas bandas, onde ninguém diz Bom Dia ou Boa Tarde - e eu respondi com toda a educação, embora os meus olhos estivessem mais concentrados nos e-mails matinais que lia no iPhone. A senhora que se sentou queixa-se das dores e a outra responde com um automático “Mas a dor não vai durar para sempre porque Deus vem resgatar-nos e tudo acabará em breve”.

Reparo que a senhora que estava em pé debruça-se sobre a sua mala e eu já sabia o que dali vinha. Toda bem disposta, aproxima-se de mim e entrega-me um folheto (ver foto acima). As Testemunhas de Jeová, como grupo religioso, aborrecem-me particularmente. Não só por forçarem as pessoas que estão com pressa a ouvi-los e não por quererem recrutar para o lado deles, perdão, converter todos os ímpios deste mundo, como eu. 

E agora conto-vos algo que ainda não sabem: eu conheço bem os princípios das Testemunhas de Jeová, por tê-los estudado e por ter tido uma amiga íntima que praticava esta religião. Ora, um dos princípios mais ridículos (sim, todos já sabemos a história de recusarem terminantemente as transfusões de sangue em caso de perigo de vida, nem sequer pretendo entrar por aí) reside no facto de os Testemunhas acreditarem que apenas 144 mil pessoas serão salvas, ou seja, irão para o céu. Mais estranho ainda é considerarem que a maioria destas 144 mil pessoas já morreram, pelo que apenas restam 11 mil no planeta terra que irão ser salvos e, pasme-se, serão todos Testemunhas de Jeová. Ora, não estando ligada a nenhuma religião neste momento, nada me poderia soar pior: quer dizer que o facto de se “ser salvo” (seja lá o que isso significa) obriga-me a estar ligada a uma religião em particular? Não acredito mesmo.

Na paragem de autocarro e, como não sou uma morning person, não me apeteceu estar a debater com a senhora acerca de todas estas ideias. Aceitei o folheto, sorri ao ouvi-la dizer mecanicamente “é preciso decidir, é preciso escolher quem queremos servir, antes que seja demasiado tarde” e voltei as atenções para outro lado.
O autocarro entretanto chega e a outra senhora que estava sentada, com muito esforço, levanta-se do banco. Antes de entrar, pergunto à senhora se precisa de ajuda e, com o meu apoio, lá consegue entrar no autocarro. Não resisto e dirijo-me à senhora evangelista, dizendo-lhe no meu tom mais educado e assertivo:

- É este tipo de coisas que me irá conceder uma entrada no Céu. Infelizmente, não será o seu panfleto.

Guia para afastar ameaças da tua relação

3.8.11


Público-alvo
Se és uma mulher bonita, inteligente, segura de ti, não deverás ter grandes problemas de auto-estima e provavelmente tens plena confiança no teu namorado ou parceiro. Este texto não é para ti.
No entanto, por mais que odeies esta ideia, existirão sempre potenciais ameaças à harmonia da tua relação, vulgo, possíveis ladras de homens.

Estratégia 
Certamente, como mulher inteligente e culta que és, já terás ouvido falar do famoso provérbio "Se não podes vencê-los, junta-te a eles". Ora, é isso que terás de fazer com a tua arqui-inimiga.
Imagina que numa noite de saída, conheces pessoalmente a tal mulher que poderá constituir uma ameaça. Vês que ela conversa de forma animada com o teu homem. Pior ainda, vês que ele é simpático para ela e os olhos dele brilham de uma forma diferente. Nada de fazer cenas, não te esqueças! 

Acção
Nessa noite, quando fores para casa, adiciona a rapariga ao Facebook antes que ela tenha tempo de iniciar um contacto com o teu homem. Se possível, envia-lhe uma mensagem afável, dizendo que gostaste muito de conhecê-la e que ela parece ser uma pessoa bestial. Nesse momento, tens a tua ameaça na mão. Seduziste-a. Conquistaste-a.

Conclusão
Desta forma, ela nunca irá contactar o teu namorado com o propósito de engate. Porque uma mulher nunca quer ser conhecida como "a cabra". Não tens de ficar a melhor amiga dela, mas basta que a faças acreditar que sim. Uma mulher valoriza mais uma potencial boa amizade do que um gajo giro.


Nota: isto aconteceu-me recentemente e posso ter perdido para sempre o homem da minha vida. Porra, quem me manda ser boa moça?

O desafio ALFAMA-TE

2.8.11


Alfama é o bairro mais antigo de Lisboa.
Para uma algarvia como eu, talvez por alguma razão místico-etimológica (Alfama deriva do árabe al-hamma, que significa “o banho”, “a fonte”), Alfama tornou-se o meu sítio preferido de Lisboa.

Sempre ouvi dizer que são as pessoas que fazem os lugares. Não concordo: acho que cada local tem uma história, uma ambiance, um contexto que nos fazem sentir em casa ou que nos conduzem gentilmente à saída.
Já tinha tido um cheirinho durante as noites de Verão na esplanada das Portas do Sol, ao beber um copo de vinho enquanto me maravilhava com a vista sobre o bairro. Depois foi a época dos Santos em que me diverti juntamente com um grupo de amigos especial, metendo-me com todos os que passavam e fazendo daquele bairro um salão de baile imenso.

Na sexta-feira passada, após ter lido testemunhos em algumas revistas, aventurei-me no Alfama-te a 10. Trata-se de um desafio proposto pelo grupo Alfama-te, em que organizadores propõem uma apresentação do bairro ao resto da sociedade lisboeta como ponto de encontro, de diversão e lazer e, principalmente, um contexto onde travar uma amizade torna-se algo natural como respirar.

E assim foi. Às 21h00 encontrei-me com outros 9 desconhecidos e os dois organizadores do projecto numa praça de Alfama e fomos conduzidos para um local incerto onde iríamos jantar na companhia uns dos outros. Um engenheiro químico, uma futura designer de interiores, uma bióloga, uma médica, um economista, um engenheiro civil ciclista, uma investigadora, um agente imobiliário artista e os mentores do projecto sentaram-se comigo à mesa para partilhar uma refeição e pedaços das suas vidas.

Conviver com desconhecidos é o expoente máximo de liberdade. Cada um tem margem para se comportar como desejar e ser quem quiser. Cada um está a dar-se ao outro, na proporção em que bem entender.

A noite fez-se longa e o grupo permaneceu junto até às 4h30 da madrugada, a cantar e a beber como se nos conhecêssemos todos há (pelo menos) duas vidas. Não sei se me tornarei amiga destes 9 ex-desconhecidos que partilharam comigo uma noite original e diferente. No entanto, nos primeiros minutos, com algumas dessas pessoas, aconteceu algo fascinante: decidi imediatamente que as queria ter na minha vida. 

Não queres arriscar também e ter uma história divertida para contar?

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