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O dia da maior odisseia de todas...

20.8.09
Manhã

Acordei muito cedo.
De manhã tinha de ir ao INPS, vulgo Segurança Social italiana, pedir uma declaração em como havia descontado cerca de 500 euros todos os meses para a Segurança Social...dinheiro esse que nunca mais vou ver na vida.
Depois quis comprar um souvenir antes de me ir embora, qualquer coisa para mim, visto que não fui a nenhuma loja durante os saldos milaneses e queria ir-me embora com uma coisa simbólica italiana. Fiquei-me por um par de óculos brancos da Armani. Giros.
Fui comprar também uma trolley azul turquesa na Carpisa. Saldos de 30%, nada mal.
Toda a manhã senti níveis de stress altíssimos, seja por a hora da partida estar a aproximar-se, seja porque a mala custava a fechar e ainda tinha coisas espalhadas pela secretária que não fazia ideia onde as iria enfiar. Além do stress tinha um amargo na boca, aquela sensação que não conseguimos identificar a 100%, seria medo, excitação, pontinha de arrependimento por ser tão impulsiva e espontânea? Também desestabilizada porque tinha recebido um e-mail do meu ex em que pedia para nunca mais o contactar e em que ameaçava apagar todo o meu blog através dos seus conhecimentos de hacker só porque não acatei ao seu pedido - que me tinha feito semanas antes - de apagar toda e qualquer referência à nossa história amorosa neste meu blog. Fez-me até uma lista num documento word, de várias páginas, com todas as palavras e frases e posts que requeria que eu apagasse para todo o sempre. Isto tudo acompanhado história do costume "ai que estou tão feliz com a minha nova namorada, que mora comigo aqui na Líbia, que é perfeita, e tem o 46 de soutien e é atlética e linda e que até já a apresentei aos meus pais de tanto que a amo, mas deixa-me lá passar 3 horas por dia no blog da minha ex, porque não tenho mais nada que fazer". Obviamente não é bonito receber e-mails do género. Na manhã da minha partida, dei o meu grande grito do Ipiranga quando, ao receber um segundo e-mail dele, certamente tão simpático como os outros, apaguei-o antes de o ler. Ponto para mim. Acabou-se, não quero mais que ele tenha esta influência nefasta sobre o meu humor e amor-próprio. Tenho de meter na cabeça que ele já não é a pessoa com quem vivi durante dois anos em Milão. No entanto, o amargo da boca ainda cá está. E receio que seja uma amargura numa área mais vasta do que na boca apenas.

Tarde

Peguei na mala que, segundo a minha balança digital e usando o método caseiro "pesar-me sozinha e depois pesar-me com a mala e ver a diferença de peso", vi que teria uns 5 kgs em excesso. Pensei "ok, não morro pelos 8 euros que custa cada kilo em excesso". Mal sabia eu que as companhias aéreas aumentam os preços a cada semana, e que agora cada kilo era 12 euros.
Peguei na mala nova cheiinha de coisas, mais a trolley pequena perfeita para bagagem de mão, mais a mala do portátil, mais a minha mala (ou seja "purse" - por que raio usamos a mesma palavra - mala - para dizer "purse" e "suitcase"??) e lá fui eu para o aeroporto.
Dirigi-me para o check-in e começou a aventura.
A minha mala grande tinha 25 kgs e a rapariga do check-in informou-me a melhor notícia dos últimos tempos:
- A Easyjet permite UMA SÓ bagagem de mão. Você tem 3 (a mala de mão, a trolley e a mala do portátil). Não lhe vão deixar passar nas portas de segurança.

Apesar das minhas tentativas para lhe explicar que não podia enfiar o portátil em mais nenhum lado, ela foi irredutível. Disse-me para colocar o portátil e a a mala-purse dentro do trolley pequeno, que este passava visto ter dimensões perfeitas.
Saí da fila.

Fiz uma grande ginástica e lá libertei algum espaço no trolley pequeno e meti coisas na mala grande. Sempre era melhor pagar peso em excesso do que ter de mandar 2 bagagens para o porão.

Voltei para a fila do check-in, desta vez, escolhi uma outra rapariga menos chata. Resultado: a minha mala grande estava inchadíssima, deitei fora a mala do portátil - não tinha mesmo sítio onde a enfiar - e coloquei o portátil dentro do meu trolley que levaria como bagagem de mão. Mas a mala-purse tinha-a à mesma na mão, pois não havia espaço em lado nenhum para as coisas que tinha lá dentro.

No check-in a rapariga viu que a mala grande tinha 26 kgs, mas escreveu só 5 kgs em excesso no recibo. Foi simpática. Fui pagar os 60 euros (12 euros x 5 kgs) e voltei ao check-in. Eu agradeci-lhe e lá fui eu com a minha trolley pequenina com muita lingerie e portátil e disco externo à mistura e a minha mala purse.

Cheguei ao controlo de segurança e estava lá a maior CABRA do universo:
- Não pode passar com estes dois volumes. Tem de colocar a mala dentro do trolley.
- Senhora, mas já tive de deitar fora a mala do portátil e colocá-lo cá dentro. É impossível, não cabe também a mala.
- Então não pode passar. Tem de mandar o trolley pelo porão.

Ainda tentei fazer outra dose de ginástica e enfiar a mala dentro do trolley mas era mesmo impossível. Voltei ao check-in, à mesma rapariga que me tinha feito o desconto de um kilinho.
Disse-lhe quase a chorar que queria matar todas as pessoas da Easyjet e depois suicidar-me a mim, mas acho que piadas relativas a homicídios no aeroporto não são muito bem-vindas, por isso corrigi logo com um "excepto a si, que é muito simpática".
E então, para pesar meu, dei-lhe a trolley para mandar para o porão. Vamos à parte da matemática, que isto vai ser engraçado. Ora, só pelo facto de termos uma bagagem adicional para mandar pagam-se 22 euros. Depois por cada quilo adicional, pagam-se os 12 euros. Ora, pesámos a trolley que tinha 12 kgs.
Eu teria de pagar: 22 euros (bagagem extra) + 12 euros x 12 kgs = 166 euros.
No recibo - porque no check-in nunca recebem dinheiro, temos de ir com o recibo ao balcão da Easyjet no centro do aeroporto para pagar - ela colocou somente 1 volume extra = 22 euros.
Eu olhei para ela e perguntei:
- Então e os kgs em excesso?
- Schhhhh... - e saudou-me com um sorriso cúmplice.
Fiquei emocionadíssima com o gesto e lá fui pagar os 22 euros em vez dos 166.
Depois voltei ao check-in para retirar o bilhete e agradeci à rapariga muito carinhosamente. Há pessoas assim. Fiquei a pensar quantas vezes já fui beneficiada por ser uma pessoa simpática - existe mesmo esta tendência para que os outros nos façam favores e nos ofereçam coisas, é extraordinário.

Passei pela CABRA dos controlos de segurança, agora só com a minha mala-purse - e tive de enfiar o meu portátil lá dentro porque não o quis mandar para o porão, mas a mala sendo pequena, metade do portátil estava de fora. Felizmente não implicou com isso e deixou-me a passar.

Só repetia para mim "Quando chegar a casa, vou jurar que é mentira".


Fim de Tarde

Cheguei a Lisboa no final da tarde e fiquei assustada com os 5000 posters sobre a Gripe A que decoravam o aeroporto de Lisboa. Em Itália, ninguém fala da Gripe A, é perfeitamente como se não existisse.
Esperei as malas, fui à Vodafone comprar um cartão para pôr no Blackberry e apanhei táxi para o Oriente, esperei duas horas - que usei de forma muito produtiva passeando-me pelo Vasco da Gama - pelo autocarro da Renex que me levaria para Portimão.
No autocarro, fiquei com o número de um dos lugares da frente, em que podia ter vista panorâmica sobre a estrada. A noite estava a cair e a lua cheia estava maravilhosa e linda.
Estava finalmente em casa.

O último dia

20.8.09

Contei baixinho 1, 2, 3 e respirei fundo.

Não era fácil, já passavam das 23h e tinha acabado de chegar de um jantar mexicano com a minha, agora, ex-roommate Holly. Ela mudara-se no fim-de-semana antes para um monolocale maravilhoso, com mobílias do Ikea por estrear, pertinho do Corso Buenos Aires. Para quem não era capaz de ir ao supermercado sozinha alguns meses antes, hoje mudar-se para um mini-apartamento e ir morar sozinha...parece-me um bom salto, não é? Depois de uma noite emocionante - que já se esperava - afinal morámos juntas 1 ano, ela esteve lá...em cada momento difícil meu e foi autora também das maiores gargalhadas que dei neste ano tão conturbado, é sempre difícil o conceito de "Adeus, vou mudar de país".
Ofereceu-me um postal...já vos disse que os ingleses adoram postais? É uma coisa parva, para qualquer eventozinho existe um postal. Na Inglaterra vendem-se postais como se fossem pastilhas elásticas, há-os por todo o lado e a preços ridiculamente baixos tipo 40 postais a 2 libras e coisas do género. Cá em Portugal acho que se perdeu a magia dos postais...nem no Natal os enviamos...
Voltando ao postal...as lágrimas foram inevitáveis. Impossível não fazer um balanço, pelo menos, daquele último ano, o ano em que partilhámos uma casa e uma vida.

As despedidas dos amigos do trabalho e do coração já tinham sido feitas, ao longo dos últimos dias, misturadas com muitas horas de trabalho com as traduções que ainda estava a fazer. A Holly foi a última pessoa com quem estive. Não houve um drama extraordinário em nenhuma destas ocasiões pois regresso a Milão para um casamento no início de Setembro, então esteve sempre presente esta ideia, que daqui a um mês revejo toda a gente. Ou pelo menos a gente que interessa.

Regressei a casa e tinha ainda o mais difícil por fazer. Arrumar e organizar as minhas gavetas. Já tinha enviado com a transportadora os meus 110 livros, os 60 dvds, os 30 e tal pares de sapatos (desfiz-me de alguns para bem da minha sanidade mental ao tentar enfiá-los todos numa mala enorme) e os meus 10 casacos compridos de Inverno. As coisas grandes tinham ido.
Faltavam as coisas pequenas...e por favor, não as ignoremos, porque dão mais trabalho do que as grandes. Sem dúvida nenhuma.
Abrir as gavetas foi por si só uma viagem ao mundo das recordações. Além das facturas, recibos verdes, recibos de vencimento, documentos de rendimentos, canetas que ia comprando, selos velhos sem validade, isqueiros que comprei na viagem a Paris há 2 anos - e desde aí prometera a mim mesma que nunca mais compraria souvenirs porque não servem absolutamente para nada, tinha tudo o resto: os postais dele, o dos vários aniversários e os de Natal. Abri-os e reli-os. Quis deitar fora. Tive receio de me arrepender, porque aquilo é a minha história. Guardei um e o outro escorregou-se-me da mão e no monte que se ia fazendo no chão ficou. Encontrei também os vários saquinhos com as várias dezenas de dólares que me tinham sobrado da viagem a Nova Iorque; outro com as libras das viagens a Londres; encontrei pastas com dezenas de postais e bilhetes de avião de todos os sítios que visitei nestes dois anos: Praga, Barcelona, Valencia, Madrid, Nova Iorque, Londres, Paris, Nice, Freiburg, Berlim, Ibiza, Sevilha, Veneza, Siena, etc. Isso e talões de compras, facturas de farmácia, tudo numa deliciosa e dolorosa confusão de lembranças, mas que ao mesmo tempo me afagava a alma e me dizia: Tu viveste bem.

Depois de ter escolhido o que queria deitar fora e o que queria guardar, organizei tudo em pastas e fui metendo na minha mala. Por volta das 3 acabei as arrumações e esvaziei todas as gavetas. Queria muito ter esvaziado a alma, mas essa estava mais cheia do que nunca.

Goodbye Party - parte II

3.8.09

E na quinta-feira lá houve festa. Memorável, no mínimo.
Cada um dos 250 euros para conseguir um espacinho no terraço do Bar Bianco valeu a pena. Porque consegui juntar todas as pessoas que foram mais importantes para mim durante a minha estada em Itália.
Agradeço à Dany, Silvia, Giorgia, Annamaria, Stefano, Holly, Fabrizio, Niccolò, Andrea, Diego, Elisa, Alessandra, Renée, Geny, Mareike, Domenico, aos amigos italo-portugueses Andreia, Moreno, Carla, Paulo e ao resto dos 50 convidados por terem tornado a noite alegre e inesquecível. Agradeço aos vários negroni sbagliati e mojitos por me terem dado a energia necessária para aguentar uma noite de festa depois de várias semanas de trabalho árduo. Agradeço ao universo pelo dom da amizade. Destas 50 pessoas, sei ter ali pelo menos, cinco, seis amigos...daqueles a sério, daqueles que durarão pelo menos, umas 10 vidas. E só por isso, só por eles, considero-me a pessoa mais afortunada do mundo.
Muito riso, muita dança, muito carinho, muitas lágrimas, muitos gritos de alegria, boa comida, muitas recordações...é possível ser feliz em Milão.
Regresso dia 6 de Agosto e tenho ainda de empacotar os mais de 100 livros, os tais 40 pares de sapatos, os 10 casacos compridos e os 60 dvds.
Será então tempo de encerrar este ciclo da minha vida. E começar um novo.



Nota: Hugo e Alessandra, senti a vossa falta. Mas vamos ver-nos em breve.

Momentos inesquecíveis #3

3.8.09

São 5:47

3.8.09
E acabei agora uma tradução.
Por estas e outras razões que me despedi do meu trabalho...para poder dedicar-me à tradução a tempo inteiro e não ter de fazer noitadas assim.
Estou cansada sim. Mas a sensação de alívio e curiosidade relativamente a uma nova era que está para começar deixam-me feliz.


Goodbye Party

30.7.09

Por acaso já vos disse que daqui a duas horas terá lugar a minha festa de despedida de Milão?
Pois parece que vão estar cerca de 50 pessoas todas prontas para me saudar e dar miminhos. Bem, se calhar também vão porque comprei garrafas de champanhe e aluguei o terraço do Bar Bianco, no coração verde de Milão...espero que os 250 euros sirvam de alguma coisa, porque estou com vontade de divertir-me.

Who said funny can't be sexy?

30.7.09


Porque se ele for tão engraçado na vida real como é o Chandler,
eu caso com ele já amanhã.


Bon Courage

28.7.09
Enquanto o mundo inteiro nas várias línguas se rende ao acaso do destino e usam a palavra "sorte" a torto e a direito: boa sorte para isto, good luck for that, buona fortuna, viel gluck, etc...a língua francesa lá dá uma lição a todas as outras com o seu "Bon Courage".
Porque é a coragem que nos faz avançar. Porque é a coragem que nos torna melhores.
Quem precisa de sorte quando se tem coragem?

Ajudem-me!

28.7.09

Percebemos que andamos a usá-la demasiado quando...




- olhamos para o espelho e notamos que o nosso sorriso já foi mais branco

- acabamos de traduzir um manual sobre placas de cozinha eléctricas e apetece-nos começar já o outro que está ali à espera

- começamos a pesquisar na Internet à procura de novos templates para o blog que reflictam uma nova fase da nossa vida

- vamos lavar copos porque é sempre uma coisa divertida para fazer a estas horas

- ligamos o disco externo e nos preparamos para ver um episódio de Friends

- abrimos a GAVETA DO TERROR, também conhecida como, gaveta-onde-se-guarda-os-recibos-verdes-e-facturas-desorganizadas-e-recibos-de-vencimento-mais-todas-as-tralhinhas-que-acumulamos-diariamente e apetece-me organizar a minha contabilidade

- temos de acordar daqui a 3 horas para ir trabalhar e não conseguimos deitar a cabeça na almofada

- são 4h28 e damos por nós a escrever um post no blog

Sinais de adultez

27.7.09
Senti-me tão crescida e senhora quando disse esta frase:

"Não me interessa o preço!"


Nota: Ao obter informações sobre os preços que a Fedex cobra nos envios de mercadoria.

Apelo aos Senhores da Sephora

23.7.09



Exmos. Senhores Responsáveis pelo Design dos Maravilhosos Produtos Cosméticos da Sephora,

Venho por este meio requerer a modificação do design das embalagens dos produtos de desmaquilhador de olhos e da acetona.

As embalagens são idênticas, mudando somente a cor do líquido nelas contido.

Às 3 da manhã, quando o cliente regressa a casa após uma noitada desvastante, remove as lentes de contacto e se prepara para o ritual de desmaquilhagem, é bem provável que se engane e troque os produtos.

É só para avisar que se não fosse o cheiro forte da acetona teria ficado cega no sábado à noite.

Cordialmente,

Uma cliente que deixa mensalmente algumas dezenas de euros na vossa loja.

Incompreensões

23.7.09

Conversa entre mim e um amigo brasileiro enquanto víamos
um concerto do cantor Ed Motta na televisão:

Eu: - Bolas, ele tem uma voz extraordinária...mas é muito feio.

Ele: - Hmm...você acha?

Eu: - Então não é? Mete medo, mesmo muito feio.

Ele: - Não acho que ele seja "fanho" não...

Eu: - O que é "fanho"?

Ele: - Ah, você não disse "fanho"? "Fanho" é quando fala assim de forma nasal.

Eu: - Ahh, em português diz-se "fanhoso". Mas não, quis dizer "F-E-I-O".

Ele: - Porra, ele é feio pá caralho!!!

Da auto-estima e beleza efectiva

22.7.09

O mundo rendeu-se à Primeira-Dama americana. A imprensa caiu-lhe sobre os pés. Todas as mulheres admiram a sua elegância e gabam-lhe a sorte de ter casado com um homem maravilhoso.
Michelle Obama é uma mulher inteligente: será esse o primeiro adjectivo a atribuir-se-lhe. Depois vem tudo o resto.
Sou uma pessoa que tenho uma relação conflituosa com o conceito de beleza. Talvez por nunca me ter inserido nos cânones. Talvez por ter passado de uma cidade como o Rio de Janeiro onde o tipo curvas-pele escura-cabelos encaracolados era apreciado (o meu tipo) a uma cidade como Milão, em que precisamente o oposto do meu físico é que é considerado belo: magra-loira-alta-cabelos lisos. Tornei-me verdadeiramente obcecada com a beleza física ao ponto de avaliar minuciosamente as pessoas que conheço e tentar julgá-las fisicamente e tentar justificar a sua felicidade/infelicidade dependendo do aspecto físico da pessoa. Mas isso é outra história.

A Michelle é uma pessoa que me intriga. Precisamente porque, apesar de ter o mundo (e a Vogue) aos seus pés, não é particularmente bonita.


A seu favor abona o seu físico atlético, provém de uma família de basquetebolistas, justificando de certa forma a sua altura superior a 1,80m. Tem braços elegantes e musculosos na medida certa, que não se priva de exibir. Foi aliás a primeira Primeira-Dama a usar um vestido sem mangas numa cerimónia oficial, como aconteceu em Itália na Cimeira do G8, na semana passada.


Depois vem a sua natural ousadia, como as cores e acessórios que usa. Não é qualquer pessoa que tem coragem para vestir um vestido amarelo com uma flor verde, mas ela fá-lo com uma graciosidade invejável.

Michelle conta o segredo: desde criança, todos os dias os seus pais e irmãos diziam-lhe que era linda. Ela afirma que se convenceu mesmo disso e que nunca mete em causa a sua confiança feminina ou auto-estima. E isto transparece ao exterior, certo?

Então pergunto-me: há tanta gente bonita que não acredita que o é e que vivem sempre com um fantasma de insegurança que lhes tolda cada movimento e atitude. Como provar-lhes que são lindas e que podem vencer o mundo?

Foi na sexta-feira passada...

22.7.09

E eu ainda não recuperei da minha noitada no Just Cavalli.

A propósito é um sítio giríssimo ao ar livre.
Menos gira foi a chuva torrencial que chegou por volta das 3 da manhã.
Era ver todas as modelos a correrem para os carros nos seus saltos de 12 cms.
Eram elas e eu.

Provavelmente...

21.7.09

...as irmãs mais bonitas do mundo.

Iaiá e Renée
(Luv u girls)





Rasgos de Genialidade

20.7.09
Sabia que alguma coisa não estava bem.
Acendia o computador e o anti-vírus não actualizava. Ora, mesmo não sendo uma engenheira informática, eu sei que todos os dias aparecem milhares de vírus novos e as bases de dados dos sistemas que protegem o nosso computador devem ser sempre actualizadas. Na semana passada ainda fiz a actualização manual: ia aos sites da base de dados do Avira e descarregava o zip de actualização daquele dia e inseria-o manualmente no pc. Mas isto não era prático.

Além deste processo, duas vezes por mês costumo limpar o meu computador de adware, spyware, registos incompletos usando os meus programas preferidos, Ad-ware 2007 e Registry Mechanic. Foi o meu amigo Vasco que mos deu há uns quatro aninhos e se ele diz que são os melhores, eu acredito. Vou sempre actualizando e eles vão protegendo. Ora ao executá-los, percebi que nem sequer estes estavam actualizados. Clicava várias vezes no automatic update e nada: dizia-me que era impossível actualizar estes programas.
Comecei a pensar: há realmente algum filho da puta de um vírus que me está a bloquear a actualização dos meus sistemas de segurança.

Fiz algumas pesquisas no Google e saquei 1 dezena de programas que me ajudassem a limpar o pc, antivírus, antispyware, antimalware, antiadware, todos os antis possíveis e imaginários. Eles até instalavam bem, mas para começar a utilizá-los, necessitava fazer a bendita actualização e aparecia a mensagem que os meus olhos já não podiam ler:

"Update impossible".

Fui ao site da Microsoft, tentar actualizar o sistema de segurança, acreditam que nem ao site da Microsoft conseguia aceder??
Já eram 3 da manhã de um sábado à noite. Tinha estado a trabalhar todo o dia e perdi toda a noite de volta de programas de limpeza e segurança de computador. Mais geek é impossível.
Fui dormir. Mas eu sou uma pessoa obssessiva por natureza, se nem consigo dormir quando tenho "friends requests" no Facebook por aceitar, imaginem se conseguia dormir sabendo que o meu computadorzinho querido estava à mercê do terrorismo cybernetico????

No domingo de manhã às 8.30 levantei-me.

Rasgo de genialidade 1:
"Pensa Rafaela, se tu fosses um vírus, o que farias ao teu pc?
Bem eu teria uma base de dados minha com todos os programas possíveis que me pudessem destruir; todos aqueles que eu tinha instalado: Spyware Doctor, Spy Sweeper, Ad-Aware, Avira, Avast, Panda, Malwarebytes Anti-Malware, tudo, tudo. Teria também a minha lista de palavras-chave que pudesse bloquear "cleaning, security, malware, adware, etc".

Rasgo de genialidade 2:
Tinha lido na net que o melhor programa para tirar o malware (trojans) do computador era o Malwarebytes Anti-Malware, mas já o tinha instalado 4 vezes e não conseguia correr o programa. Fui ao disco C, à pasta dos Programas e à pasta onde tinha instalado este programa. Mudei os nomes: no nome da pasta escrevi "Son of a Bitch" e fui ao ficheiro com a extensão .exe, alterando o nome para "goodluckrafa". Cliquei duas vezes e...voilá!! Não é que deu certo e começou a correr?
Depois de 40 minutos, tinha-me encontrado 20 Trojans - filhos da puta, filhos da puta, filhos da puta. Removi-os. Reiniciei o pc.
Fui então ao meu anti-vírus tentar fazer a actualização e funcionou! Actualizou-me tudo depois de 1 semana longe dos circuitos de segurança mundiais. Fui ao site da Microsoft, também consegui aceder.

Senti-me um génio, meus amigos.

Padrinho, tu que és um Sr.Engenheiro, estás orgulhoso de mim?

País estranho este...

17.7.09
...em que toda a gente se benze e faz figas porque é Sexta-Feira, 17.
Helloooo, todo o mundo teme a sexta-feira 13, qual é o problema de ser sexta-feira 17?

Seal

16.7.09
But we're never gonna survive unless
We get a little crazy


Vou fazer jus às palavras do Seal e vou vê-lo hoje a cantar na Arena di Milano
pela módica quantia de 45 euros.



Venham mais fins-de-semana destes!

13.7.09


Barcelona é uma cidade em que podemos ser "livres".

A cidade está ali, não espera nada de ninguém. Mas dá-se toda aos seus visitantes. Tem tudo: a imponência de uma Londres, o Mediterrâneo, o colorido tão típico de Espanha, a cultura de uma Paris, a aura de uma capital de design como Berlim, a Movida...não falta nada àquela cidade. Por isso concilia todos os gostos possíveis e imagináveis: todos adoram Barcelona porque é impossível não adorá-la.

Desisto. Não há nada que possa escrever sobre Barcelona que não caia no lugar comum, no cliché fácil. Barcelona é simplesmente um daqueles sítios na Terra em que é impossível não nos divertirmos.
Agradeço-te, Sílvia, por este fim-de-semana maravilhoso, pela amizade, pelo carinho, pelas gargalhadas (tantas), pelas cantorias à 1 da manhã em pleno Barri Gotic, pelos brindes de cerveja sem gás, pelo projecto de vida, pelas fotos maravilhosas, por me colocares uma flor no cabelo e dizeres que sou linda, por teres paciência enquanto eu e o holandês flirtávamos.
Foi um fim-de-semana fantástico e mal posso esperar para repetirmos a proeza numa outra qualquer cidade do mundo. Porque quando o artista é bom, não interessa qual é o palco.

Milão - Barcelona

13.7.09

Sexta-feira de trabalho intenso, um zombie que acordou do passado para me atormentar o dia, não havia lágrimas só havia cansaço pelas 18 horas de trabalho diárias. Palmilhei Milão com a minha trolley verde lima atrás para poder chegar a horas ao aeroporto de Bergamo. Autocarro lento, não chegava ao aeroporto. Menos mal, tinha feito o check-in online. O autocarro chega ao aeroporto e as portas fechavam daí a cinco minutos. Ainda tinha de enfrentar os chatos seguranças que fazem apostas para ver quantos litros de cremes e perfumes caros obrigam as pessoas a deixar ali diariamente.
Chego à fila, atropelando as pessoas com a trolley verde, Scusi sono in fretta, l'aereo sta partendo, preocupo-me com a Sílvia, que à mesma hora está a partir do Porto. Meu Deus ela não pode ir sozinha para Barcelona, sou eu que tenho o endereço e a reserva no hotel, eu devia ser a guia. Começo a escrever um sms: "Nao te quero assustar, mas provavelmente não vou conseguir partir. Atrasei-me no caminho para o aeroporto. Mas tu parte, vou tentar apanhar um avião amanhã!". Comecei logo a pensar como seria a minha noite acordada ali no aeroporto, se calhar encontro o amor da minha vida nos bancos espalhados no átrio, havia de ser uma história bonita para contar aos nossos filhos: ambos perdemos o avião e ficámos a conversar durante toda a noite. Jantámos e ele ofereceu-me um limoncello, foi divertido.
- Signora, prego. Mi dia il suo bagaglio. Ah, grazie mille, sono veramente in fretta, dai dai su su!
Olho para o ecrã dos voos: Milano-Barcelona - "volo in ritardo: 1 ora".

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